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Grupo Corpo voltará a se apresentar presencialmente com o espetáculo 'Primavera'

Em cartaz até o dia 14 de novembro, espetáculo terá coreografia de Rodrigo Pederneiras e músicas de Paulo Tatit e Sandra Peres



Créditos da imagem: José Luiz Pederneiras
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Na trilha de primavera, portanto, surgem 14 das canções de Paulo Tatit e Sandra Peres – compostas e gravadas entre 1999 e 2017 (relação completa no final do texto) -, remixadas e retrabalhadas
Thiago Alves
06/10 às 10:44
Atualizado em 06/10 às 10:44

O Grupo Corpo já tem data marcada para voltar a se apresentar presencialmente em Belo Horizonte. A companhia de dança estreia o espetáculo “Primavera” no dia 10 de novembro, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. O espetáculo, que fica em cartaz até o dia 14 de novembro,  terá coreografia inédita de Rodrigo Pederneiras e músicas de Paulo Tatit e Sandra Peres. No mesmo dia, também será encenado o espetáculo “Gira”, que tem músicas da banda Metá Metá.


“Estávamos presos nas nossas casas”, conta Rodrigo Pederneiras, “sem poder ensaiar, reunir o grupo, programar um espetáculo, projetar uma temporada, com os bailarinos fazendo aulas remotas”. Havia, claro, o horizonte das lives pelas plataformas digitais; e, nos últimos 18 meses, o grupo veio liberando gravações de balés e fazendo diversos eventos nas plataformas digitais, para o público.

Nesse viés, em dezembro de 2020, começou a nascer a ideia de criar peças curtas, montar novas coreografias para a internet. E foi bem nesse ponto que uma conversa casual pelo whatsapp alinhou, num tedioso domingo à noite, o coreógrafo mineiro e o compositor Paulo Tatit, conhecidos de longa data. “Foram quatro horas de mensagens pra cá e pra lá”, lembra, rindo, Tatit. “E surgiu a ideia de selecionarmos e adaptarmos os playbacks da Palavra Cantada. Enviamos, Sandra e eu, dezenas de playbacks dos nossos 27 anos de carreira. Rodrigo selecionou 14 deles e começamos a trabalhar”, diz o compositor.


O conjunto foi se ajustando, se complementando, ganhando uma feição, traduzida em módulos que fluíam. Florescendo, por assim dizer; e deixando de remeter ao universo infantil. Saíram as vozes, as melodias praticamente desapareceram, entraram novos instrumentos. O projeto que nascera em forma de peças curtas e independentes para a internet ganhou unidade – foi virando um conjunto. Emergiu uma continuidade. “Prelúdios, de 1985, parte de uma ideia assim: são peças soltas unidas pela coreografia”, complementa Rodrigo.

Dessa vez, o romântico Chopin deu lugar ao sofisticado som do trabalho de Tatit e Peres para as crianças.  “Eu diria que são divertissements”, avança o diretor artístico Paulo Pederneiras, referindo-se ao gênero que define pequenas peças de música ou dança abordado por grandes criadores. De novo, a necessária leveza em tempos tão difíceis.



Com as adaptações, a remixagem e alguns acréscimos, a trilha emergiu – e seu conjunto encadeia uma gama de estilos musicais às vezes bem contrastantes, indo de um jazz light à percussão afro, em seus 36 minutos de duração. “Construímos um balé completamente diferente, singular, com a música de alta qualidade da Palavra Cantada”, define Rodrigo. “Diferente também porque é, como uma Primavera, uma antecipação de dias melhores. Conjuramos assim um futuro mais ameno e, por que não?, mais feliz”.

Na trilha de primavera, portanto, surgem 14 das canções de Paulo Tatit e Sandra Peres – compostas e gravadas entre 1999 e 2017 (relação completa no final do texto) -, remixadas e retrabalhadas. Papel fundamental foi o do produtor, músico e engenheiro de som Ricardo Mosca,  que tratou de equilibrar e uniformizar o som de cozinhas instrumentais gravadas em estúdios diferentes, com recursos variados. “Muita coisa foi repensada para deixar a música mais pulsante”, conta Mosca, “com excelência na sonoridade”.

Na construção da linguagem cenográfica de primavera, a ideia inicial – de criar peças menores para a internet – ficou no fundo da cabeça de Paulo Pederneiras, diretor artístico e cenógrafo do Corpo. “Quando vimos que havia ali um arco, um conceito, um espetáculo inteiro, eu já estava testando o uso de câmeras e decidi tirar partido dessa ideia”, explica. “No espetáculo, posicionamos duas câmeras minúsculas à frente do palco, operadas da coxia, trabalhamos as projeções dos bailarinos em tempo real, projetadas numa tela de tule preto, atrás da cena”.  É a primeira vez que a companhia usa o recurso em seus espetáculos.