Cultura

No mês das mulheres, CCBB BH recebe exposição de Marlene Barros sobre arte têxtil e identidade feminina

CCBB BH recebe, no mês das mulheres, a exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino”, com obras em bordado, crochê e escultura


Créditos da imagem: Divulgação
Obra de Marlene Barros integra a exposição “Tecitura do feminino”, em cartaz no CCBB BH durante o Mês das Mulheres Obra de Marlene Barros integra a exposição “Tecitura do feminino”, em cartaz no CCBB BH durante o Mês das Mulheres

Maria Clara Landim

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27/02/26 às 13:07
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O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) abre ao público a exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino”, mostra que integra a programação do mês das mulheres e reúne 13 obras da artista maranhense Marlene Barros. Em cartaz de 4 de março a 1º de junho, a exposição ocupa as galerias do térreo com esculturas, instalações, crochês e bordados que exploram o corpo, a memória e o universo feminino.

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A proposta parte de uma pesquisa iniciada durante o mestrado da artista em Arte Contemporânea, em Portugal. Desde então, Marlene desenvolve trabalhos que utilizam técnicas tradicionalmente associadas ao espaço doméstico para construir narrativas visuais densas e simbólicas. Assim, o bordado e a costura deixam de ser apenas práticas manuais e passam a funcionar como linguagem artística.

Com curadoria de Betânia Pinheiro, a exposição não segue ordem cronológica. Em vez disso, o percurso é livre, permitindo que o público estabeleça conexões próprias entre as obras. Ao longo da visita, o espectador encontra reflexões sobre identidade, pertencimento, maternidade e construção social do feminino.

Crédito: Divulgação

Corpo e identidade em destaque

Entre os trabalhos apresentados está “Eu tenho a tua cara”, instalação formada por 49 rostos femininos com olhos e bocas trocados e costurados. A obra propõe uma reflexão sobre identidade e alteridade, ao sugerir que as individualidades se constroem também nas relações com o outro.

Já em “Coso porque está roto”, um casaco revela, no avesso, órgãos humanos bordados que representam sentimentos. A peça associa o gesto de remendar à ideia de cuidado e reconstrução simbólica, ampliando o significado do ato de costurar.

Outro destaque é “Quem pariu, que embale”, que convida o público a pensar sobre os papéis historicamente atribuídos às mulheres, especialmente no campo do cuidado. Em vez de oferecer respostas prontas, a obra abre espaço para questionamentos.

Arte têxtil como linguagem contemporânea

Com mais de quatro décadas de trajetória, Marlene Barros consolidou-se como referência no cenário artístico maranhense. Ao longo da carreira, desenvolveu trabalhos em crochê, escultura, pintura, performance e intervenção artística. No entanto, mantém o universo feminino como eixo central de sua produção.

Na exposição apresentada no CCBB BH, a artista evidencia como técnicas têxteis podem dialogar com a arte contemporânea e ocupar o espaço institucional com potência estética e conceitual. Dessa forma, o público é convidado a olhar para o fazer manual sob outra perspectiva.

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Programação formativa

Além da visitação gratuita, o CCBB BH promove ações formativas abertas ao público. Durante o período expositivo, visitantes poderão participar de um espaço-ateliê interativo para bordar, costurar ou crochetar. A programação inclui visita mediada com a artista e a curadora, palestra e a oficina “Arpilleras de si”, que propõe a criação coletiva de uma obra-instalação a partir de narrativas pessoais.

As atividades oferecem certificado de 12 horas e são destinadas a homens e mulheres de diferentes faixas etárias residentes em Belo Horizonte. As vagas são limitadas.

Integrante do Circuito Liberdade, o CCBB BH mantém programação diversificada e gratuita, ampliando o acesso do público às artes visuais. Com “Tecitura do feminino”, o espaço abre o mês das mulheres com uma mostra que destaca a arte têxtil como campo de experimentação, memória e identidade.