Evento associado ao cometa 21P/Giacobini-Zinner tem melhor visibilidade no Hemisfério Norte; saiba como observar na Grande Belo Horizonte
Céu noturno iluminado por uma chuva de meteoros, ilustrando o fenômeno das Dracônidas mencionado na matéria.
A chuva de meteoros Dracônidas, que atinge seu pico no mês de outubro, desperta a curiosidade de entusiastas do céu noturno, mas impõe desafios para observadores em Belo Horizonte e em todo o Hemisfério Sul. O fenômeno acontece anualmente quando a Terra cruza a órbita de detritos deixados pelo cometa 21P/Giacobini-Zinner, gerando rastros luminosos ao entrarem na atmosfera terrestre.
É importante destacar que as Dracônidas são muito mais favoráveis para observadores situados no Hemisfério Norte. No Brasil, o radiante da chuva (a constelação do Dragão) fica extremamente baixo na linha do horizonte norte, o que diminui consideravelmente as chances de avistamento. A atividade esperada costuma ser modesta, com cerca de cinco meteoros por hora em condições perfeitas no norte global, volume ainda mais reduzido no céu mineiro. Por outro lado, o evento traz a particularidade de ter melhor janela logo no início da noite, não exigindo vigílias pela madrugada adentro.
Nenhum equipamento especial, como binóculo ou telescópio, é recomendado para a observação, já que os aparelhos reduzem a amplitude do campo de visão. Os olhos levam cerca de vinte minutos para se adaptarem à penumbra total, o que auxilia na captura de qualquer rastro fugaz.
Fique longe das luzes artificiais e postes de iluminação das vias públicas.
Evite olhar para a tela do celular durante o período de adaptação visual no escuro.
Escolha uma posição confortável, de preferência em cadeira de praia ou deitado no chão.
Direcione a atenção para o horizonte norte, observando o céu de maneira ampla.
A iluminação intensa da capital mineira ofusca corpos celestes de menor magnitude. Para quem deseja tentar a observação com expectativas realistas, buscar pontos elevados com visada livre para o setor norte faz toda a diferença.
O Mirante da Serra do Rola-Moça, entre Nova Lima e Ibirité, desponta como uma das alternativas mais procuradas devido à sua altitude elevada e à visão ampla da linha do horizonte, permitindo um contato direto com o céu logo após o crepúsculo.
Outra opção propícia é o alto da Serra da Piedade, em Caeté, com vasta área aberta e distância relevante dos núcleos industriais, ampliando o contraste contra a escuridão e favorecendo a contemplação astronômica.
Dentro dos limites urbanos de Belo Horizonte, espaços como a Praça do Papa e o entorno do Parque das Mangabeiras oferecem refúgio aberto ao pé da Serra do Curral; contudo, a poluição luminosa e eventuais obstáculos na direção norte reduzem bastante a probabilidade de registrar a passagem dos meteoros.