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Inhotim inaugura obras de Lucia Koch e Rommulo Vieira Conceição

Instalações inéditas ocupam o espaço da Galeria Praça, seu entorno e o Jardim Sombra e Água Fresca



Créditos da imagem: Eduardo Fraipont
Main eduardo fraipont
Rommulo Vieira Conceição, Estrutura dissipativa/Gangorra, 2013, lâminas de vidro, pintura automotiva sobre mdf e ferro, azulejos e cerâmica
Redação Sou BH
18/08 às 12:29
Atualizado em 18/08 às 12:29

No sábado (28), o Instituto Inhotim, em Brumadinho, na Grande BH, vai inaugurar criações inéditas de dois artistas brasileiros, Lucia Koch e Rommulo Vieira Conceição, expoentes da cena contemporânea, que foram convidados a integrar o Comissionamentos Inhotim, programa do museu que convida artistas para desenvolver obras inéditas a partir de suas experiências com a instituição e seu entorno.

No mesmo dia, o Inhotim apresenta a exposição Entre Terras, individual da artista Aleksandra Mir que ocupa a Galeria Praça com desenhos em grande escala da série Mediterranean (2007), trabalho em que ela questiona as forças sociopolíticas que moldam as identidades nacionais.

As ações foram pensadas a partir do programa Território Específico, eixo de pesquisa que norteia a programação do Inhotim no biênio 2021 e 2022. "É uma programação pensada para debater e refletir a função da arte nos territórios a níveis local e global, a relação das instituições com seu entorno e ainda mirar os desdobramentos de um museu e jardim botânico potente como o Inhotim", explica Douglas de Freitas, curador do Instituto Inhotim.

Comissionamentos Inhotim

A pesquisa artística de Rommulo Vieira Conceição une diversos meios de expressão visual: instalação, objeto, escultura e fotografia. Baiano de Salvador que vive há mais de 20 anos em Porto Alegre, ele sobrepõe em sua obra os elementos presentes em espaços públicos e privados e reorganiza objetos e arquiteturas, fundindo ambientes de modo a causar deslocamentos simbólicos e funcionais. É o que faz no site specific de grande escala O espaço físico pode ser um lugar abstrato, complexo e em construção (2021), instalado no Jardim Sombra e Água Fresca.

A obra nasceu a partir de uma pesquisa de campo realizada pelo artista nas cidades mineiras de Brumadinho, Mário Campos, outras da região que circunda o Instituto Inhotim, além de Belo Horizonte e as cidades históricas de Minas Gerais. Por meio da justaposição de arcos, cúpulas, paredes, grades, andaimes, quartinhas e frontões que compõem o trabalho, Rommulo expressa valores sobre a história da arquitetura e da arte, ambas influenciadas por diversas manifestações socioculturais ao longo dos séculos.

Mesclando fragmentos de arquiteturas sacras a uma arquitetura escolar seccionada, o artista cria um conjunto que, simbolicamente, sustenta sua ideia de fé no conhecimento e em uma construção conjunta da humanidade. "A obra conduz o olhar do visitante para diferentes pontos de vista, acentuando a desorientação desse espaço em estado de construção. Os arcos, por exemplo, perdem a sua funcionalidade estrutural arquitetônica e passam a sustentar o nada, ou talvez deixem de sustentar a representação do céu das arquiteturas sacras para o deixar o céu real ser visto através deles", explica Douglas de Freitas.

É também a partir da relação entre arte e arquitetura que nasce a obra de Lucia Koch. Artista gaúcha e radicada em São Paulo, ela ocupa, simultaneamente, espaços da cidade de Brumadinho e do Instituto Inhotim com um trabalho que suscita questões acerca do lugar da arte e a lógica das manobras de propagação das informações. Trata-se de PROPAGANDA (2021), obra composta por intervenções em outdoors, que trazem fotografias de caixas e embalagens vazias que a artista coletou em Brumadinho e Belo Horizonte. As imagens são apresentadas em estruturas já existentes locadas na cidade de Brumadinho e em outdoors instalados no Inhotim.

Segundo Douglas de Freitas, Koch interfere nos espaços e sugere mudanças na percepção deles. "Nesse trabalho, pela mudança de escala das imagens do interior das embalagens, Lucia cria arquiteturas virtuais que se propagam entre Brumanho e inhotim, na cidade usando os suportes de publicidade, e no Inhotim criando estruturas inspiradas nos mesmos", reflete o curador.

Entre terras

Em atividade desde o início dos anos 1990, Aleksandra Mir transita entre a performance, o vídeo e outros suportes. Mas foi ao desenho que ela dedicou atenção especial: com canetas sharpie nas mãos, Mir explora uma variedade de tons que vão do preto ao cinza com o desgaste da caneta em desenhos de grande escala para série Mediterranean (2007). O conjunto de quatro obras será exibido na Galeria Praça, na mostra individual Entre Terras.

