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Festival exibe filmes independentes de baixo orçamento em BH

Mostra 'Cinema e (Re)invenções' começa nesta sexta (14) em formato híbrido, com 48 produções exibidas no Cine Humberto Mauro e também online



Créditos da imagem: Divulgação
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A programação, dividida em cinco eixos temáticos, busca fortalecer o desenvolvimento criativo da linguagem cinematográfica no espectro da produção mineira, dando visibilidade para novos talentos
Redação Sou BH
14/01 às 08:49
Atualizado em 14/01 às 08:49

A partir desta sexta-feira (14), a mostra híbrida Cinema e (Re)invenções exibirá presencialmente no Cine Humberto Mauro e on-line os filmes vencedores do 7º Prêmio BDMG Cultural/Fundação Clóvis Salgado de curta-metragem de baixo orçamento. A mostra conta com 48 curtas, sendo 20 contemplados com o 7º Prêmio e oito suplentes que receberam Menção Honrosa nesta edição, 20 contemplados com o 6º Prêmio (edição de 2020), além de debates e um curso on-line gratuito. Os filmes permanecem disponíveis durante todo o período da mostra, que vai até quinta-feira (20), em sessões especiais na plataforma CineHumbertoMauroMAIS. As exibições possuem versões em Libras, Legendas para Surdos e Ensurdecidos (LSE) e Audiodescrição, garantindo acessibilidade para todos os públicos.

Nesta seleção, o Prêmio trouxe como princípio norteador o pensamento de um “Cinema de Invenção”, como proposto pelo cineasta e crítico Jairo Ferreira. Assim, as possibilidades criativas são amplificadas, agregando estéticas e conceitos às condições tecnológicas de produção de imagens. Segundo Bruno Hilário, gerente de cinema da FCS, “é muito gratificante iniciar a programação 2022 do Cine Humberto Mauro com a exibição dos filmes inéditos contemplados pelo edital, que é realizado desde 2013 em parceria com o BDMG Cultural. As obras representam o vigor da produção mineira, tradicional no cenário nacional por valorizar processos de investigação da linguagem cinematográfica”.

A programação, dividida em cinco eixos temáticos cunhados pela estudante convidada Marina Lamas, busca fortalecer o desenvolvimento criativo da linguagem cinematográfica no espectro da produção mineira, dando visibilidade para novos talentos. A mostra também contará com a exibição no Cine Humberto Mauro dos filmes vencedores da 6ª edição do Prêmio, exibidos anteriormente apenas em formato on-line diante da situação de enfrentamento ao COVID-19. Dessa forma, o público também poderá conferir nas telas os 20 curtas-metragens que compuseram a mostra Instante Suspenso, realizada em fevereiro de 2021.

Primeira vez em uma sala de cinema

Karla Vaniely Rodrigues (24), contemplada na 7ª Edição do Prêmio com o curta Fi di quem? (2021), irá ao cinema pela primeira vez na vida – para tornar esse momento ainda mais especial, assistirá a um filme que ela mesma roteirizou e produziu. Natural da cidade de Januária, no sertão do norte mineiro, Karla não teve condições de sair de sua cidade para fazer faculdade de cinema. Então, pensou no que poderia fazer estando lá. “Após assistir Psicose, de Alfred Hithcock, em 2015, me apaixonei pelo cinema. Comecei a estudar roteiros, e por conta própria fui aprendendo, um pouquinho aqui e alí, me dedicando à sétima arte”, conta a jovem diretora.

“Nunca fui ao cinema. Essa emoção de comprar o ingresso, a pipoca, aguardar a sessão começar, nunca tive. Em Januária temos um cinema, mas ele está fechado há mais de trinta anos”, relata a realizadora. “Será uma emoção muito grande, pois a primeira vez que estarei sentada em frente a uma tela, vou assistir um filme que fiz. Vai ser uma experiência inesquecível”.

Em 2020, Karla foi convidada a fazer parte do coletivo de cinema Cine Barranco, da cidade de Januária. Com a chegada da pandemia, as atividades do coletivo como cineclube foram interrompidas, dando espaço para a criatividade e a reinvenção. Começaram a partir daí, a produzir filmes. “O estímulo para o filme foi o próprio Edital BDMG/FCS. Ele que motivou não só a mim, mas todos nós do coletivo, a fazermos filmes e enviá-los”, conta a diretora.

Segundo Karla, a ideia para o roteiro do curta-metragem Fi de quem? partiu de uma curiosidade: saber porque as pessoas do interior mineiro sempre perguntam “Você é filho de quem?”, ou em bom mineirês, “Cê é fi de quem?”. “As minhas inspirações foram minha avó e minha tia, que sempre ficavam na porta de casa, na rua, sentadas, conversando. Como minha avó mesmo diz, em uma “conversa de comadres”, relata. O texto do curta surgiu a partir da observação de como essas pessoas conversam, sempre ligando a pessoa à profissão, ao lugar de pertencimento, e à família. “O roteiro e a produção foram feitos em um mês. Quando saiu o resultado, fiquei tremendo de emoção. O momento foi grandioso não só para mim, mas para todos do Cine Barranco. Foi como uma confirmação de que tudo isso que estamos sonhando e trilhando está indo para o caminho certo. Foi fantástico”, celebra Karla.

Serviço
Mostra 'Cinema e (Re)invenções'
De 14 a 20 de janeiro
Exibições presenciais nas salas do Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes, e também pela plataforma CineHumbertoMauroMAIS 
Gratuito