Obra de Benedito Ferreira fica em cartaz até 22 de novembro e inclui gravação audiovisual com violeiros de diferentes gerações, em frente ao museu
Artista Benedito Ferreira
O Museu de Arte da Pampulha (MAP), em Belo Horizonte, recebe até 22 de novembro a instalação audiovisual “Nunca mais vamos abraçar o que vem depois do fim”, do artista visual e cineasta Benedito Ferreira. A obra integra a 10ª edição do Programa de Residência Artística Bolsa Pampulha e investiga as relações entre a música caipira, a cultura sertaneja e as transformações desse repertório ao longo do tempo.
Com curadoria de Augusto Fonseca, o trabalho estabelece conexões entre Minas Gerais e Goiás, estados que fazem parte da pesquisa do artista. A proposta acompanha mudanças na música caipira até sua aproximação com o sertanejo romântico, gênero que ampliou a circulação de referências sertanejas nos centros urbanos e popularizou canções marcadas por temas como amor e despedida.
Um dos elementos centrais da obra é uma faixa de tecido com o título do projeto, instalada entre duas colunas internas do salão nobre do MAP. A estrutura pode ser vista também do lado de fora do edifício e utiliza um formato presente em espaços públicos e festas populares para apresentar uma mensagem de caráter íntimo.
Segundo Benedito Ferreira, a frase que dá nome à obra sugere uma separação e deixa em aberto as possibilidades que podem surgir após o fim de uma relação.
A programação inclui uma gravação audiovisual aberta ao público, prevista para 15 de novembro, em frente ao museu. A atividade reunirá os violeiros Zé Canhoto e Caio Yanni, conhecido como Caxeado, que participarão da execução de uma composição improvisada.
Com cerca de quatro décadas de diferença de idade, os músicos frequentam encontros de violeiros realizados em Belo Horizonte. A participação dos dois propõe uma aproximação entre gerações que compartilham a viola e a música caipira.
A gravação faz parte da pesquisa desenvolvida por Ferreira durante a residência artística. Ao aproximar a declaração de despedida da música executada pelos violeiros, o projeto explora como imagens e referências associadas ao sertão permanecem presentes na cultura, mesmo quando atravessam diferentes épocas e contextos.
Nascido em Itapuranga, em Goiás, e radicado em Goiânia, Benedito Ferreira trabalha com artes visuais, cinema e pesquisa. Durante a residência no Bolsa Pampulha, o artista percorre Belo Horizonte com uma câmera para registrar manifestações e imagens relacionadas ao universo sertanejo na capital mineira.
O trabalho dialoga com sua produção anterior em Goiás e com uma prática que atravessa sua trajetória: o deslocamento como forma de observar paisagens, referências culturais e as mudanças que ocorrem quando esses elementos são encontrados em outros lugares. Ao longo da carreira, Ferreira já apresentou trabalhos em países como Portugal, França, Holanda, Armênia, Polônia, Geórgia, Romênia, Uruguai, Colômbia e Coreia do Sul.
O Bolsa Pampulha integra a trajetória das políticas públicas de incentivo às artes em Belo Horizonte. O programa tem origem no Salão de Arte da Prefeitura, criado em 1937, e passou por uma reformulação em 2002, quando a proposta passou a priorizar a experimentação, a pesquisa e a formação de artistas.
A iniciativa oferece acompanhamento curatorial para o desenvolvimento de trabalhos e já recebeu artistas que construíram trajetórias de destaque no circuito da arte contemporânea, como Cinthia Marcelle, Paulo Nazareth, Marilá Dardot e Laura Belém.