“O que o mordomo viu”, do britânico Joe Orton, tem Arlete Salles no elenco
Por Camila de Ávila jornalista Sou BH
A
peça “O que o Mordomo Viu” está de volta a BH no Teatro Sesiminas (Rua Padre
Marinho, 60 – Santa Efigênia), entre 10 e 12 de outubro. Miguel Falabella e
Arlete Salles encabeçam a produção de humor negro, escrita na década 1960, pelo
britânico Joe Orton. O texto é considerado um dos melhores do dramaturgo inglês
Joe Orton, que teve uma carreira curta.
Orton
começou a escrever em 1964 e parou 1967, quando foi assassinado por seu
companheiro. A peça estreou em 1969, em Londres, no Queen’s Theatre e, desde
então, vem sendo montada em vários países. No Brasil, foi adaptado foi Miguel
Falabella, e se mostra muito popular por falar de temas atuais e corriqueiros
para os brasileiros como sexualidade, poder, mentiras, traições e corrupção.
A
história da peça inicia com o psiquiatra Arnaldo (Miguel Falabella) fazendo uma
entrevista de emprego com a sua atraente secretária, Denise Barcca (Alessandra
Verney). Durante a entrevista Arnaldo convence Denise a se despir. A tensão vai
tomando conta da cena, até que a esposa de Arnaldo, Mirta (Arlete Salles),
entra na cena. Rapidamente, o psiquiatra tenta encobrir o que está acontecendo
e coloca a moça, seminua, atrás da cortina. Porém, mal sabe Arnaldo que Mirta
também esconde um fato. Ela prometeu o cargo de secretário a Nico (Magno
Bandarz), que está chantageando-a.
Além
de tudo, a clínica de Arnaldo está passando por uma inspeção do governo
comandada por Ranço (Marcello Picchi), que mostra que a clínica vive um caos. O
detetive Matos (Ubiracy Paraná do Brasil) se interessa pelo caso.
Com
humor negro, quase beirando a maldade e malícia, o texto de Joe fala de forma
muito aberta sobre comportamento sexual. Também como homens e mulheres se
comunicam acerca de seus desejos pelo poder e como trabalham com este poder.
Orton criou em seus personagens características que deixam ainda mais
engraçadas as situações e as cenas, como por exemplo: manias dos personagens,
enredos tortuosos, confusão de identidades, portas batendo, roupas que
desaparecem. Orton foi considerado pela crítica um dos dramaturgos mais
criativos do século XX.
Esta
é a segunda temporada da peça em BH, a primeira foi em março de 2014. No lugar
de Arlete Salles estava a atriz Marisa Orth. Na época, Arlete se recuperava de
uma cirurgia. A temporada de “O que o Mordomo viu” em BH teve muito sucesso e
por isso volta à capital mineira.
“O que o mordomo viu”, é considerado um dos
mais importantes textos do autor, talvez seja pelo amadurecimento de seu
trabalho ao longo dos anos. Mesmo a peça tendo quase 50 anos, ainda se mostra
atual e relevante no que se refere à abordagem de temas que afligem a
sociedade.