Local Indefinido
De 17/10/2026 até 13/02/2027
Sáb | 11:00
Marco Tulio Resende apresenta a exposição Diários, que reúne desenhos e registros produzidos ao longo de mais de cinco décadas
Mais de cinco décadas de desenhos, anotações e experimentações artísticas dão origem à exposição Diários, do artista mineiro Marco Tulio Resende, em Belo Horizonte. A mostra será inaugurada neste sábado (17), às 11h, na Lemos de Sá Galeria, no bairro Mangabeiras, e reúne registros que revelam como o hábito de desenhar se transformou em uma investigação contínua sobre a criação artística.
Com visitação entre 19 de outubro de 2026 e 13 de fevereiro de 2027, a exposição apresenta diferentes momentos da trajetória de Resende. Ao reunir trabalhos produzidos ao longo dos anos, a mostra aproxima experiências, ideias e pesquisas que atravessam sua produção, evidenciando as transformações de sua linguagem artística.
Ao longo de sua carreira, Marco Tulio Resende manteve o desenho como uma prática diária de observação e experimentação. Em cadernos e folhas, registrou imagens, estudos, projetos e reflexões que acompanharam diferentes fases de sua vida.
Em Diários, esses materiais deixam de funcionar apenas como registros pessoais e passam a estabelecer novas relações entre si. Assim, o público pode observar não somente os resultados da produção do artista, mas também os caminhos que orientaram suas pesquisas.
Além disso, a exposição explora a capacidade do desenho de ultrapassar os limites do papel. Na obra de Resende, linhas e formas ganham volume, textura e materialidade, criando conexões com a pintura e a escultura.
A predominância do preto e branco também contribui para essa investigação. Por meio dos contrastes entre luz e sombra, presença e vazio, o artista destaca os elementos que estruturam suas composições e ampliam as possibilidades expressivas do desenho.
Outro eixo da mostra é a relação entre arte e passagem do tempo. Ao aproximar desenhos de épocas distintas, Diários evidencia tanto as mudanças na produção de Resende quanto as questões que continuam presentes em sua pesquisa.
“O desenho sempre esteve muito próximo da minha vida. Esses cadernos foram acontecendo no cotidiano, acompanhando o tempo, as ideias e as coisas que eu estava vivendo. Quando volto a eles, encontro desenhos de momentos diferentes, mas também perguntas que continuam abertas”, afirma o artista.
Dessa maneira, a exposição propõe um olhar sobre a memória não apenas como preservação do passado, mas também como ponto de partida para novas experiências criativas.
A abertura de Diários também integra a programação comemorativa dos 35 anos da Lemos de Sá Galeria, que atua no cenário das artes visuais e acompanha a trajetória de artistas ao longo de suas pesquisas e transformações.
A relação entre Resende e a galeria faz parte dessa história. Para Beatriz Lemos de Sá, a exposição reúne aspectos importantes da produção do artista e destaca a continuidade de sua investigação.
“A relação com Marco Tulio foi construída ao longo de muitos anos. Acompanhar sua produção é também acompanhar as transformações de seu trabalho e perceber aquilo que permanece: a importância do desenho, da pesquisa e da liberdade de experimentar. DIÁRIOS reúne uma parte muito significativa dessa trajetória”, explica.
Natural de Belo Horizonte, Marco Tulio Resende construiu uma carreira nas artes visuais marcada pela pesquisa sobre matéria, gesto, memória e forma. Formado pela Escola Guignard, ampliou os estudos nos Estados Unidos como bolsista da Fulbright Commission e concluiu, em 1978, o mestrado na School of the Art Institute of Chicago.
Além da produção artística, Resende dedicou quatro décadas ao ensino na Escola Guignard, contribuindo para a formação de novos artistas. Também atuou como professor-artista visitante em universidades brasileiras e na Sheffield Hallam University, na Inglaterra, a convite do British Council.
Desde 1975, o artista participa de exposições, salões, bienais, residências e seminários. Sua produção transita entre desenho, pintura e escultura, e suas obras integram acervos museológicos, espaços públicos, galerias e coleções particulares.
Com Diários, o público de Belo Horizonte terá a oportunidade de conhecer diferentes etapas dessa trajetória e acompanhar como uma prática cotidiana se transforma em uma pesquisa artística que atravessa gerações, linguagens e experiências.