De palcos icônicos que fecharam as portas a redutos que resistem, conheça os espaços que foram essenciais para o rock mineiro e que deixaram um legado na cultura local
A ilustração celebra o Dia Mundial do Rock, data em que Belo Horizonte recorda seus icônicos espaços de shows e a efervescente cena musical
Com a proximidade do Dia Mundial do Rock, celebrado em 13 de julho, Belo Horizonte revive as memórias de uma cena musical que pulsa em palcos hoje silenciosos. A cidade, que já foi um dos principais berços do rock nacional, abrigou casas de shows icônicas que marcaram gerações de fãs e lançaram inúmeras bandas. Embora novos espaços mantenham a chama acesa, a nostalgia por esses redutos históricos define parte da identidade cultural local.
Para muitos, a lembrança mais forte remete à Casa de Shows Matriz, localizada no Barro Preto, no subsolo do icônico Edifício JK. O lugar foi um templo do underground e da música alternativa por 21 anos, até anunciar seu fechamento em outubro de 2021. Por seu palco passaram nomes de peso do cenário nacional e internacional, além de ter sido um espaço fundamental para a consolidação de bandas mineiras. Sua estrutura intimista criava uma conexão única entre público e artista, algo que ainda hoje é lembrado com carinho.
Outro gigante que deixou saudade foi o Lapa Multishow, no bairro Santa Efigênia. Com capacidade para milhares de pessoas, o espaço recebeu grandes festivais e shows de bandas que dificilmente tocariam em locais menores até o seu fechamento, em 2011. O Lapa foi o ponto de encontro de diferentes tribos do rock e do metal, e seu legado continua vivo no mesmo endereço, onde desde 2015 funciona A Autêntica, mantendo a vocação do local como um dos principais palcos da cidade.
O encerramento da Matriz não foi um caso isolado. A pandemia de Covid-19 representou um golpe duro para a cena cultural, vitimando também outros espaços queridos. Entre eles estava o Stonehenge Rock Bar, um dos mais tradicionais redutos do gênero na cidade, que também encerrou suas atividades em 2021, deixando uma lacuna para os fãs do rock clássico.
Apesar das perdas, nem todos os palcos viraram apenas lembrança. A Obra, na Savassi, resiste como um dos mais importantes redutos da música alternativa. Conhecida como “o porão mais charmoso da cidade”, a casa segue ativa há mais de duas décadas, provando que a cena se renova. O legado dos lugares que fecharam as portas, no entanto, é inegável. Eles não foram apenas casas de shows, mas centros culturais que formaram público, inspiraram músicos e ajudaram a construir a rica história do rock em Belo Horizonte, uma herança que continua viva nos novos artistas e na memória de quem viveu aquela época.