Em cartaz no Cine Theatro Brasil Vallourec o humor ácido de Sexo, Drogas e Rock’n’ Roll
Por Camila de Ávila jornalista Sou BH
O
ator e roteirista Bruno Mazzeo chega a BH entre os dias 10 e 12 de outubro para
apresentar, no Cine Theatro Brasil Vallourec (R. dos Carijós, 258 – Centro), o
monólogo “Sexo, Drogas & Rock’n’Roll”. O texto do norte-americano Eric
Bogosian, com direção de Victor Garcia Peralta, é uma crítica ácida no qual
Bruno interpreta junto com a plateia.
A
peça foi produzida pela primeira vez nos anos 1990 e foi sucesso absoluto no
circuito off-Broadway, conquistando o prêmio Obie Awards, um dos mais
importantes da categoria. O espetáculo já foi produzido na Argentina, Portugal, Itália e Polônia.
A produção brasileira é de Bruno Mazzeo e da Primeira Página Produções. Em 2013, Mazzeo ganhou o prêmio de melhor Ator
da Festa Internacional de teatro de Angra dos Reis.
Mazzeo, que interpreta seis personagens sem nenhuma
caracterização, estará sozinho no palco (só que não).
“Não é um solilóquio porque, apesar de ser um monólogo, os personagens estão
sempre falando com alguém. Seja pelo telefone, seja com um amigo imaginário, seja
numa entrevista em um talk-show. Para mim, como ator, a plateia funciona como
um outro personagem. Não me sinto sozinho”, explica.
As
cenas criticam o sistema em que vivemos, inseridos no meio de hipócritas,
cínicos, irresponsáveis, malucos e viciados. O texto fala da captura da
irrealidade frenética de uma cultura em que a busca pelo poder, sucesso e dinheiro
é mais uma droga viciante. “Um dos monólogos da peça fala sobre essa busca
especificamente. Pelo menos nesse tipo de sucesso, sem o reconhecimento. Há os
que buscam o sucesso financeiro. O sucesso como o poder. Enfim. Quanto a busca
pela fama simplesmente pela fama, acho uma coisa rasa. Apesar de estar
acontecendo muito, traz pessoas sem conteúdo suficiente para seguir adiante.
Mais ali na frente? Vale a pena? Para mim não. Também não necessariamente
reconhecimento em si. Como criador às vezes simplesmente tenho vontade de dizer
coisas. E torcer para que tenha gente querendo ouvir!”, conta.
A
peça apresenta uma reflexão sobre a mudança do mundo e qual caminho está
tomando. “Acho que estamos vivendo um momento de transição (não sei de quê para
quê, exatamente). O mundo em que meu filho vive é incomparável com o mundo em
que vivi na idade dele, nove anos. Existem muitas coisas boas, mas muitas
coisas que eu lamento muito que as novas gerações não vão viver. Mas nossos
pais já falavam isso, então… assim caminha a humanidade”, constata.
Segundo
Mazzeo, as pessoas estão muito inquietas a procura de atenção. “Aí tome
selfies, e ‘olha como a minha vida é legal’, ‘curte aí’, ‘sigo de volta…’
Quanto mais likes melhor. Troco likes. Finge que sou gostado e popular.
Acho uma pena. Já acho difícil o suficiente você descobrir quem você é, para
ainda tentar ser uma pessoa que você não é de fato”, explica.
O
texto é ácido, com ironias e piadas que provocam o espectador. “Tem gente que
pode se incomodar, mas é uma comédia, o objetivo é rir. Não necessariamente se
incomodar”, explica.
Para
Bruno, muitas pessoas que se identificam com o texto. “Já ouvi, no mesmo dia,
falarem sobre o mesmo personagem ‘parece meu chefe’ e ‘é igual ao meu marido’”.
O ator afirma que a provocação no texto existe e é mais uma provocação ao
pensamento. “Há provocação ao nosso mundo, a tal busca desenfreada por
sentimentos que não os verdadeiros, profundos, os que realmente nos fazem andar
pra frente. Adoro ouvir o Tom Zé cantando que tá me explicando pra me confundir
e tá me confundindo pra me esclarecer”.
O
fato de fazer um monólogo é muito importante para o ator. “Era uma vontade
artística. Meu amigo Emilio Orciollo tinha acabado de passar por esse processo
com seu monólogo ‘Também queria te dizer’ (dirigido pelo mesmo Victor Garcia
Peralta) e a gente conversava bastante sobre isso. O quanto seria importante
para mim como artista e como homem. E realmente foi. Fiquei muito mexido nesses
dois meses de intenso trabalho, só eu, Victor e o texto. Na noite da estreia,
no Rio, quando terminou a sessão, ainda durante os aplausos eu pensei: ‘já
valeu a pena’”, diz.
Mazzeo
acredita que a peça é atual e diz muito para as pessoas. “Adaptando as questões
tecnológicas acho que ela hoje é mais atual ainda do que quando foi escrita,
começo dos anos 90. Lá ele previa o que hoje é tão na nossa cara”, consta.