Aos 89 anos, Yara Tupynambá abre exposição em BH com obras inéditas

A mostra comemora os 70 anos de carreira da artista plástica e ficará em cartaz até 20 de maio

Créditos da imagem: André Senna/Divulgação
Exposição pode ser feita por tour virtual ou por visitas presenciais agendadas ao CCBB
Redação Sou BH
24/02/21 às 12:13
Atualizado em 24/02/21 às 12:57

Em comemoração a sete décadas de carreira de Yara Tupynambá, 74 obras da artista plástica mineira, sendo algumas delas inéditas, integram a mostra “Yara Tupynambá – 70 anos de carreira”, que estreia nesta quarta-feira (24), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Belo Horizonte.

Com obras de diferentes fases da carreira da artista e voltadas ao meio ambiente, a exposição fica em cartaz até o dia 20 de maio, sempre de segunda a quarta-feira, das 10h às 22h. No atual contexto de pandemia, não haverá bilheteria e as visitas presenciais deverão ser agendadas. O acesso ao prédio do CCBB será mediante retirada de ingresso gratuito no bb.com.br/cultura e apresentação na entrada, por meio do QR Code no celular. Já o tour virtual, terá livre acesso pelo site www.yaratupynamba.org.


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“É preciso ter uma vontade muito férrea para continuar. Ao longo desses 70 anos de trabalho, as adversidades no meio da arte e da cultura nunca me tocaram. Pela pintura, me sinto gente com capacidade de ver o mundo, ela me deixa tranquila. A pandemia não alterou em nada para mim. Fico praticamente o dia todo no ateliê. Sempre fui muito organizada e metódica. Quando posso mergulhar fundo eu vou. Em vez de dois quadros sobre Jequitinhonha, faço 30”, diz Yara Tupynambá que faz 89 anos, no dia 2 de abril.

A mostra conta com quadros e gravuras de alguns de seus mais importantes painéis, além de uma série inédita sobre o Parque Municipal e os jardins da casa da artista, com as plantas e flores por ela cuidadas, assim como sua visão da casa e dos jardins de Claude Monet, em Giverny, na França dos anos 80. “Meus jardins são meu privado, íntimo e pessoal, é aquilo que sinto. A arte do artista está naquilo que ele vive. É a vivência que faz com que você trabalhe. Tantas cidades, tantos lugares, tantos objetos absolutamente mineiros que posso trabalhar sobre, que posso fazer evocações. Mas não posso trabalhar sobre o Ceará, por exemplo, pois não vivi essa realidade”, explica.

José Theobaldo Júnior, que assina a curadoria da exposição, diz que “o registro dos próprios jardins convida todos a preservarem o meio ambiente e de certa forma também se tornarem artistas, com criações cotidianas no jardim de seus lares. Já a tela, com releitura dos Jardins de Monet, valoriza a necessidade universal de cuidados com a natureza”. Para o curador, telas e obras da exposição, como um todo, “deixam um alerta de preservação e conservação ambiental”.


O percurso da exposição começa com obras das matas e florestas densas de Minas Gerais – o Vale do Rio Doce e o Vale do Tripuí, resquícios de Mata Atlântica, bioma da costa leste do Brasil, representando a universalidade ambiental. O Cerrado Mineiro é outro importante bioma retratado na exposição, destacado em flores e espécies raras existentes no Parque Nacional da Serra do Cipó.

Os Jardins do Inhotim, o maior centro de arte contemporânea a céu aberto do planeta, são também retratados por Yara, que valoriza a natureza reinventada pelo homem. Rio Doce e Tripuí, os vales e as florestas, os recantos e recortes de Mata Atlântica são representados com paixão e refinamento. A Serra do Cipó e o cerrado se refletem em obras marcadas pela delicadeza e riqueza de detalhes.

As imersões artísticas de Yara, inspiradas nos parques de BH, completam o ciclo da natureza iniciado quando a artista tinha 17 anos e recebeu as icônicas aulas do mestre Guignard. Dessa época vêm os primeiros registros do Parque Municipal, ao qual Yara retorna agora, 60 anos depois, para oferecer novos olhares e reavivar sua íntima relação com a natureza. “A arte é um documento de seu tempo. Ela tem uma função social. Faço o que faço pois estou em 2021. Em 1960 fiz outras coisas. Cada época focalizei um período da minha história e do meu povo. Quando falo do gado, falo do meu povo. Quem não vê um documento em Guignard?”. E, acrescenta: “sou uma ecologista, meu trabalho está voltado para a natureza, mais do que muita gente de gabinete” (risos).

Quem é Yara Tupynambá

Natural de Montes Claros, Minais Gerais, fez estudos artísticos com Alberto da Veiga Guignard e Oswald Goeldi; foi bolsista do Pratt Institute, em New York. Participante dos Salões de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Brasília, Paraná, Porto Alegre, Campinas, Ouro Preto e Pernambuco. Participante das Bienais de São Paulo e de Salvador.

Artista selecionada para numerosas mostras nacionais e internacionais.  Incluída em numerosos livros sobre arte brasileira, como o Dicionário das Artes Plásticas do Brasil. Entre seus prêmios se destacam: II Prêmio de Escultura no Salão de Belo Horizonte; I Prêmio Gravura Salão de Belo Horizonte; I Prêmio de Desenho TV Itacolomi entre artistas mineiros, dentre outros. Recebeu como reconhecimento público a Medalha Ordem do Mérito Legislativo concedida pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais; Comenda da Inconfidência Mineira concedida pelo Governo de Minas Gerais; Palma de Ouro concedida pela Fundação Clóvis Salgado; Grande Medalha de Ouro Santos Dumont, Governo de Minas e Medalha Professora Lílian Câmara concedida pela agremiação Amigas da Cultura de Montes Claros. 

Recebeu o título de Artista do Ano concedido pela Associação Brasileira de Críticos de Arte em 2011. Tem 104 painéis e murais espalhados por numerosas cidades brasileiras, sendo que destes, 07 são tombados pelo Patrimônio Histórico Cultural de Belo Horizonte.