Cultura

Casa Fiat de Cultura estreia exposição que transforma bordado em linguagem de memória e reconstrução

Exposição “Reparar entre linhas”, de Rita de Souza, estreia na Casa Fiat de Cultura e transforma bordado em linguagem de memória, identidade e reconstrução


Créditos da imagem: Divulgação
Obras de Rita de Souza exploram o bordado e o desenho como formas de reconstruir memórias a partir da chita, em exposição gratuita na Casa Fiat de Cultura Obras de Rita de Souza exploram o bordado e o desenho como formas de reconstruir memórias a partir da chita, em exposição gratuita na Casa Fiat de Cultura

Maria Clara Landim

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07/04/26 às 09:00
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A Casa Fiat de Cultura abre ao público a exposição “Reparar entre linhas”, da artista visual Rita de Souza, que investiga a memória e a reconstrução por meio do bordado e do desenho. Em cartaz até 24 de maio, na Piccola Galleria, a mostra reúne 14 obras que partem da desconstrução de um material cotidiano, a chita, para criar novas formas de expressão visual.

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Logo na entrada, o visitante percebe que o gesto manual conduz toda a narrativa da exposição. Em vez de simplesmente representar imagens, a artista propõe um processo: observar, fragmentar e recompor. A partir de tecidos desfeitos, ela transporta para o papel as tramas e padrões da chita, criando composições que transitam entre o controle e a espontaneidade.

Além disso, a escolha do material não é casual. Tradicional na cultura popular brasileira, a chita carrega cores vibrantes e estampas florais que atravessam gerações. Nesse sentido, Rita de Souza transforma o tecido em um elemento simbólico, capaz de evocar identidade, memória e pertencimento. Ao mesmo tempo, tensiona sua fragilidade ao desfazê-lo e reorganizá-lo em novas estruturas visuais.

Ao longo da exposição, o bordado deixa de ser apenas técnica e assume papel central na construção das obras. As linhas não seguem padrões rígidos; pelo contrário, funcionam como extensões do desenho. “Minha intenção é que o bordado se sobreponha ao desenho”, afirma a artista. Com isso, cada peça se constrói como um registro do tempo, onde o que foi rompido não retorna ao estado original, mas ganha outra forma de existência.

O próprio título da mostra reforça essa dualidade. “Reparar” pode significar tanto reconstruir quanto observar com atenção. Assim, cada linha bordada convida o público a desacelerar o olhar e perceber detalhes que, à primeira vista, passam despercebidos.

Exposição integra programação especial de 20 anos

A mostra faz parte das comemorações de duas décadas da Casa Fiat de Cultura, que ao longo dos anos se consolidou como um dos principais espaços expositivos do país. Localizada no Circuito Liberdade, a instituição já recebeu mais de 5 milhões de visitantes e promove atividades que vão da arte clássica à contemporânea.

Nesse contexto, a Piccola Galleria surge como um espaço estratégico para artistas emergentes e propostas experimentais. Criada em 2016, a galeria seleciona projetos inéditos por meio de edital e amplia a visibilidade de produções contemporâneas no Brasil.

Bate-papo com a artista marca abertura

Para ampliar a experiência do público, a programação inclui um encontro com Rita de Souza no dia 7 de abril, às 19h. Durante o bate-papo, a artista discute o bordado como prática de atenção e reconstrução, além de aprofundar o processo criativo por trás das obras.

Serviço

Local: Casa Fiat de Cultura
Período: até 24 de maio de 2026
Entrada: gratuita