Criadores Pedro Gabriel e Alexandre Beck contam sobre os personagens queridos da internet
Por Débora Gomes jornalista Sou BH
Ele se chama Pedro Gabriel, mas pode ser conhecido por aí como
Antônio. As palavras desenhadas em guardanapos formando poesias somam, ao jovem
escritor, uma página com mais de 800 mil curtidas, um livro publicado (e outro
saindo do forno) e um universo de delicadezas e sentimentos.
Tudo começou há mais ou menos dois anos, em uma mesa de bar
no Rio de Janeiro. Entre um chope e outro, Pedro, que é publicitário por
formação, começou a rabiscar em um guardanapo de papel. “Primeiro, encanto.
Depois, desencanto. Por fim, cada um pro seu canto”, foi o primeiro verso que
desencadeou no sucesso que é hoje a página “Eu Me Chamo Antônio”. “Guardanapo é
uma plataforma muito perecível que pode rasgar ou amarelar. Aí eu decidi ter o
registro de todas essas criações na internet”, conta.
Esse registro ganhou primeiramente o tumblr e, sem qualquer
divulgação, as poesias em guardanapos se espalharam pela internet. Foi aí que
Pedro decidiu criar a página no Facebook. “Criei porque era mais fácil
administrar e falar com as pessoas”, conta. As palavras desenhadas (como ele
gosta de chamar) viralizaram de forma muito rápida e, em menos de um ano, “Eu
Me Chamo Antônio”, já tinha mais de 100 mil seguidores, sem investimentos em
posts patrocinados e sem ações de marketing. Tudo no boca a boca “ou de
guardanapo em guardanapo”, como ele brinca.
Em suas poesias Pedro fala de sentimentos comuns, coisas que
todo mundo passa ou já passou. “Saudade, amor e liberdade. Nem sempre de um
jeito feliz, mas sempre com uma brincadeira de palavras”, explica. Talvez por
isso, Antônio, personagem criado por Pedro para exteriorizar seus sentimentos,
tenha caído tanto no gosto dos fãs. “Sempre criei pra mim, como se fosse
exteriorizar meu mundo interno. Se tivesse um milhão de seguidores ou não
tivesse ninguém eu ia continuar fazendo. Mas acabou que muita gente se
identificou e, claro, me motivou a continuar”, conta.
Hoje, Pedro Gabriel se prepara para lançar seu segundo
livro, primeiro no Rio de Janeiro e em seguida em BH, onde participa do Projeto
Conexão Jovem, na Bienal do Livro de Minas, no dia 23 de novembro. “Acho que
meio que foi um ciclo: off-line, no balcão de bar, online, na internet, e
off-line de novo, agora com o livro”, observa. “O legal é que as pessoas
acompanham. É sinal de que quando a mensagem é sincera, quando toca alguém, não
importa a plataforma, seja papel, na tela ou em um pedaço de madeira, as pessoas
vão querer ter pra elas”, conclui.
Dos quadrinhos para a
rede: a popularidade de Armandinho
Assim como Antônio, o personagem Armandinho também causa
rebuliço na internet. Criado pelo ilustrador Alexandre Beck, o menino de cabelo
azul se apresenta em quadrinhos
reflexivos e bem humorados. “Eu fazia tiras com outros personagens para
um jornal catarinense, quando um dia, me pediram três tiras pra ilustrar uma
matéria sobre pais e filhos”, conta.
Meio as pressas (precisava entregar as tirinhas no mesmo
dia), Alexandre usou os esboços que tinha de um bonequinho, riscou as pernas para
representar os pais e pronto. “Fiz as primeiras tiras assim, sem estudos, sem
inspirações: foi um caso de emergência”, completa.
Hoje a página de Armandinho no Facebook tem mais de 600 mil
curtidas e cada tirinha tem mais de seis mil compartilhamentos. “Quero
acreditar que há muitas pessoas parecidas comigo. Mesmos anseios, mesma crença de
que um mundo melhor e mais justo é possível”, conta Alexandre.
Sobre o sucesso na internet, Beck acredita que se deva aos
temas e tipo de reflexão que as tirinhas propõem. “Quanto à palavra sucesso,
tenho algumas restrições. Caso as tiras estejam realmente servindo à reflexão,
de certo modo considero isso um sucesso”, completa.
Alexandre Beck também é um dos convidados da edição 2014 da
Bienal do Livro de Minas. Ele participa da Bienal em Quadrinhos, em uma tarde
de autógrafos no dia 15 de novembro, sábado, às 15h, e no dia 16, domingo, às 17h.