Cultura

Obra de Guignard exibida uma única vez em 1943 volta ao público em leilão em BH

Obra de Guignard exibida uma única vez em 1943 volta ao público em leilão em BH, que reúne 60 obras de grandes nomes da arte brasileira


Créditos da imagem: Divulgação
“Retrato de Vera Anunziata”, de Alberto da Veiga Guignard, foi exibido uma única vez, em 1943, e agora integra o Grande Leilão Coleção Errante, em Belo Horizonte “Retrato de Vera Anunziata”, de Alberto da Veiga Guignard, foi exibido uma única vez, em 1943, e agora integra o Grande Leilão Coleção Errante, em Belo Horizonte

Maria Clara Landim

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13/08/26 às 10:18
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Uma obra de Alberto da Veiga Guignard exibida apenas uma vez, em 1943, volta a despertar interesse no circuito artístico brasileiro. “Retrato de Vera Anunziata”, produzido naquele ano, será um dos destaques do Grande Leilão Coleção Errante, que reúne 60 obras de importantes nomes da arte brasileira em Belo Horizonte.

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O leilão acontece no dia 25 de agosto de 2026, às 20h, com transmissão ao vivo pela Plataforma Leilões BR. Antes disso, o público poderá conhecer as obras presencialmente na Rugendas Galeria de Arte, no Belvedere Mall, entre os dias 19 e 25 de agosto.

A realização ocorre em um ano simbólico para Guignard, que completaria 130 anos em 2026. Além disso, a história da pintura se conecta diretamente à trajetória do artista em Minas Gerais.

Obra de Guignard retorna ao circuito após mais de 80 anos

“Retrato de Vera Anunziata” foi uma das três obras selecionadas por Guignard para o Salão Nacional de Belas Artes de 1943. Depois daquela apresentação, porém, a pintura permaneceu fora do circuito expositivo por mais de oito décadas.

O reaparecimento ganha ainda mais relevância porque, no ano seguinte, em 1944, Guignard se mudou para Belo Horizonte a convite do então prefeito Juscelino Kubitschek. Na capital mineira, o artista fundou a Escola de Belas Artes e teve papel importante na formação de uma geração de artistas.

Assim, a obra representa não apenas um registro da produção de Guignard, mas também um período de transformação na história da arte brasileira e, especialmente, mineira.

Retratos revelam histórias que vão além das telas

Além da pintura de 1943, a coleção apresenta outro retrato de Guignard: “Retrato de Lupe Deane”, de 1944. A obra participou da retrospectiva dedicada ao artista pelo Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1974, e também integrou a exposição “O Olhar Modernista de JK”, em 2006.

O conjunto ganha uma particularidade: Lupe Deane também foi retratada por seu marido, o pintor Percy Deane, em 1941. A obra de Percy também estará disponível no leilão. Dessa maneira, as pinturas permitem observar diferentes interpretações de uma mesma personagem e estabelecer relações entre artistas e períodos distintos.

Outro destaque é “Retrato de Dora”, de Anita Malfatti, produzido em 1934 e apresentado no II Salão Paulista de Belas Artes, em 1935. Pesquisas recentes do Cecor/UFMG identificaram ainda a existência de um nu escondido sob a pintura atualmente visível.

Já “Retrato do Motta”, de Djanira, produzido em 1959, possui uma dedicatória no verso ao poeta José Shaw da Motta e Silva, último marido da artista. A pintura também foi reproduzida em publicação oficial do Ministério da Educação e Cultura e apresentada em retrospectiva no Museu Nacional de Belas Artes.

Coleção reúne sete décadas da arte brasileira

Ao todo, o leilão reúne trabalhos produzidos entre 1925 e 1998. Portanto, a seleção permite acompanhar diferentes momentos da arte brasileira ao longo de mais de 70 anos.

Entre os artistas presentes estão Tarsila do Amaral, Milton Dacosta, Anatol Wladyslaw, Ivan Serpa, Maria Leontina, Emeric Marcier, Enrico Bianco, Glauco Rodrigues, Regina Vater, Miguel Rio Branco e Aldemir Martins, além de Guignard, Anita Malfatti e Djanira.

Algumas obras possuem ainda registros em catálogos raisonné, livros, salões, retrospectivas, bienais e exposições museológicas. Por isso, a organização do leilão pretende apresentar não apenas os trabalhos, mas também informações sobre a trajetória, procedência e histórico expositivo de cada peça.

Coleção Errante inicia nova fase

Formada durante dez anos pelo empresário e colecionador mineiro Vinicius Veloso, a Coleção Errante nasceu com a proposta de colocar as obras em circulação por meio de exposições e empréstimos a instituições e diferentes públicos.

Agora, parte do acervo será colocada à venda. Segundo Veloso, a decisão acompanha uma mudança de direcionamento da coleção, que passará a priorizar a produção contemporânea.

“Depois de dez anos formando esse acervo, chegou o momento de permitir que parte dessas obras siga novos caminhos”, afirma o colecionador.

Exposição gratuita acontece antes do leilão

Quem quiser conhecer as obras antes do pregão poderá visitar a exposição entre 19 e 25 de agosto, na Rugendas Galeria de Arte, no Belvedere Mall, em Belo Horizonte.

A visitação ocorre de segunda a sexta-feira, das 11h às 19h, e aos sábados e domingos, das 10h às 15h. Já o leilão será realizado virtualmente no dia 25, às 20h, com condução do marchand Vitor Braga.

Serviço

  • Grande Leilão Coleção Errante
  • Exposição: 19 a 25 de agosto de 2026
  • Horário: segunda a sexta, das 11h às 19h; sábado e domingo, das 10h às 15h
  • Local: Rugendas Galeria de Arte – Belvedere Mall, espaço térreo
  • Endereço: Avenida Luiz Paulo Franco, 1011, lojas 70 e 79, Belvedere, Belo Horizonte
  • Leilão: 25 de agosto de 2026, às 20h
  • Formato: transmissão ao vivo pela Plataforma Leilões BR
  • Informações: (31) 3286-4282 | (31) 99916-2783 | (31) 97186-0990
  • E-mail: galeria@vitorbraga.com.br
  • Site: www.rugendasvitorbraga.com.br