Do uai ao sô: entenda o jeito mineiro de falar
Praça da Liberdade, um dos cartões-postais mais conhecidos de Belo Horizonte
O belo-horizontino tem um jeito de falar único, cheio de palavras e expressões que podem soar estranhas para quem não é da cidade. Entender o “mineirês” ajuda a se enturmar e até arriscar uns “uai”, “fi” ou “sô” sem medo. Reunimos 10 expressões mineiras para você conversar com os mineiros sem passar perrengue.
Esse talvez seja o símbolo máximo do mineirês. “Uai” aparece em muitas situações diferentes porque não é só uma palavra, é quase um sentimento: espanto, dúvida, concordância ou surpresa. Tudo depende da entonação e do contexto. É praticamente a palavra-coringa da conversa. Se você está surpreso, confuso ou só quer prolongar o papo, joga um “uai” e pronto.
Exemplo: — “Uai, cê já tá indo embora?”
— “Uai, ocê mesmo falou que a festa acabava cedo!”
“Fraga” é o jeito mineiro de confirmar se a pessoa entendeu o que você quis dizer. É tipo um “cê pegou?”, com aquele toque amistoso típico do povo daqui.
Exemplo: “Cê fraga aquela música que tocou na festa ontem?”
Aqui, “trem” não é só um transporte: é tudo e qualquer coisa. Não sabe o nome de algo? Então, é um trem. Pode ser uma mesa, um celular, uma bolsa ou até o prédio da esquina. Quer falar de uma situação estranha? Também é um trem. No mineirês, trem é a palavra multiuso que resolve quase tudo.
Exemplo: “Cê já viu a igreja da Pampulha? É o trem mais lindo
Essa é uma forma carinhosa e informal de chamar alguém, quase como um “amigo” ou “meu”. É um vocativo simpático e muito usado entre pessoas próximas.
Exemplo: “ô meu fí, vamo ali tomar um café?”
Semelhante a “fí” ou “véi”, mas pode ganhar diferentes tons dependendo de como é dito: pode ser convite, provocação ou até intimidade entre amigos.
Exemplo: “Ô Zé, cê vai no jogo hoje?”
Quando algo é muito bom, gostoso ou agradável, o mineiro diz que é “bão” ou até “trem bão”. Mas também pode aparecer como cumprimento informal, tipo “e aí, tudo bão?” ou só “bão” no lugar de um “oi”.
Exemplo: (qualidade): “Esse pão de queijo tá bão demais da conta!”
Exemplo: (cumprimento): “Bão, fi! Como cê tá?”
Essas palavrinhas curtas são o jeito mineiro de mostrar surpresa ou espanto. “Nó!” é aquela reação mais contida, enquanto “Nu!” vem com ainda mais impacto, quase como um “caramba!” ou “não acredito!”
Exemplo: “Nó! Cê viu o tamanho desse trem?”
Exemplo: “Nu! Foi rápido demais, fi!”
Se um mineiro te disser que algo fica “logo ali”, não se engane. Por aqui, “logo ali” é relativo. Ou seja, pode ser a quadra de baixo ou meia hora de caminhada. Essa expressão é utilizada para descrever qualquer distância, não importa o quão estrondosamente grande ela seja.
Exemplo: — “É longe ir do Parque Municipal até a Praça do Papa?”
— “Que nada, sô… é logo ali.”
Essa expressão aparece quando alguém fala algo que o outro não acredita, não gosta ou acha exagero. É uma forma bem mineira de dizer “para com isso”, “não brinca comigo” ou “não vem com essa”. Dependendo do tom, pode ser só uma brincadeira entre amigos ou uma resposta mais impaciente.
Exemplo: — “Bora correr na Lagoa da Pampulha amanhã às cinco da manhã?”
— “Viaja ni mim não, sô. Esse horário eu ainda tô dormindo.”
Quando algo é muito absurdo, estranho ou difícil de acreditar, o mineiro pergunta: “tem base?”. A expressão mostra indignação ou surpresa diante de alguma situação.
Exemplo: — “Cê viu o preço do estacionamento perto do estádio?”
— “Tem base um trem desse, sô?”
Outro exemplo:
“Não tem base pagar isso tudo num cafezinho.”