O antigo Dops, atual Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, conta com programação especial no sábado (26)
Prédio onde funciona o Dops
O antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) que no passado representava terror e autoritarismo, atualmente passa por um processo de transformação, impulsionado por movimentos sociais. Rebatizado como Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, o espaço recebe neste sábado (26), atividades que integram a programação da Primavera dos Museus, incluindo visitas guiadas ao local, repintura da fachada, feiras de artesanato e gastronômicas e grafite.
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Localizado na Avenida Afonso Pena, 2351 o prédio de arquitetura modernista carrega uma história de sangue derramado. A estrutura foi designada a abrigar o Dops, órgão de polícia política utilizado principalmente na Ditadura Militar para controlar e vigiar a cidade, reprimir a oposição e praticar censura.
Em 1970, já na Ditadura, durante o governo do general Emílio Médici, foi criado o DOI-CODI, estrutura que reunia representantes das Forças Armadas e das polícias para centralizar e coordenar a repressão aos opositores. Em Belo Horizonte, o órgão começou a atuar em 1971, no terceiro andar do prédio do Dops, na avenida Afonso Pena. Enquanto o CODI coordenava as ações repressivas, o DOI era responsável pelas operações, e o DOPS continuava realizando investigações, prisões e interrogatórios, incluindo casos de tortura, prisão ilegal e morte.
Após o fim da ditadura militar, o prédio da Avenida Afonso Pena continuou sob o controle das forças de segurança de Minas Gerais, abrigando órgãos como o DOESP, o Denarc e uma carceragem feminina. A desocupação pela Polícia Civil ocorreu apenas em 2016, ano em que o edifício foi tombado pelo patrimônio estadual (IEPHA) com o objetivo de preservar a memória das violações de direitos humanos. Embora o governo estadual tenha lançado o projeto do Memorial dos Direitos Humanos Casa Liberdade em 2018, o espaço acabou abandonado nos anos seguintes.
Diante da inércia do poder público em reformar o local, movimentos sociais iniciaram em 2025 a ação coletiva Ocupe o Memorial, revitalizando o local de forma independente e transformando o antigo centro de tortura em um espaço ativo de resistência que, atualmente, recebe milhares de visitantes para eventos culturais e visitas guiada. Neste ano também, foi criada a Associação do Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, formada por integrantes dos movimentos envolvidos na ocupação.
A programação é promovida pelo Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, em parceria com os movimentos que atuam no espaço, com o objetivo de mobilizar recursos para a manutenção e continuidade das atividades realizadas no local. O evento acontece neste sábado (26), das 10h às 18h, na Avenida Afonso Pena, 2351, em Belo Horizonte. A entrada é gratuita e não é necessário retirar ingresso.
A agenda começa às 10h, com uma visita mediada pelo prédio, que aborda a história do imóvel e as violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar. Ao longo do dia, haverá pintura ao vivo da fachada, com o artista 2Lipa, além de intervenções de grafite de Goma, do coletivo Garatuja, Marola, Najma e Thai.
Também estão previstas a Feira de Artesanato e Quitandas do Mãos Solidárias, do MST, a Batalha de Slam do Coletivo Brota, apresentação de Sandrão Eletrorgânico e música eletrônica com DJ BDT Selectah. A partir das 11h, ocorre ainda o Grande Saldão Piolho Nababo, com obras de arte à venda por preços promocionais. Haverá venda de comidas e bebidas no local.
Evento: Primavera dos Museus – Memorial dos Direitos Humanos Ocupado
Quando: sábado (26), das 10h às 18h
Onde: Memorial dos Direitos Humanos Ocupado
Endereço: Avenida Afonso Pena, 2351, Belo Horizonte
Entrada: gratuita e aberta ao público