Experiência em escola do Barreiro mostra como o contato cotidiano com a língua de sinais fortalece a comunicação entre estudantes surdos e ouvintes
Professor surdo Fábio Roberto ensina Libras a estudantes da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte
Há dois anos, quando o professor Fábio Roberto chegou à Escola Municipal Sebastião Guilherme de Oliveira, no Barreiro, poucos estudantes conheciam ou utilizavam sinais de Libras. Desde então, o contato diário com a língua de sinais passou a fazer parte da rotina escolar. Atualmente, alunos mais velhos já conseguem se comunicar em Libras, enquanto profissionais da direção e da coordenação pedagógica também aprenderam a utilizar a língua.
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A experiência integra as ações da Política de Educação Bilíngue de Surdos da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte e mostra os impactos da ampliação do ensino de Libras para toda a comunidade escolar.
Antes de ingressar na área da educação, Fábio trabalhou durante dez anos em outro setor. Ao decidir se dedicar ao ensino de Libras para crianças e adolescentes, passou a desenvolver estratégias para tornar as aulas mais acessíveis e atrativas. Brincadeiras, desafios em equipe e jogos interativos fazem parte das atividades realizadas com os estudantes.
Com o passar do tempo, o uso da Libras também ultrapassou os limites da sala de aula. Os estudantes passaram a utilizar a língua para se comunicar entre si, enquanto outros profissionais incorporaram os sinais à rotina da escola. A convivência também favoreceu a troca entre alunos surdos e ouvintes, que passaram a aprender uns com os outros.
Aos 11 anos, Gabriel Arcanjo Leal Santos Fernandes Soares, estudante surdo da escola, participa desse processo ao ensinar novos sinais aos colegas. A ampliação da comunicação contribui para a interação entre os estudantes e para a construção de vínculos no ambiente escolar.
Atualmente, a Libras está presente em 61 escolas da Rede Municipal de Educação, com prioridade para unidades que possuem estudantes surdos ou com deficiência auditiva. Mais de 16,8 mil estudantes, entre surdos e ouvintes, têm contato com a língua de sinais nas escolas municipais.
A rede atende cerca de 255 estudantes surdos e com deficiência auditiva, da Educação Infantil à Educação de Jovens e Adultos (EJA), distribuídos pelas nove regionais de Belo Horizonte. Para apoiar o atendimento e fortalecer as ações pedagógicas, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) mantém o Núcleo de Políticas de Educação Bilíngue de Surdos (NUPEBS), vinculado à Diretoria de Políticas Afirmativas.
A Política de Educação Bilíngue de Surdos também inclui a implantação de turmas bilíngues em escolas-polo. O modelo já funciona na Escola Municipal Padre Flávio Giammetta, no Barreiro, e na Escola Municipal Honorina de Barros, na região Noroeste.
Nessas turmas, a Libras é utilizada como língua de instrução e mediação dos conteúdos curriculares. A Língua Portuguesa é trabalhada na modalidade escrita como segunda língua. As classes contam com professores ouvintes fluentes em Libras e professores surdos, que participam do ensino da língua e contribuem para o fortalecimento da identidade e da cultura surda.
Além das aulas regulares, a Smed conta com cerca de 70 tradutores e intérpretes de Libras/Português que atuam em sala de aula. A rede também possui instrutores de Libras que trabalham em parceria com a Associação de Surdos de Minas Gerais (ASMG).
Outra iniciativa são as Oficinas Virtuais de Libras destinadas à comunidade escolar. As atividades certificam cerca de 100 participantes por semestre.
Celebrado neste sábado (26), o Dia Nacional do Surdo reforça a importância da Libras como instrumento de comunicação, aprendizagem e convivência no ambiente escolar.
Na Escola Municipal Sebastião Guilherme de Oliveira, a presença da língua de sinais já faz parte de diferentes momentos da rotina. O aprendizado de novos sinais, as conversas entre estudantes e a comunicação entre alunos e profissionais mostram como a ampliação do acesso à Libras pode modificar as relações dentro da escola e ampliar as possibilidades de participação dos estudantes surdos.