Local Indefinido
Dia 22/02/2026
Dom | 13:30 - 14:30
Bloco Filhas de Clara desfila no Carnaval de Belo Horizonte e, em 2026, estreia a Bateria Sabiá, formada por mais de 100 mulheres ritmistas
O Bloco Filhas de Clara chega ao carnaval de Belo Horizonte em 2026 com a maior transformação desde sua criação. Pela primeira vez, o cortejo ganha uma bateria própria, formada exclusivamente por mulheres. Batizada de Bateria Sabiá, a ala reúne mais de 100 ritmistas e passa a conduzir o repertório dedicado à obra de Clara Nunes, em um desfile que encerra simbolicamente o carnaval da capital mineira.
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O bloco sai às ruas no domingo pós-carnaval, 22 de fevereiro, com concentração às 13h30, na Avenida Clara Nunes, no bairro Renascença. A saída está prevista para 14h30.
A estreia da bateria dialoga diretamente com o tema do desfile deste ano, “Mulher, única e universal”. Após abordar o meio ambiente em 2025, o Filhas de Clara volta o olhar, em 2026, para a diversidade feminina e para a importância de reconhecer, ao mesmo tempo, as demandas coletivas e as individualidades das mulheres.
Segundo a diretora do bloco, Ayala Melgaço, a bateria vai além da função musical.
“Mais do que um corpo sonoro, a bateria se apresenta como um retrato vivo da pluralidade feminina brasileira ocupando o espaço público com som, presença e significado”, afirma. Ela destaca ainda que o grupo reúne mulheres de diferentes idades, origens, ocupações, classes sociais, crenças e orientações sexuais. “Nossa força se potencializa quando estamos juntas, sem apagar as individualidades.”
À frente do desfile, Aline Calixto, Júlia Tizumba e Tia Elza conduzem o repertório em um encontro que reúne três gerações do samba mineiro. A proposta exige precisão na relação entre voz, arranjos e percussão, especialmente com a chegada da bateria própria.
A direção musical do bloco é assinada pela violonista Bia Nascimento, responsável por reorganizar a estrutura sonora do cortejo. O objetivo, segundo a equipe, foi integrar a força da bateria sem descaracterizar o repertório tradicional dedicado à obra de Clara Nunes.
Para Aline Calixto, a bateria altera de forma significativa a experiência do desfile. “Desde o início, o Filhas de Clara foi pensado como um projeto coletivo, mas a bateria muda tudo. Ela transforma a forma como a música chega à rua e amplia o impacto do cortejo”, explica a cantora.
Ainda de acordo com Aline, a criação da Bateria Sabiá sempre esteve nos planos do bloco, mas exigiu planejamento e formação contínua. A bateria nasceu a partir de um chamamento público e, desde agosto, promove encontros semanais voltados à construção técnica, musical e coletiva das ritmistas.
Além da novidade musical, o desfile preserva um de seus momentos mais simbólicos. Antes da saída, o público participa do tradicional banho de manjericão, ritual que marca o início do cortejo com um gesto de proteção, bênção e conexão espiritual.
A prática, fundamentada na umbanda, integra a identidade do Filhas de Clara desde os primeiros anos e segue como um dos momentos mais aguardados por quem acompanha o bloco.
Em 2026, o Bloco Filhas de Clara mantém a corda inclusiva, iniciativa que garante um espaço seguro e mais confortável para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida acompanharem o desfile, sempre acompanhadas de seus responsáveis.
A ação busca ampliar a autonomia e a segurança do público PCD durante o cortejo. Para Ayala Melgaço, a medida transforma o discurso em prática.
“O carnaval só cumpre seu papel quando todas as pessoas podem ocupar a rua com segurança e dignidade. A corda inclusiva é uma maneira concreta de garantir acesso democrático à festa”, afirma.
O Bloco Filhas de Clara conta, neste ano, com patrocínio da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Belotur.