Festival Minas com Pará reúne oficinas gratuitas, rodas de conversa e shows em BH, conectando tradições culturais de Minas Gerais e da Amazônia
Apresentações de carimbó, reinado e música popular marcam o Festival Minas com Pará, que promove intercâmbio cultural entre artistas mineiros e paraenses em Belo Horizonte
Belo Horizonte se prepara para receber, entre os dias 8 e 11 de abril, a segunda edição do Festival Minas com Pará, que aposta no encontro entre tradições culturais de Minas Gerais e da Amazônia para criar uma experiência que vai além do palco. Ao longo de quatro dias, o evento reúne oficinas gratuitas, rodas de conversa e apresentações artísticas que conectam mestres, artistas e o público em torno de saberes populares.
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A proposta do festival, no entanto, não é apenas apresentar diferentes manifestações culturais, mas promover convivência e troca. Nesse sentido, o evento articula formação e celebração como partes complementares de um mesmo processo. A programação inclui atividades ligadas ao carimbó, aos reinados e a outras expressões que atravessam gerações e territórios.
Um dos destaques desta edição é a presença de mestres da cultura popular vindos de Alter do Chão, no Pará. Eles participam diretamente das atividades formativas e também sobem ao palco na programação artística. Entre os convidados estão Mestre Hermes Caldeira, Mestre Paulinho Barreto, Mestre Duka e a dançarina Sereia Rayla Borari, que levam ao público diferentes formas de expressão do carimbó.
Além disso, representantes de tradições mineiras também ocupam espaço central no festival. A abertura, por exemplo, será marcada por uma roda de conversa sobre as festas de Reinado, conduzida por integrantes da Irmandade de Moçambique de Nossa Senhora do Rosário. A atividade evidencia a relação entre religiosidade, memória e organização comunitária, pilares dessas manifestações.
A programação formativa acontece na sede do Grupo Aruanda, no Centro de Belo Horizonte, com participação gratuita mediante inscrição prévia. Ao longo dos três primeiros dias, o público poderá vivenciar práticas que vão da percussão mineira às danças nortistas.
Na quinta-feira (9), a percussionista Marina Araújo conduz uma oficina que destaca o papel do tambor nas tradições mineiras. Já na sexta-feira (10), o intercâmbio se intensifica com uma roda de conversa entre mestres paraenses, seguida de oficina de dança, ampliando o diálogo entre diferentes territórios culturais.
Dessa forma, o festival cria um ambiente de aprendizado direto com quem mantém essas tradições vivas, valorizando a transmissão oral, corporal e coletiva dos saberes.
O ponto alto do Festival Minas com Pará acontece no sábado (11), com uma grande celebração aberta ao público na Casa Bantu, no bairro Concórdia. A programação se estende das 13h às 22h e reúne shows, discotecagens e apresentações de dança.
A abertura fica por conta da DJ Carol Blois, seguida pelo grupo Meninas de Sinhá, que transforma histórias de vida em canto coletivo. Em seguida, o Grupo Aruanda apresenta danças populares, enquanto o Tambor Mineiro traz ao palco a força da percussão tradicional.
Já à noite, o público acompanha um encontro inédito entre mestres de Alter do Chão e o coletivo Carimbó das Minas. Para encerrar, a banda Tutu com Tacacá celebra seus 10 anos de trajetória com um show que mistura referências amazônicas e mineiras.
Além das atrações musicais e formativas, o festival também aposta na gastronomia como parte essencial da experiência cultural. O público poderá experimentar pratos típicos do Pará, como o tacacá, ao lado de clássicos mineiros, como o feijão tropeiro.
Com isso, o evento amplia o conceito de intercâmbio ao incluir sabores, aromas e modos de fazer que também carregam identidade e memória. Assim, a proposta se consolida como uma vivência completa, que envolve corpo, escuta e paladar.
Ao promover o encontro entre diferentes tradições, o Festival Minas com Pará se firma como uma plataforma de intercâmbio cultural em Belo Horizonte. Mais do que apresentar espetáculos, o evento cria espaços de escuta, aprendizado e convivência.
Em um país marcado por distâncias geográficas, iniciativas como essa evidenciam que a cultura popular permanece em movimento, sendo atualizada, compartilhada e reconhecida por novas gerações.