Em seus desenhos - e frequentemente em toda sua obra -, Mir traz questionamentos acerca das forças sociopolíticas que moldam as identidades nacionais e locais. Nascida em Lubin, na Polônia, e atualmente radicada em Londres, a artista passou por quatro migrações e desde a infância se habituou a negociar e transgredir fronteiras.

De origem latim, o termo "mediterrâneo", que dá nome à série, significa "mar entre terras" e foi cenário da ascensão e queda de grandes impérios do Ocidente. Até o período das Grandes Navegações - séculos 15 e 16, era a principal rota do comércio marítimo entre os continentes africano, europeu e asiático e convergia em zonas de contato que resultaram tanto em choques culturais quanto em objetivos compartilhados.

Mediterranean é resultado da experiência que ela viveu enquanto morou na Sicília, entre 2005 e 2010, ilha mediterrânea que integra a Itália. "O trabalho chama a atenção para as manifestações culturais carregadas por aquelas águas ao longo de milênios, como agentes de troca entre sociedades e no deslocamento de indivíduos", comenta o curador Douglas de Freitas.

Com referência à estética de cartum - oriunda da admiração que a artista tinha, quando criança, pela escola polonesa de pôsteres de filmes dos anos 1970 - os desenhos exprimem o humor conceitual de Mir e trazem marcas de sua vivência sob do regime totalitário comunista soviétivo, que perdurou 44 anos.

Para Freitas, Mir adiciona certa tensão ao nosso modo de visualizar as fronteiras regionais, motivo frequente de conflitos sociais, políticos e culturais. "Nosso olhar é então redirecionado ao território como um local de experiências coletivas", reflete o curador.

Território Específico

Ao completar 15 anos em 2021, com 140 hectares de visitação ocupados por obras de renomados artistas contemporâneos brasileiros e internacionais e mais de 4,5 mil espécies de todos os continentes - algumas raras e ameaçadas de extinção - o Instituto se pergunta: como a relação com o território em que está situado, o entorno de Brumadinho, as comunidades rurais e quilombolas da região e a relação com visitantes de todas as partes do mundo moldam a história, o presente e a projeção de futuro da instituição?

Esse foi o ponto de partida para escolha do eixo de pesquisa intitulado Território Específico, que norteia a programação do Inhotim no biênio de 2021 e 2022. Inspirada nos estudos do geógrafo brasileiro Milton Santos, a pesquisa traz o conceito de território a partir de suas diferentes escalas de processos e fronteiras. Segundo a tese defendida por Milton, a existência do território só é dada pela vida que o anima e por suas relações sociais na tentativa de compreender as outras relações que se dão a partir de si.

"O conceito de ‘território’ é expandindo de maneira transversal para uma investigação sobre os aspectos ambientais, sociais e artísticos que acontecem dentro do Inhotim como espaço, em seu entorno e na multiplicidade de relações que a partir dele se desdobram", explica Douglas de Freitas.

Funcionamento

O Instituto Inhotim está funcionando de quinta-feira a domingo e em feriados, com capacidade para mil visitantes por dia. A entrada é gratuita em toda última sexta-feira do mês, exceto em feriados, com o mesmo limite de público. A compra e retirada de ingresso é realizada exclusivamente online e com antecedência, pela Sympla, tiqueteira oficial do Inhotim. Em função dos protocolos de saúde, vale lembrar que não está sendo feita operação de venda de entradas na bilheteria do parque.

Os protocolos de saúde estabelecidos no Inhotim, como o uso obrigatório de máscara, por funcionários e visitantes, displays de álcool em gel distribuídos pelo parque e distanciamento entre as mesas nos pontos de alimentação, continuam seguem em vigência.

O Instituto avalia diariamente o cenário da pandemia na região e atua sempre em consonância com as decisões estabelecidas pelos órgãos de saúde. Todas as orientações sobre como chegar ao Inhotim, compra de ingressos, os protocolos adotados e regras de visitação estão disponíveis no site da instituição.

Serviço:
Inaugurações no Inhotim
Novas obras de Lucia Koch e Rommulo Vieira Conceição e mostra Entre Terras, de Aleksandra Mir
Local: Galeria Praça
Visitação: de quinta a sexta-feira, das 9h30 às 16h30; e aos sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30
Ingressos: R$ 22 (meia) e R$ 44 (inteira) no Sympla
Entrada gratuita na última sexta-feira de cada mês, exceto feriados, mediante retirada prévia através do Sympla
Moradores de Brumadinho cadastrados no programa Nosso Inhotim e Amigos do Inhotim também possuem entrada franca