Rei Momo do Carnaval de BH, Wallace Guedes morre aos 39 anos após diagnóstico de leucemia e deixa legado na folia da capital mineira
Wallace Guedes, tricampeão como Rei Momo do Carnaval de Belo Horizonte, marcou a folia da capital com carisma e presença nos blocos de rua
O Carnaval de Belo Horizonte perdeu um de seus principais símbolos nesta segunda-feira (27). Morreu, aos 39 anos, Wallace Guedes, Rei Momo da capital mineira. O artista estava internado na Santa Casa de Belo Horizonte, na Região Centro-Sul, onde fazia tratamento contra leucemia desde o início de abril.
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A morte foi confirmada pela Prefeitura de Belo Horizonte e por pessoas próximas. Desde então, homenagens e mensagens de despedida passaram a circular nas redes sociais, ressaltando a importância de Wallace para a cultura popular da cidade.
Mais do que um título, Wallace construiu uma trajetória que se confunde com o próprio crescimento do Carnaval de rua de Belo Horizonte. Ele foi eleito Rei Momo em 2020 e voltou ao posto em 2024, permanecendo como representante oficial da folia até então. Ao longo desse período, tornou-se presença constante em blocos, desfiles e eventos, sempre associado à alegria e à energia que marcam a festa.
No entanto, sua relação com o Carnaval começou muito antes da coroação. Ainda no início dos anos 2000, Wallace encontrava na folia um espaço de acolhimento, em um momento em que vivia em situação de vulnerabilidade social. Foi nesse ambiente que ele passou a frequentar desfiles e se aproximar do universo das escolas de samba.
Nesse processo, uma amizade teve papel decisivo: a da passista Raquel Moçambique, da escola de samba Canto da Alvorada. Inspirado por sua trajetória, Wallace passou a se dedicar à dança e, em 2011, integrou a comissão de frente da agremiação, justamente no ano em que a escola conquistou o título do Carnaval de Belo Horizonte.
A partir daí, sua vida começou a tomar novos rumos. Com o apoio de pessoas próximas e o envolvimento com a cultura, ele retomou os estudos por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e, posteriormente, se formou em Educação Física. A formação abriu portas e consolidou um processo de reconstrução pessoal.
Depois de três tentativas, Wallace alcançou um dos maiores símbolos da festa popular: em 2020, foi eleito Rei Momo pela primeira vez. Anos depois, voltou a ocupar o posto, reforçando sua conexão com o público e com a identidade do Carnaval belo-horizontino.
Além da atuação artística, Wallace também construía sua renda em diferentes áreas. Ele trabalhava como dançarino, trancista e motorista de aplicativo. Paralelamente, atuava como microempreendedor, com uma loja voltada para produtos de beleza e a confecção de roupas carnavalescas.
Dessa forma, sua história ultrapassa o universo da folia e se torna exemplo de transformação por meio da cultura. Wallace não apenas representava o Carnaval, ele também simbolizava o potencial da festa como espaço de inclusão, pertencimento e recomeço.
A Prefeitura de Belo Horizonte lamentou a morte e destacou, em nota, a contribuição do artista para a cidade. Segundo o posicionamento, Wallace “levou alegria a milhares de foliões e contribuiu para o fortalecimento do Carnaval da capital”.
Ainda não há informações sobre velório e sepultamento.