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Nathália Timberg volta a BH com Tríptico Samuel Becket

Dama do teatro brasileiro se apresenta no Cine Theatro Brasil Vallourec com texto de dramaturgo irlandês



Créditos da imagem: Divulgação - Assessoria Árvore de Comunicação
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Nathália Timberg apresenta texto do dramaturgo Samuel Becket
Redação Sou BH
12/01/15 às 20:36
Atualizado em 01/02/19 às 20:01

Por Camila de Ávila jornalista Sou BH

Nos dia 25 e 26 de outubro, o grande teatro do Cine Theatro Brasil Vallourec (Rua dos Carijós, 258 - Centro) recebe a peça “Tríptico Samuel Becket” que traz no elenco uma das mais importantes atrizes do país, Nathália Timberg. A peça conta com os últimos escritos de Becket e apresenta uma experiência na qual, quem assiste, saí do teatro muito diferente.

O dramaturgo irlandês Samuel Becket (1906-1989) escreveu a trilogia composta pelos escritos “Companhia” (1980), “Mal visto, mal dito” (1981) e “Pra frente o pior” (1983), em resposta à outra trinca de textos escritas na década de 1950, “Molloy” (1951), “Malone morre” (1951) e “O inominável” (1953). Segundo o diretor da peça “Tríptico Samuel Becket”, Roberto Alvin, “esses textos, dá década de 1980, condensam todas as questões formais e existenciais do autor, são quase um testamento de um dos maiores escritores da história do teatro mundial”, conta.

A produção é uma livre adaptação de Roberto Alvin, dos textos finais de Becket. “Esses textos são inéditos no Brasil”, afirma o diretor. A montagem tem como objetivo apresentar o que o pensamento de Beckett fará com os homens do século XXI.

Alvin fez com que três mulheres interpretassem os escritos de Becket, Nathalia Timberg, “com quem sempre quis trabalhar”, conta o diretor, Juliana Galdino e Paula Spinelli. Elas interpretam fases da vida de uma pessoa que vai da infância à velhice com a iminência da morte. “Não é a trajetória de uma mulher, é a trajetória de todos nós. Cada figura que Becket construiu representa toda a humanidade”, explica.

A atriz Nathália Timberg ficou com a interpretação de “Mal visto, mal dito” e explica o que o texto fala para o público. “Esse momento não é mais de vida, você não sabe se ela está mais para cá do que para lá. É um momento de revisitação constante do outro que coexiste dentro de nós”, conta a atriz. Nathália conta que a força do texto é intensa. “A cada dia de espetáculo há uma sensação muito forte, muito instigante, a palavra certa é perturbadora”, define a atriz.

Roberto Alvin também coloca a palavra perturbadora como chave para definir a sensação que a peça causa na plateia. “Becket foi o autor mais arrojado e radical do século XX e nos leva a sensações desconhecidas através de experiências perturbadoras consigo mesmo. É uma peça de autoconhecimento”, diz.

Nathália diz que sempre quis fazer um texto do irlandês e o convite de Alvin veio de encontro a seu anseio. “Diante do texto dessa profundidade como é o texto de Becket, não há nenhuma performance. Ele nos toca, os intérpretes, profundamente, e queremos e conseguimos tocar a sensibilidade do outro”, afirma.

A peça trata de forma muito clara da morte, do fim. Segundo Alvin a peça “não é mórbida, não é deprimente. A morte é um fato e é implacável, e o tempo é vivenciado somente no presente, podemos ressignificar as nossas vidas de forma poética que é a proposta do Becket nestes textos”, explica.

Alvin afirma que a peça não é um texto difícil. “Na estreia em São Paulo, eu e até a Nathália estávamos com medo pelo fato de ser um texto deste autor que é considerado difícil e pesado. Porém, desde a primeira semana todos os lugares estavam lotados”, conta.  O texto de Becket é um texto palatável em que é necessário estar com a mente e o coração aberto. “Estamos no século XXI e ninguém é mais bobo e desinformado. As pessoas querem passar por uma experiência transfiguradora. Quem quer ver comédia rasgada liga o YouTube, não precisa ir ao teatro”, ressalta. Nathália endossa a opinião de Alvin. “Estamos tão envolvidos com coisas rasas que estamos carentes de algo que nos questione, que nos tire do lugar. O texto de Becket nos leva da incomunicabilidade à memoria e brinca com o lado emocional de cada um”, explica a atriz.

Em BH, desde o dia 19 de outubro, no qual a atriz interpretou o monólogo “Paixão”, Nathália afirma que “vocês terão uma ingestão de Nathália. Visito sempre BH e Minas através de seus músicos, poetas e artistas. Sou apaixonada pelo senhor de Itabira”, diz.  Segundo a atriz que completou em agosto 85 anos de vida, falta ainda muito a fazer. “Nosso horizonte caminha conosco. À medida que realizamos as coisas queremos mais. Imagina você neste universo que é a interpretação o tanto que ainda tenho que fazer. Só não vou ter tempo”, conta.