Cine Humberto Mauro - Centro
Avenida Afonso Pena, 1537 Centro - Belo Horizonte/MG
De 09/10/2026 até 18/10/2026
Mostra gratuita no Cine Humberto Mauro revisita a trajetória do cineasta Hector Babenco e reúne clássicos do cinema brasileiro
O cinema de Hector Babenco volta às telas de Belo Horizonte em uma programação especial no Cine Humberto Mauro. Para celebrar os 80 anos que o cineasta completaria em 2026, o espaço recebe a Retrospectiva Hector Babenco, com 12 títulos que percorrem diferentes momentos de sua carreira e exploram o legado deixado pelo diretor argentino naturalizado brasileiro.
A mostra acontece entre os dias 9 e 18 de outubro, no Palácio das Artes, na região Central da capital mineira. A programação reúne longas-metragens dirigidos por Babenco e produções que abordam sua vida e memória. Além disso, o público poderá rever obras marcantes, como “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1980), “O Beijo da Mulher Aranha” (1985) e “Carandiru” (2003).
A entrada é gratuita, mas os ingressos seguem uma distribuição específica. Metade fica disponível on-line, pela plataforma Sympla, a partir do meio-dia do dia de cada sessão. Já a outra metade pode ser retirada presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e nos totens de autoatendimento, uma hora antes de cada exibição.
Ao longo da carreira, Hector Babenco construiu uma filmografia marcada por personagens em situações de vulnerabilidade, conflitos sociais e dilemas humanos. Suas obras exploram temas como violência, abandono, encarceramento, poder e sobrevivência, combinando histórias reais, adaptações literárias e narrativas autobiográficas.
Entre os destaques da retrospectiva está “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” (1977). O filme acompanha a trajetória do criminoso Lúcio Flávio Vilar e aborda as relações entre crime, Estado e violência institucional. A produção se tornou um dos primeiros grandes sucessos de público do diretor, com cerca de cinco milhões de espectadores.
Outro título importante é “Pixote, a Lei do Mais Fraco”, que retrata a realidade de crianças e adolescentes em situação de abandono e violência. A programação inclui uma sessão comentada da obra no dia 13 de outubro, com participação de Raphael Lages.
Já “O Beijo da Mulher Aranha” levou o trabalho de Babenco ao reconhecimento internacional. Pelo filme, o diretor recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Direção em 1986. A retrospectiva também inclui “Carandiru”, inspirado no livro do médico Drauzio Varella sobre a vida de pessoas encarceradas na antiga Casa de Detenção de São Paulo.
A programação começa com “O Rei da Noite” (1975), primeiro longa de ficção dirigido por Babenco, e avança por produções realizadas no Brasil e no exterior. Entre elas estão “Ironweed” (1987), filme norte-americano protagonizado por Jack Nicholson e Meryl Streep, e “Brincando nos Campos do Senhor” (1991), ambientado na Amazônia e coproduzido pelos Estados Unidos.
A mostra também resgata a relação do cineasta com a Argentina, seu país de nascimento. Em “Coração Iluminado” (1998), Babenco revisita memórias da juventude e da adolescência. Anos depois, em “O Passado” (2007), adaptou o romance homônimo do escritor argentino Alan Pauls.
Seu último longa-metragem, “Meu Amigo Hindu” (2015), também integra a seleção. Estrelado por Willem Dafoe, o filme acompanha um cineasta que enfrenta um câncer linfático, experiência que se aproxima da trajetória pessoal de Babenco, que conviveu com a doença durante anos.
Além das obras dirigidas por Babenco, o público poderá conhecer produções que ajudam a compreender sua história e sua relação com o cinema. Entre elas estão o curta-metragem “Conversa com Ele” (2018) e o documentário “Babenco – Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou” (2019), ambos dirigidos por Bárbara Paz, atriz e cineasta que foi companheira do diretor nos últimos anos de vida.
Dessa forma, a retrospectiva vai além da exibição de filmes conhecidos e propõe um reencontro com diferentes aspectos da trajetória do realizador. A seleção evidencia como suas narrativas atravessaram décadas, fronteiras e contextos sociais, mantendo espaço para novas interpretações.
Nascido em Mar del Plata, na Argentina, em 1946, Hector Eduardo Babenco chegou ao Brasil ainda jovem e construiu aqui parte fundamental de sua carreira. Antes de se dedicar ao cinema, trabalhou em diferentes atividades e passou um período na Europa. Mais tarde, estabeleceu-se definitivamente no país e naturalizou-se brasileiro.
A Retrospectiva Hector Babenco é realizada pelo Ministério da Cultura e pela Fundação Clóvis Salgado, em parceria com a HB Filmes, produtora fundada pelo cineasta na década de 1970 e atualmente dirigida por sua filha, Myra Babenco.