Cultura

Cinemas de rua de BH: tour resgata histórias do passado

Descubra a história dos cinemas de rua de BH com o tour Rebobina: passeios, memórias e experiências culturais pelo centro da cidade


Créditos da imagem: Reprodução/ Caminhadas BH
Imagem mostra uma mão segurando a foto do antigo Cine Odeon. Imagem retrata mostra o antigo Cine Odeon, na Rua da Bahia, que atualmente é uma agência bancária.

Yasmin Oliveira

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03/10/25 às 17:50
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Você sabia que muitos cinemas de rua de Belo Horizonte já desapareceram, mas ainda guardam histórias inesquecíveis? Neste sábado (4), o projeto Rebobina estreia com uma caminhada pelo Centro da cidade, visitando prédios que, no passado, receberam filas, pipoca e sessões marcantes. O objetivo é permitir que os belo-horizontinos relembrem essas histórias ou as conheçam pela primeira vez.

A iniciativa surge da parceria entre Lúcio Fonseca, empreendedor de turismo e cofundador do Ruas de BH, e Rafael Sette, idealizador do projeto BH a Pé. Criado em 2020 pelos jornalistas Rafael e Luísa Dalcin, o BH a Pé promove passeios a pé que revelam histórias e personagens da cidade, mostrando um lado de Belo Horizonte que poucos conhecem.

A rota de cerca de quatro quilômetros percorre locais onde antigos cinemas funcionavam, muitos agora desativados ou transformados. Entre eles estão o famoso Cine Pathé, que hoje abriga um estacionamento, e o Cine Guarany, na Rua da Bahia, que cedeu espaço para a Guarda Municipal.

Segundo os organizadores, a caminhada vai além da visita física: ela resgata memórias e evidencia a importância histórica do cinema nos primeiros anos da capital. “Belo Horizonte nasceu em 1897, quase junto com o cinema. Por décadas, ir ao cinema era o principal lazer e referência cultural dos moradores”, destaca Sette Câmara. A proposta é transformar o passeio em evento regular da cidade, com edições a cada dois meses.

O cinema como testemunha da história cultural de BH

Os cinemas também foram palco de grandes acontecimentos culturais. Por exemplo, o Clube da Esquina teve um de seus momentos fundadores após uma sessão no antigo Cinejax (Cine Tupis), hoje ocupado pelo Shopping Cidade.

Com a popularização dos shoppings nos anos 1990, muitos cinemas de rua começaram a desaparecer. Alguns prédios foram demolidos, enquanto outros ganharam novos usos: o Cine Caiçara virou igreja e o Pathé se transformou em estacionamento.

Ainda assim, algumas estruturas resistem e ajudam a preservar a memória da cidade. O Cine Theatro Brasil Vallourec, por exemplo, lotou na estreia do filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho. Já o Cine Belas Artes segue ativo, mostrando que é possível ressignificar e manter viva a tradição do cinema de rua.

Uma experiência com sabor de memória

A caminhada é pensada para grupos de 15 a 20 pessoas e acontece a cada dois meses. Além de visitar os antigos endereços, o passeio oferece uma pipoca mineira, com couve e torresmo, e termina no Café Palhares, ponto tradicional de encontro de cinéfilos em Belo Horizonte.

Serviço – Rebobina BH: Caminhada pelos cinemas de rua

  • Data: sábado, 4 de outubro
  • Horário: 9h às 13h
  • Incluso: pipoca, comida e bebida no Café Palhares
  • Valor: R$ 119
  • Reservas: Sympla ou pelos perfis do BH a Pé e do Ruas de BH