Exposição de Raquel Bolinho ocupa o Palácio das Artes, em Belo Horizonte, com obras inéditas, instalações e experiências interativas até setembro
Mostra no Palácio das Artes apresenta diferentes versões do Bolinho e celebra sua relação com a memória afetiva dos belo-horizontinos
Quem já caminhou pelas ruas de Belo Horizonte provavelmente cruzou com ele. O Bolinho apareceu em muros, fachadas, viadutos e esquinas durante quase duas décadas. Mudou de roupa, ganhou novas versões, acompanhou acontecimentos da cidade e conquistou moradores de diferentes gerações. Agora, pela primeira vez, o personagem deixa o espaço urbano para ocupar as galerias do Palácio das Artes.
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A partir de 12 de agosto, a artista Raquel Bolinho apresenta a exposição “Habitante – Registros de um Bolinho pela Cidade”, uma mostra que celebra os 17 anos do personagem e investiga como um simples desenho passou a fazer parte da memória afetiva dos belo-horizontinos. A visitação é gratuita e segue até 13 de setembro.
Mais do que reunir obras da artista, a exposição convida o público a perceber como a repetição transformou o Bolinho em um dos rostos mais conhecidos da arte urbana de Belo Horizonte. Em alguns momentos, ele aparece inteiro. Em outros, basta uma cereja, um pedaço do rosto ou uma combinação de cores para que a imagem seja imediatamente reconhecida.
“Fiquei pensando no que tornou o Bolinho um ícone. Acho que foi essa repetição constante durante 17 anos”, explica Raquel Bolinho. Segundo a artista, a força da identidade visual ficou evidente quando ela percebeu que as pessoas identificavam o personagem mesmo sem vê-lo completo.
A mostra ocupa cinco ambientes e apresenta diferentes experiências ao visitante. Logo na entrada, pinturas revelam um Bolinho pouco conhecido do público, com luz, sombra e volume, sem o tradicional contorno preto dos grafites. Ao lado, esculturas em cerâmica mostram uma nova interpretação do personagem.
Em seguida, cerca de 200 pequenas telas formam um verdadeiro multiverso. Há Bolinhos músicos, atletas, monstros, robôs, cozinheiros e inúmeras outras versões. Espelhos espalhados pela sala ampliam a instalação e criam a sensação de infinitas possibilidades.
Depois, o personagem praticamente desaparece. Fragmentos em acrílico transparente projetam sombras coloridas nas paredes e desafiam o visitante a reconstruir mentalmente a imagem.
A exposição também aposta na interação. Em um dos espaços, um falso jogo da memória apresenta objetos inspirados no universo do personagem. Já em outra instalação, o público cria combinações inéditas ao girar partes do corpo do Bolinho.
Na última sala, a proposta muda completamente. Cada visitante recebe pequenas cerejas adesivas para colar nas paredes. Aos poucos, o ambiente se transforma em uma obra coletiva, construída por quem passa pela exposição.
Segundo Raquel, a ideia é manter a essência do personagem, que sempre buscou interromper, ainda que por alguns segundos, a rotina das pessoas.
Criado em 2009, o Bolinho nasceu quando Maria Raquel Alves Couto começou a experimentar o grafite nas ruas de Belo Horizonte. Inspirado inicialmente em um cupcake, o personagem rapidamente ganhou personalidade própria e ultrapassou os limites da capital mineira.
Hoje, além de milhares de intervenções espalhadas por Belo Horizonte, o Bolinho também já apareceu em cidades brasileiras e em países como Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Argentina e Holanda.
A exposição marca ainda a doação de uma obra ao acervo da Fundação Clóvis Salgado. Além disso, no dia 15 de agosto, o público poderá acompanhar uma programação especial com pintura ao vivo da artista e do grafiteiro Kdu dos Anjos, além de discotecagem de Raphael Bravin.