Cultura

Por dentro do Pirulito da Praça Sete: mitos e verdades do obelisco

O que realmente existe dentro do monumento mais famoso de BH? Desvendamos as principais curiosidades e histórias sobre o coração da capital mineira


Créditos da imagem: Bernardo Gouvêa, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Obelisco Praça Sete Proposta prevê Obelisco da Praça Sete, se destaca entre os prédios de Belo Horizonte, marcando o coração da capital mineira.

Júlia Rhaine Diniz Silva

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09/04/26 às 16:28 - Atualizado em 09/04/26 às 16:32
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Para muitos, é o coração de Belo Horizonte. O Obelisco da Praça Sete, carinhosamente chamado de “Pirulito”, marca o ponto mais movimentado da capital mineira e alimenta uma das maiores curiosidades locais: o que realmente existe dentro dele? A resposta, no entanto, pode frustrar os mais sonhadores.

A lenda urbana mais famosa garante que uma cápsula do tempo foi lacrada em seu interior. Nela, estariam jornais da época, moedas e mensagens destinadas a gerações futuras, um verdadeiro tesouro histórico escondido no centro da cidade. Uma história que passa de boca em boca e reforça a aura de mistério do monumento.

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A verdade, porém, é que não há nenhum registro oficial que comprove essa história. O monumento, feito de granito maciço vindo de uma pedreira em Betim, foi projetado para ser uma estrutura sólida e imponente. Portanto, a resposta mais provável para a pergunta é simples e direta: não há nada dentro do Pirulito. Sua importância está em seu simbolismo, não em um segredo guardado.

A origem e as mudanças do obelisco

O obelisco foi um presente do município de Betim, na época chamado Capela Nova de Betim, à nova capital. A pedra fundamental foi lançada em 7 de setembro de 1922 para comemorar o centenário da Independência do Brasil, e o monumento foi oficialmente inaugurado em 7 de setembro de 1924. Com 13,5 metros de altura, o projeto é do arquiteto Antônio Rego, com execução do engenheiro Antônio Gonçalves Gravatá.

A história do “Pirulito” é marcada por mudanças. Originalmente, ele foi instalado na confluência das avenidas Afonso Pena e Amazonas, considerado o marco zero da cidade. Em 1962, o obelisco foi removido da Praça Sete e deixado em um lote ao lado do Museu Histórico Abílio Barreto. No ano seguinte, em 1963, foi transferido para a Praça Diogo de Vasconcelos, na Savassi. Foi somente em 1980, após intensa mobilização popular, que o monumento retornou ao seu local de origem e destaque no coração da Praça Sete.

Desde então, o Pirulito serve como ponto de encontro, cenário para manifestações populares e, principalmente, como o marco do ritmo agitado de Belo Horizonte. Tombado como patrimônio estadual em 1977 e municipal em 1994, o obelisco é um símbolo que, mesmo sem tesouros escondidos em seu interior, guarda as histórias diárias de milhares de mineiros e turistas que passam por ali todos os dias.