Educação

Interpretação e raciocínio: os pilares do Colégio Determinante na era da IA

Especialistas e educadores do Colégio Determinante mostram por que essas competências educacionais passaram a ser ainda mais valorizadas do mercado de trabalho


Créditos da imagem: Divulgação
O coordenador Renato Ribeiro explica que as aulas vão além de decorar fórmulas, e focam em aprender a interpretar, argumentar e pensar estrategicamente. O coordenador Renato Ribeiro explica que as aulas vão além de decorar fórmulas, e focam em aprender a interpretar, argumentar e pensar estrategicamente.

Iris Aguiar

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13/05/26 às 09:50
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Enquanto plataformas de inteligência artificial escrevem textos, resolvem cálculos e organizam informações em segundos, escolas começam a reforçar justamente habilidades que máquinas ainda não dominam plenamente: interpretação, repertório e raciocínio estratégico. 

Relatórios da UNESCO e do Fórum Econômico Mundial já apontam pensamento crítico, resolução de problemas e alfabetização midiática entre as competências mais importantes para os próximos anos. 

Em Belo Horizonte, o Colégio Determinante traduz essa discussão em prática pedagógica ao unir o rigor das ciências exatas ao fortalecimento da leitura e da escrita.

O raciocínio lógico como ferramenta de autonomia

Para Renato Ribeiro, coordenador do Colégio e Pré-vestibular Determinante e professor de Matemática, um dos desafios atuais é preservar a capacidade de concentração e construção de raciocínio dos discentes diante do excesso de estímulos digitais.

“Hoje os alunos têm acesso a tudo o tempo todo. Desde a fundação do Determinante, a escola proibiu o uso de celular em sala justamente para limitar esse excesso e permitir que o estudante foque no momento da aula”, explica.

A instituição também busca estimular análise, interpretação e construção de estratégias para solucionar problemas.

“A matemática, por exemplo, exige duas linhas ao mesmo tempo: a base teórica e o raciocínio lógico. Não adianta apenas decorar conceitos. O estudante precisa criar métodos para resolver situações”, afirma Renato.

Esse trabalho acontece com atividades em grupo, exercícios e desafios aplicados nas avaliações. Segundo o docente, o objetivo é fazer com que o estudante aprenda a pensar antes de buscar respostas prontas.

Estratégia e desenvolvimento cognitivo

Pesquisas acadêmicas já associaram jogos táticos ao aprimoramento intelectivo. O estudo The Effects of Chess Instruction on Pupils’ Cognitive Development, desenvolvido por pesquisadores ligados à Louisiana Tech University e à United States Chess Federation (USCF), aponta que a prática sistemática do xadrez contribui para aptidões relacionadas ao planejamento, à antecipação de cenários e à organização do pensamento lógico.

Dentro dessa proposta, o colégio também incentiva atividades voltadas ao planejamento objetivo. Renato afirma que essa estrutura também aparece em dinâmicas simples dentro da rotina escolar. Ele cita uma atividade recente realizada com turmas do 9º ano, em que os discentes participaram de desafios envolvendo xadrez e jogo da forca. “São jogos tradicionais, mas que exigem decisões e raciocínio rápido. A sala fica motivada e os alunos participam muito”, afirma.

Leitura profunda em tempos de respostas instantâneas

Se nas exatas o foco está no pensamento analítico, nas aulas de literatura e produção textual o objetivo é ampliar repertório, interpretação e comunicação, habilidades cada vez mais valorizadas na era da IA.

Professor de literatura, escritor e responsável pelos conteúdos digitais do Colégio Determinante, Flávio Castro avalia que o modelo tradicional de redação ainda dominante em muitos cursinhos já não responde sozinho às exigências contemporâneas.  O professor acredita que a literatura exerce um papel decisivo na formação intelectual e humana dos estudantes. “Ler tira o sujeito do senso comum e permite compreender o outro, entender o mundo e perceber os limites da própria inteligência artificial.”

Por isso, a escola passou a estimular diferentes gêneros textuais, aproximando a escrita de situações concretas da vida adulta e profissional. Os alunos trabalham com cartas, manifesto, artigo de opinião, resenha crítica, reportagem e memorando.

Em tempos de Inteligência Artificial, habilidades humanas ganham ainda mais valor, explica o professor Flávio Castro.
Em tempos de Inteligência Artificial, habilidades humanas ganham ainda mais valor, explica o professor Flávio Castro.

Saber interpretar e comunicar é uma vantagem competitiva

Apesar das críticas ao uso automático dessas ferramentas, Flávio Castro acredita que a IA pode ser incorporada de forma tática ao processo de aprendizagem. “A melhor forma de entender a IA é aprendendo a utilizá-la. Ela pode ajudar em pesquisas e organização de estudos, mas ainda não substitui criatividade, autoria ou pensamento profundo”, afirma.

A mesma percepção é compartilhada pelo especialista em IA e tecnologia Ricardo Campos, que trabalha há décadas com arquiteturas complexas de TI. Segundo ele, o avanço desses recursos aumentou a importância da comunicação humana no ambiente profissional. 

Ricardo explica que sistemas de IA tendem a produzir respostas mais eficientes quando recebem comandos claros, contextualizados e bem estruturados. Na avaliação dele, o diferencial deixou de ser apenas técnico.

“As empresas procuram pessoas capazes de estruturar ideias, interpretar cenários e transformar necessidades reais em comandos eficientes para a inteligência artificial. Não adianta ter um currículo excelente e não saber se expressar”, afirma. 

A experiência de quem chegou ao ensino superior

A percepção também aparece na trajetória do estudante Diogo Kamino, graduando em Engenharia da Computação e ex-aluno do pré-vestibular Determinante.

Para ele, o raciocínio lógico desenvolvido durante a preparação foi decisivo para a adaptação ao ensino superior. Diogo lembra que o contato constante com exercícios e resolução prática de problemas ajudou a fortalecer sua capacidade analítica. 

Segundo ele, a metodologia do Determinante de acompanhamento próximo permitia identificar dificuldades específicas e transformar falhas em oportunidades de evolução. “O Renato passava listas extras direcionadas exatamente aos pontos em que eu precisava melhorar. Isso acelerou muito meu desenvolvimento.”

Além do raciocínio, ele destaca compreensão textual e comunicação como atributos essenciais para atuar na área de tecnologia. “Muitas vezes, compreender corretamente uma informação define se um sistema vai funcionar da forma esperada ou não”, contextualiza.

Para Diogo Kamino, ex-aluno do Determinante e estudante de Engenharia da Computação, lógica e interpretação seguem sendo habilidades centrais na área de tecnologia - (foto: Divulgação/arquivo pessoal)
Para Diogo Kamino, ex-aluno do Determinante e estudante de Engenharia da Computação, lógica e interpretação seguem sendo habilidades centrais na área de tecnologia(foto: Divulgação/arquivo pessoal)

Formação humana em um mercado automatizado

Ao reunir matemática, literatura, interpretação, argumentação e análise estratégica dentro da mesma proposta pedagógica, o Colégio Determinante aposta em uma formação que vai além da preparação para provas.

Em um mercado cada vez mais automatizado, a instituição aposta em competências que especialistas apontam como essenciais para o futuro do trabalho.

Conheça mais sobre a metodologia e plano de ensino no site em determinantebh.com.br