O Sou BH conversou com dois fãs do Foo Fighters para entender o amor por essa banda
Por Camila de Ávila jornalista Sou BH
No dicionário, fã é aquela pessoa entusiasta de um
artista, seja de cinema, teatro, televisão, rádio, e daí em diante. Muitos
nutrem um amor incondicional por alguém que nunca viram de perto, que não
conhecem e, talvez, nem cheguem a conhecer. Conviver, então? Nem pensar. Mas vamos
combinar: esse sentimento é bem difícil de controlar quando falamos de algo que
gostamos muito.
A jornalista que escreve este texto, por exemplo,
ficou por sete horas na fila para comprar um único ingresso para o show do
Chico Buarque e saiu chorando do teatro com a entrada nas mãos, olhando para os
lados com medo de ser roubada. O estudante de cinema Pedro Matos também já fez
suas loucuras: passou dois dias acampado na frente do Chevrolet Hall para
assistir ao show da canadense Avril Lavigne.
“Revezava com a galera para ir tomar banho, almoçar, mas a gente dormia
lá! Eram mais ou menos 30 pessoas com barraca. A galera passava a madrugada
cantando, dançando, bebendo”, conta. Já a jornalista Débora Gomes, fã mais
moderada, apenas coleciona revistas e pôsteres da extinta banda Nirvana.
A especialista em planejamento digital Carla Rocha,
fez duas tatuagens em homenagem a banda Foo Fighters. “Uma do coração da capa do One by One, de 2002, e a outra de um
trecho da música Everlong, do álbum The Colour and the Shape, de 1997. As
duas possuem significados muito importantes pra mim”, explica. O grupo
norte-americano vem a BH no dia 28 de janeiro, para uma única apresentação no
Mega Space. Com 20 anos de carreira, a banda coleciona muitos fãs como a Carla por
aí.
Para o vocalista da banda Fools (cover do Foo Fighters em BH),
há três tipos de fãs: os bem antigos, que acompanham a banda desde os primeiros
discos e conhecem todas as músicas, incluindo as do lado B. “Os nem tão antigos
assim, da época dos sucessos My Hero
e Everlong, que tem entre 24 e 30
anos”, avalia Daniel. “Há também os fãs mais recentes. Este público é mais ‘volátil’
e está empolgado com o momento”, constata. Para ele, o fato de ter iniciado uma
banda cover é mais que uma forma de admiração. “Para chegar onde estamos,
dedicamos horas de ensaio e desgaste físico. Considero como certa loucura”,
analisa.
Há também aqueles fãs que não medem esforços para chegar até
seus ídolos. “Esta parte mais frenética faz qualquer coisa para chegar bem
perto do palco, mesmo que isso signifique passar várias situações complicadas,
de suprir até as necessidades básicas, pessoais, até ser pisoteado”, observa
Daniel. O admirador da Avril, Pedro, por exemplo, quebrou sem querer o nariz de
outra fã na disputa por um lugar na grade do palco. Carla diz que ficou sem
beber durante os shows de um festival, “só para não precisar ficar indo ao
banheiro e conseguir ficar um pouco mais na frente na hora do show deles”,
conta em meio a risos.
A fã já tem ingressos garantidos para os shows do Foo
Fighters em BH e também no Rio de Janeiro. “Eu não pensei muito no quanto eu
estava gastando, porque me emocionei muito no primeiro e sabia que me
arrependeria de ir somente aqui. Comprei e agora estou pagando as parcelas”,
conta. O valor dos ingressos da turnê é de R$300 a R$600. Daniel vai pela
primeira vez ao show e a expectativa é grande. “O show do Foo Fighters com
certeza é um dos shows de rock e pop com mais energia no mundo”, ressalta.
A banda se apresenta no Mega Space no dia 28 de janeiro,
quarta-feira, na turnê do novo disco “Sonic Highways”.