Padaria Savassi ajudou a formar o bairro que hoje leva seu nome; imóvel que abrigava o estabelecimento foi demolido em março
Nome oficial da Praça da Savassi é Diogo de Vasconcellos; até 1942, ela se chamava Treze de Maio
O imóvel que abrigou a Padaria Savassi, estabelecimento que durante mais de três décadas marcou a história de Belo Horizonte e deu nome à região boêmia, foi demolido em março. Localizada no cruzamento das avenidas Getúlio Vargas e Cristóvão Colombo com a rua Pernambuco, a antiga padaria cedeu espaço para um novo projeto imobiliário: um prédio comercial de 19 andares.
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A construtora responsável, o Grupo Concreto, anunciou que, como forma de preservar a memória do local, manterá um centro cultural no novo edifício. No entanto, ainda não foi especificado o prazo para conclusão das obras. Embora o imóvel não tenha sido tombado, ele permaneceu vazio desde 2022, após abrigar por muitos anos uma loja de telefonia.
A padaria, inaugurada em 16 de março de 1940 pelos irmãos Hugo e Juca Savassi, se tornou um dos principais pontos de encontro de Belo Horizonte durante mais de três décadas. Localizada estrategicamente perto do abrigo do bonde na rua Pernambuco, que desde 1902 ligava o Centro ao bairro Funcionários, ela logo se transformou em um local frequentado por jovens das mais diversas classes sociais. A cidade, ainda pequena na época, não contava com muitas opções de lazer.
De acordo com o escritor Jorge Fernando dos Santos, autor do livro “A Turma da Savassi… que virou nome de bairro”, a padaria se destacou principalmente entre os jovens das décadas de 1940 a 1980, que se reuniam ali não só para socializar, mas também para discutir ideias. Em entrevista ao programa “Globo Horizonte”, em 2017, ele afirmou que o local foi alçado, de certa forma, a um símbolo da convivência de BH. Para ele, a Savassi manteve até os anos 1980 a característica de “ponto de encontro”.
A praça onde a padaria estava localizada foi originalmente batizada Treze de Maio, mas passou a se chamar Praça Diogo de Vasconcellos em 1942, em homenagem ao historiador e acadêmico que foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Contudo, o nome “Praça da Savassi” se popularizou e é como o espaço ficou conhecido.
Outro marco da praça foi a chegada do “Pirulito“, o obelisco instalado em 1963 em frente à padaria. O monumento, que antes estava na Praça Sete, permaneceu na Savassi até 1980, quando foi levado de volta ao Centro.
Na década de 1970, a região da Savassi passou a se destacar pela expansão do comércio e pela valorização do bairro, que se tornou atraente para as classes de maior poder aquisitivo. A movimentação dos comerciantes e da população foi descrita em livro “Belo Horizonte & O Comércio: 100 anos de História”, que relata como o Centro foi se tornando cada vez mais congestionado, levando os consumidores de alta renda a se deslocarem para a Savassi, que oferecia mais conforto e opções.
Foi nesse contexto de crescimento comercial e mudança de perfil do bairro que a Padaria Savassi se transferiu, em 1977, para a rua Rio Grande do Norte, também na Savassi. Ali, manteve suas operações até 2011.
Nos anos 1990, a região foi oficialmente desmembrada, e a Savassi passou a ser reconhecida como um bairro independente. A mudança administrativa foi acompanhada da valorização da área e de sua identificação como um polo cultural e comercial de Belo Horizonte.