É tempo de carnavalizar em BH
Por Camila de Ávila, jornalista Sou BH
O Brasil é a terra do carnaval.
Talvez, por ser um país tropical e de pessoas que gostam de música e de festa.
Em BH, a tradição da folia não era tão forte mas, de uns tempos pra cá, esse cenário
mudou: agora a festa de Baco é animada por mais de 200 bloquinhos, e faz parte
do calendário oficial da cidade de forma intensa, com direito a muito confete e
serpentina.
Teoricamente a festa dura por
quatro dias, de sábado a terça-feira, pois na quarta–feira de cinzas tudo deve
se tornar silêncio e contrição. Porém em BH, a festa começa no sábado que
antecede o carnaval. A tradicional Banda Mole faz o seu desfile na Avenida
Afonso Pena, entre a Av. Carandaí e a Rua da Bahia. Já está em seu segundo ano
o Viva o Carnaval, com apresentação de blocos de BH, Rio de Janeiro e
Pernambuco, que também acontece nos fins de semana que antecedem o carnaval. Os
ensaios dos blocos também já estão no calendário da cidade como eventos
pré-carnavalescos. Na quinta-feira antes da folia, o bloco Chama o Síndico faz
seu cortejo, que se inicia, normalmente, na Praça da Liberdade. Há ainda o
movimento Praia da Estação, que acontece todo sábado antes do carnaval.
Em BH também acontece, além dos
bloquinhos que se formaram espontaneamente, o desfile das Escolas de Samba. A
capital possui seis agremiações: Acadêmicos de Venda Nova, do bairro São João
Batista; Canto da Alvorada; Cidade Jardim, que homenageará o radialista Tutti
Maravilha; Estrela do Vale, do Barreiro; Força Real, do Dom Bosco e Ipanema;
Imperavi de Ouros, que nasceu da união das escolas Imperatriz e Bem-te-vi. Há
também os Blocos caricatos: Academia do Samba Por Acaso, que leva as cores da
Estação Primeira de Mangueira; Aflitos do Anchieta, criado em 1965; Bacharéis
do Samba, com moradores do São Pedro, Morro do Papagaio, Vila Estrela e Vila
Santa Rita; Corsário do Samba, nascido em 1961; Estivadores do Havaí, desde
1984 fazendo carnaval; Infiltrados de Santa Tereza, moradores da comunidade
Vila Dias; Inocentes de Santa Tereza, moradores do bairro Santa Tereza; Mulatos
do Samba, moradores do Carlos Prates e Santo André; e Vila Estrela, com integrantes
do Aglomerado Santa Lúcia.
Considerado como uma das festas
populares com maior adesão no país, o bloco Galo da Madrugada, do Recife, e o
carnaval do Rio de Janeiro estão no Guinnes Book como os maiores carnavais do
mundo. Desde que, em 1932, o então presidente Getúlio Vargas definiu uma data
no calendário nacional para o Carnaval, este se tornou uma das festas mais queridas
e aguardadas pelos brasileiros. O único objetivo da festa é trazer para a
população o deleite dos prazeres da carne. É o momento em que as cidades perdem
seus administradores e passam a ser governadas por Momo, que na mitologia é
filho do sono e da noite, e acabou expulso do Olimpo – morada dos deuses –
porque tinha como diversão ridicularizar as outras divindades.
O Carnaval nasceu na Grécia antes
de Cristo, e era uma festa na qual os gregos realizavam cultos de agradecimento
aos deuses da fertilidade. Como todos sabem, a palavra está sim relacionada com
a ideia de deleite dos prazeres da carne. A festa surgiu a partir da
implantação, no século XI, da Semana Santa pela igreja Católica. Depois do
carnaval o indivíduo tem 40 dias de jejum para purgar seus pecados.