Artista mineira Raquel Bolinho pinta grafite no Palácio das Artes e dá início a série de intervenções que celebram os 55 anos do complexo cultural
Grafiteira Raquel Bolinho inicia série de murais que homenageiam artistas e marcam as comemorações do aniversário do espaço cultural
Um dos personagens mais conhecidos da arte urbana de Belo Horizonte ganhou um novo cenário no último sábado (14). A artista mineira Raquel Bolinho pintou um de seus famosos “Bolinhos” no Palácio das Artes como parte das comemorações pelos 55 anos do complexo cultural.
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A ação ocorreu na Arena Cefart, em frente à entrada do Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart). Além disso, a intervenção marcou o início de uma série especial: até outubro, a artista deve criar outros sete Bolinhos no local. Cada pintura irá representar simbolicamente os artistas e profissionais que, ao longo de mais de cinco décadas, ajudaram a construir a história do espaço cultural.
Segundo o presidente da Fundação Clóvis Salgado, Sérgio Rodrigo Reis, a presença do personagem reforça o diálogo entre diferentes linguagens artísticas presentes na cidade.
“É com muita alegria que recebemos este presente: o bolinho mais famoso de Belo Horizonte entra na festa dos 55 anos do Palácio das Artes. É a arte urbana, que está no coração dos mineiros, contribuindo para alegrar nossa festa”, afirmou.
As comemorações pelos 55 anos do Palácio das Artes não se limitam à intervenção artística. Ao longo de 2026, o complexo cultural prepara uma programação especial que inclui novas produções, projetos digitais e publicações dedicadas à história do espaço.
Entre as iniciativas previstas estão o lançamento de um canal oficial no YouTube, uma temporada dedicada à ópera, com quatro produções programadas, e a estreia de “Chica”, obra inédita. Além disso, a instituição também planeja publicar livros que resgatam a trajetória do complexo e promover homenagens aos 50 anos da morte de Juscelino Kubitschek, considerado uma figura fundamental para a criação do Palácio das Artes.
O “Bolinho” surgiu em 2009, quando Raquel Bolinho decidiu unir duas paixões: os doces e a arte urbana. Na época estudante de Letras na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a artista buscava criar um personagem que dialogasse com o cotidiano da cidade.
Com cores vibrantes e traços bem-humorados, o personagem rapidamente passou a ocupar muros, viadutos e fachadas de Belo Horizonte. Desde então, a figura se espalhou por diferentes bairros da capital mineira e também ganhou outros destinos no Brasil, como Rio de Janeiro e São Paulo.
Além disso, o Bolinho atravessou fronteiras e já apareceu em cidades da França, Alemanha e Holanda, consolidando-se como uma das marcas visuais mais reconhecidas do grafite mineiro.
Hoje, milhares dessas pequenas pinturas estão espalhadas por Belo Horizonte, feitas com tinta acrílica e spray, reforçando a presença da arte urbana no cotidiano da cidade.