Cultura

Inês Peixoto é indicada ao prêmio Quem de atriz coadjuvante

Atriz mineira conversou com Sou BH sobre sua carreira


Créditos da imagem: Guto Muniz/ Divulgação
Atriz mineira do Grupo Galpão é indicada ao prêmio Quem

Redação - SouBH

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20/01/15 às 18:55 - Atualizado em 06/02/26 às 16:51
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Por Camila de Ávila jornalista Sou BH

Interpretar, pegar o sentimento
de um personagem para si e mostrá-lo ao público com verdade e fé. Esse é o
trabalho do ator e, o bom ator. Assim é Inês Peixoto, atriz belo-horizontina do
renomado Grupo Galpão, que tem um discurso leve. Inês concorre pela personagem,
Tereza Falcão, a Dona Tê, ao prêmio Quem
de atriz coadjuvante.

Inês nasceu na capital em 1960 e a vontade de ser atriz vem
de pequena. “Eu sempre transformei minhas brincadeiras em teatro, em grandes
aventuras, um simples passeio de bicicleta podia ser uma grande aventura cheia
de personagens. Eu vestia os vestidos da minha mãe e calçava seus sapatos de
saltos altos, enormes nos meus pés, e inventava histórias com minhas irmãs e
irmãos”, conta.  A primeira vez que foi
ao teatro tinha sei anos e assistiu ao espetáculo “Liderato, o rato que era
líder” de André Carvalho e Gilberto Mansur. “A paixão por ‘personagens’ vem daí”,
conta Inês sobre o impacto que a peça lhe causou ainda menina.

“A cabeça cheia de imaginação me mostrou um caminho que
naquele tempo eu nem sabia o que era”, conta Inês que, em 1981, com 21 anos estudava
no Teatro Universitário da UFMG (T.U.). “O T.U. foi minha primeira atitude em
busca de conhecimento e profissionalização”.  A jovem foi estudar arte cênica no Centro de
Formação Artística (Cefar) da Fundação Clóvis Salgado – Palácio das Artes, para
suprir o desejo de subir ao palco. “O curso do Cefar era de um ano de teoria com
duas montagens, e o segundo ano era um estágio em que participávamos do projeto
‘Arte na Escola’. Através desse projeto percorremos escolas públicas de BH e
Grande BH, ganhando muita experiência artística e jogo de cintura”, lembra.
Inês participou de algumas aulas do curso de dança do Cefar.

A partir daí Inês tornou-se atriz profissional e participou
de vários espetáculos de produtores de BH. Em 1985 integrou o elenco da peça “Foi
Bom Meu Bem”, de Luís Alberto de Abreu, dirigida por Márcio Machado.
Depois disso criou com Walmir José, em 1987, o Veludo Cotelê, “a maior
banda de rock brega do mundo”. Inês ingressou no Grupo Galpão em 1992, depois
de participar de um workshop promovido pela trupe e foi convidada para
participar de “Romeu e Julieta”.  “Em
2005, o Rodolfo Vaz (integrantes do Galpão) foi convidado para fazer um
trabalho com o Luiz Fernando Carvalho (diretor da Globo) e então, ele foi ao
Galpão para nos conhecer e conversar a minissérie ‘Hoje é dia de Maria’”. Dois
meses depois, Nelson Fonseca (produtor de elenco) convidou a atriz para fazer teste
para a minissérie. “Eu fiz e trabalhei no “Hoje é dia de Maria I e
II””, diz.  Os testes para a série “A
Cura” e “A Teia” vieram naturalmente. “Para a novela ‘Meu pedacinho de chão’ eu
não fiz teste. Foi um convite mesmo. Foi minha primeira novela e foi um
trabalho incrível. O ritmo de gravações é muito intenso e exige muita
concentração e disponibilidade para o jogo. É uma experiência muito
interessante para o ator”, ressalta.

Inês e sua visão
sobre as artes cênicas

Inês aponta que as artes cênicas estão passando por um
processo de equilíbrio. “Tivemos um boom nos anos 1990 de performances e
espetáculos utilizando muita tecnologia, promovendo uma grande experimentação
de recursos estéticos e criando um esvaziamento da dramaturgia. Os processos
colaborativos também foram bastante explorados, criando uma dramaturgia fragmentada,
muitas vezes revelando processos bastante subjetivos. Sinto agora, um
amadurecimento desses processos, o surgimento de autores que dialogam com o
nosso tempo de maneira muito interessante”, explica. 

Sobre novos atores, Inês afirma que há bons profissionais no
Brasil. “O teatro é uma arte de equipe, assim como o cinema e a televisão”,
constata. A atriz acredita que festivais são muito importantes para a circulação
e fomento das artes cênicas no país. “BH acolhe grandes e importantes
festivais. Contamos agora com Circuito Cultural da Praça da Liberdade, que
trouxe espaços incríveis para a cidade. E não posso deixar de falar do Galpão
Cine-Horto, espaço localizado na zona leste de BH, que promove vários projetos
de grande relevância para as artes cênicas do Brasil”, ressalta.

Para ela é maravilhoso uma pessoa querer ser artista. “Vivemos
num mundo cada vez mais pragmático, em que o dinheiro dita as regras do jogo. A
escolha da arte é prazerosa, mas também difícil”, afirma.  Inês acredita que é possível uma pessoa se
tornar um bom artista.  “Alguns nascem
artistas e outros desenvolvem a arte durante a vida. Acredito que as escolas
são importantes e há boas para atores. Agora, o teatro tem de ser vivenciado. A
prática e a imersão em processos é que desenvolvem o ator”, explica.  Para Inês o talento é um presente. “Quando
escuto a voz de Milton Nascimento e vejo os olhos de Charles Chaplin na tela,
sinto na pele a presença viva do talento. Nós, que nascemos simples mortais,
temos que trabalhar muito e entregar nosso corpo e alma ao nosso ofício de
artista. E fazer de verdade”.

Arte e a fama

Inês reconhece que a fama é importante no ofício de artista.
“Ser famoso deve ser muito bom e deve também trazer problemas. Acho que o
melhor deve ser poder dizer sim somente aos trabalhos e convites que realmente
interessam”, admite. Viver da arte é para poucos e Inês sabe que este é o sonho
de todo artista. “Agora, é legal quando a fama acontece como uma consequência
de um bom trabalho. Não quero entrar aqui na questão de culto a celebridades, nisso
há somente o vazio”, conclui.

Por meio da arte a atriz descobriu o sentido de sua vida. “Li
no programa da peça ‘Incêndios’, estrelada por Marieta Severo, que dizia: ‘A
melhor forma de se tentar o impossível, que é tornar compreensível o
incompreensível, é a arte. A capacidade da arte de tocar os seres humanos é
universal, mais universal que a razão, porque a arte continua a caminhar quando
a razão empaca’. É a minha inspiração e contribuição que dou a mim mesma e ao
mundo”.

Para o jovem ator, Inês deixa o seguinte conselho: “Olhe a
vida, observe os seres ao seu lado, leia, cante, dance, estude e trabalhe.
Nossa ferramenta é o corpo, a voz e as emoções. Se prepare para os personagens
com o carinho que um jardineiro prepara a terra para as sementes”, conclui.