Descubra qual é o maior bloco da história do Carnaval de Belo Horizonte e conheça outros blocos gigantes que arrastam multidões e ajudaram a transformar a folia na capital mineira
O Baianas Ozadas leva para a Savassi o axé e os ritmos afro-brasileiros que fazem o público dançar do começo ao fim
Se você já viveu ao menos um Carnaval em Belo Horizonte, sabe: a cidade aprendeu a ocupar as ruas com música, diversidade e pertencimento. Entre centenas de cortejos que tomam avenidas e bairros todos os anos, uma pergunta sempre volta à tona entre foliões e curiosos, afinal, qual é o maior bloco da história do Carnaval de BH?
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A resposta passa por números, memória afetiva e impacto cultural. E ela tem nome, figurino branco e muito axé.
O título de maior bloco de Carnaval de Belo Horizonte pertence ao Baianas Ozadas. Criado em 2012 pelo jornalista e músico baiano Geo Cardoso, conhecido como Geo Ozado, o bloco rapidamente se consolidou como um dos símbolos da retomada e do crescimento do Carnaval de rua na capital mineira.
Inspirado diretamente no Carnaval da Bahia, o Baianas Ozadas levou para Belo Horizonte ritmos como ijexá, samba-reggae e axé, além de elementos visuais marcantes, como saias rodadas, turbantes e balangandãs. Mais do que estética, o bloco apresentou à cidade uma experiência cultural completa, conectada à ancestralidade e à musicalidade afro-brasileira.
O auge histórico aconteceu no Carnaval de 2018, quando o bloco reuniu mais de 650 mil foliões, número que até hoje é considerado o maior público já registrado em um único cortejo de Carnaval em BH, segundo estimativas dos organizadores.
O crescimento do Baianas Ozadas acompanha a própria transformação do Carnaval belo-horizontino. Se no início dos anos 2000 a cidade ainda via muitos moradores viajando durante o feriado, a década seguinte marcou uma virada definitiva.
A partir de 2010, os blocos de rua passaram a ocupar o espaço público também como gesto político, reivindicando o direito à cidade. Nesse contexto, o Baianas Ozadas surge como um dos protagonistas desse movimento, ajudando a projetar o Carnaval de BH nacionalmente.
Hoje, o bloco tradicionalmente desfila na segunda-feira de Carnaval, saindo da Avenida Afonso Pena em direção à Praça da Estação, arrastando uma multidão vestida de branco e embalada por clássicos da música baiana.
O título do maior bloco da história não pode ser analisado de forma isolada. Ele faz parte de um fenômeno mais amplo: a explosão do Carnaval de Belo Horizonte.
Após a pandemia, a festa voltou ainda mais forte. Em 2023, mais de 5,2 milhões de foliões ocuparam as ruas da capital, com cerca de 450 blocos cadastrados. Já em 2024, a expectativa foi superar a marca de 5,5 milhões de pessoas, com mais de 500 blocos de rua desfilando.
Esse crescimento não se resume a grandes multidões. O Carnaval de BH se destaca pela diversidade de propostas: há blocos de axé, funk, samba, rock, brega, jazz, marchinhas, além de cortejos voltados para públicos específicos, como crianças, pessoas com deficiência, mulheres e a comunidade LGBTQIA+.
Embora o Baianas Ozadas detenha o recorde histórico de público, outros blocos se consolidaram como gigantes do Carnaval de Belo Horizonte, seja pelo número de foliões, pela constância ao longo dos anos ou pelo impacto cultural que exercem na cidade.
Fundado em 2010, o Então, Brilha! é um dos blocos mais emblemáticos do Carnaval de BH e responsável por abrir oficialmente a folia na cidade. O cortejo acontece ao nascer do sol do sábado de Carnaval e reúne dezenas de milhares de pessoas vestidas de rosa e amarelo. Além da dimensão do público, o bloco se destaca pelo forte engajamento político e social, com pautas contra o racismo, a LGBTfobia, o machismo e as injustiças sociais, consolidando-se como um símbolo de diversidade e pertencimento.
Criado a partir de uma festa de aniversário, o Quando Come Se Lambuza se transformou em um dos maiores fenômenos do Carnaval belo-horizontino. Com uma bateria que ultrapassa 200 ritmistas e um repertório marcado pela mistura de axé, pagode, pop e outros gêneros, o bloco arrasta multidões e figura constantemente entre os mais cheios da cidade. A proposta musical ampla e a energia do desfile ajudam a explicar sua popularidade crescente ano após ano.
Os Baianeiros surgiram em 2015 com a proposta de trazer para Belo Horizonte a atmosfera dos trios elétricos de Salvador. Desde então, o bloco passou a realizar dois grandes desfiles por edição e se firmou como um dos que mais reúnem foliões na capital. Misturando axé, pop e sertanejo universitário, o grupo costuma atrair públicos diversos e já chegou a estimar públicos superiores a 300 mil pessoas em seus cortejos de encerramento.
Considerado o maior bloco de funk do Carnaval de BH, o Funk You estreou em 2017 e rapidamente conquistou o público jovem. O diferencial está na combinação do funk com bateria de escola de samba e na presença marcante da Ala do Passinho, que leva dançarinos para a linha de frente do cortejo. O bloco se consolidou como um espaço de valorização da cultura periférica e do funk produzido em Belo Horizonte.
Criado em 2017, o Havayanas Usadas se tornou um dos principais representantes do axé dos anos 80 e 90 no Carnaval de BH. O bloco desfila tradicionalmente na manhã de segunda-feira e arrasta grandes públicos ao som de clássicos do gênero. Com o conceito do “Axé da Montanha”, o cortejo reforça a conexão cultural entre Minas Gerais e Bahia, elemento que dialoga diretamente com a identidade do Carnaval da cidade.
O Juventude Bronzeada começou como banda em 2011 e se consolidou como bloco a partir de 2014. Com repertório focado no axé das décadas de 1990 e 2000, o grupo também incorpora discurso político e valorização da cultura local. Seus desfiles costumam marcar a chamada “saideira” do Carnaval e reúnem multidões, especialmente na Região Leste de Belo Horizonte.
Esses blocos ajudam a explicar por que Belo Horizonte se consolidou como um dos maiores Carnavais do Brasil, reunindo milhões de foliões e uma diversidade única de propostas musicais e culturais.
Ser o maior bloco da história do Carnaval de BH não significa apenas reunir o maior público. No caso do Baianas Ozadas, o título carrega também um legado cultural, simbólico e político. O bloco ajudou a redefinir a identidade da festa na cidade, conectando Minas à Bahia e reafirmando o Carnaval como espaço de celebração, resistência e encontro.
Em uma cidade onde a folia cresce a cada ano, o recorde permanece como um marco histórico, e como prova de que Belo Horizonte aprendeu, definitivamente, a brilhar no Carnaval.