Gastronomia

O Sabor da Tradição: Como Minas Gerais Transforma sua Culinária em Patrimônio Cultural

Além do modo de fazer o queijo e o pão de queijo, a cachaça de alambique está em estudo para também ser protegida; conheça os tesouros culturais do estado


Créditos da imagem: Freepik
Queijo artesanal branco redondo com uma fatia cortada, sobre palha seca. O modo artesanal de fazer o Queijo Minas, com seu sabor único, é um dos patrimônios culturais imateriais do estado.

Júlia Rhaine Diniz Silva

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03/06/26 às 15:01
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Minas Gerais não é só famosa por seus sabores, mas também por protegê-los oficialmente como parte de sua cultura. O estado é pioneiro na preservação de suas tradições gastronômicas, com modos de fazer e sistemas culinários reconhecidos formalmente como patrimônio imateriai pelos órgãos de preservação, como o Iepha-MG e o Iphan.

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Essa proteção significa que o conhecimento, as técnicas e os rituais passados entre gerações são valorizados como um verdadeiro tesouro cultural. O registro ajuda a garantir que esses costumes não se percam com o tempo, incentivando a continuidade das práticas que dão identidade à mesa mineira.

Conheça a seguir as tradições culinárias que já possuem esse reconhecimento oficial e o que está por vir.

Bens Reconhecidos como Patrimônio Cultural

  • Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas: Não é qualquer queijo. O registro protege o saber-fazer do queijo artesanal em regiões tradicionais como Serro, Canastra, Alto Paranaíba e Salitre. O processo envolve o uso de leite cru, o “pingo” como fermento natural e técnicas de cura que conferem um sabor único e histórico a cada peça.
  • Sistemas Culinários da Cozinha Mineira – O Milho e a Mandioca: Em vez de registrar receitas isoladas, o Estado reconheceu o sistema cultural completo em torno do milho e da mandioca. Isso protege todo o ciclo: desde o cultivo nos quintais, o processamento nos moinhos e casas de farinha, até os saberes tradicionais aplicados no fogão a lenha para dar vida a broas, quitandas, angus e beijus.
  • Modo de Fazer a Goiabada Cascão de Ponte Nova: Esta iguaria da Zona da Mata tem seu modo de fazer específico reconhecido devido ao forte vínculo histórico com a região. A técnica tradicional resulta em um doce artesanal com pedaços marcantes da fruta e uma consistência perfeita, mantendo viva uma receita secular de tacho.

A Caminho do Reconhecimento

  • Cachaça de Alambique: O modo tradicional de produção da cachaça artesanal de alambique está sob forte mobilização e estudos dos órgãos de patrimônio cultural. A iniciativa busca valorizar o processo de fermentação natural da cana-de-açúcar e a destilação em alambiques de cobre. Esses métodos tradicionais garantem a complexidade de aromas da bebida, que é um símbolo nacional com identidade profundamente mineira.