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Casa GAL, novo espaço de arte no bairro Sion, em BH, tem caráter efêmero

De caráter efêmero, mas ainda sem data para acabar, espaço promete contribuir para a cena cultural da capital mineira durante os próximos meses



Créditos da imagem: Divulgação
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Deserto Fértil, de Carolina Botura, é uma das duas exposições que marcam a abertura da Casa GAL
Redação Sou BH
12/11 às 11:45
Atualizado em 12/11 às 11:45

Desde sua fundação, em 2017, a GAL ocupa espaços vazios em Belo Horizonte. Desta vez, a galeria virtual ganha materialidade na Casa GAL, espaço recém-inaugurado no bairro Sion, região Centro-Sul de BH, que será abrigo para exposições, residências e outras expressões artísticas. De caráter efêmero, mas ainda sem data para acabar, promete contribuir para a cena cultural da capital mineira durante os próximos meses.

“Pensamos sempre em como aproximar o público à arte contemporânea através de mostras individuais e coletivas. Com a possibilidade da retomada das ações culturais em Belo Horizonte, inauguramos nossa terceira ocupação, #GAL003 Casa Gal, com duas exposições individuais: Deserto Fértil, de Carolina Botura e Tempo Um, de Binho Barreto”, conta Laura Barbi, idealizadora da GAL. 

Em maio 2018, na #GAL001, a GAL ocupou uma loja vazia na R. Antônio de Albuquerque, na Savassi, por 5 dias, com a exposição coletiva Imenso Céu, Aqui Abismo. Em outubro do mesmo ano aconteceu a ocupação coletiva #GAL002 Esperança Faz Amor. Desta vez na Praça Raul Soares e seus arredores, com ações pensadas para o espaço público. Em 2019, foram realizadas diversas ocupações em parceria com espaços institucionais e comerciais como o Palácio das Artes, a Galeria de Arte Sesi Minas, a Líder Interiores, o Restaurante do Ano e a Central.

“Abrir a Casa Gal com as mostras de Carol Botura e Binho Barreto é uma oportunidade para conhecer presencialmente a produção mais recente de ambos artistas. Ao longo desse período de pandemia, Botura aprofundou sua pesquisa em torno da criação contida nos ciclos da vida, e o poder da nossa relação com o verde, a natureza e o meio ambiente como um todo. Uma seleção dessas obras foi apresentada na exposição virtual Na Boca da Mata Ah, com curadoria de Marina Camâra, entre agosto e setembro deste ano, parte da programação da Piccola Galleria, na Casa Fiat de Cultura. Por se tratar de um tema tão pertinente para os dias atuais, acreditamos que seria importante expandir essa discussão e abrir a Casa Gal com Deserto Fértil” explica Barbi. A mostra “Deserto Fértil”ocupa todo o primeiro andar da casa, reunindo mais de 30 obras produzidas entre 2012 e 2021 em diversas mídias incluindo pintura, escultura, fotografia, vídeo, além de instalações e obras digitais.

Já em “Tempo Um”, Binho Barreto lança um novo olhar sobre o mundo ao se distanciar da figuração e dos temas com que trabalha em seus murais urbanos e ocupa parte do segundo andar com uma coleção de pinturas abstratas. Inspirado na vida cotidiana, Binho inicia uma nova fase em seu processo criativo e sua produção artística, com um conjunto de pinturas intuitivas que pertencem mais à ordem dos vislumbres do que da cognição. “Trata-se de um procedimento de pintura um tanto meditativo: ter a própria pintura como tema e pintar mais com o corpo do que com a razão. Há também uma intensa pesquisa com a materialidade da tinta” explica ele.

Sobre a Casa GAL

Localizada na rua Groelândia, 50, no Sion, foi construída na década de 60, projeto do arquiteto Laercio Gontijo e desde então habitada por uma única família. Desocupada em setembro deste ano, a residência em breve estará à venda. “Achamos que seria interessante abri-la para visitação uma vez que a grande maioria dos espaços não tombados pelo Patrimônio em Belo Horizonte acabam sendo vendidos para incorporadoras e demolidos”, conta Laura.  “O interessante em se propor um projeto sem território definido como é o caso da GAL, é que a cada ocupação somos desafiados a pensar e repensar a interação entre a arte contemporânea, a arquitetura, a cidade e o público” completa.