Bienal de São Paulo chega a BH com 80 obras no Palácio das Artes. Exposição gratuita reúne 21 artistas de 3 de outubro a 6 de dezembro
Itinerância da 36ª Bienal de São Paulo ocupa galerias do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, com cerca de 80 obras de 21 artista
Belo Horizonte recebe, a partir desta sexta-feira (3), um dos principais eventos de arte contemporânea do país. A 36ª Bienal de São Paulo chega ao Palácio das Artes, no Centro da capital mineira, com cerca de 80 obras de 21 participantes. A entrada é gratuita.
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A exposição, intitulada “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”, ocupa diferentes galerias do complexo cultural até 6 de dezembro. O público poderá conferir trabalhos em linguagens como pintura, fotografia, escultura, instalação, audiovisual e performance.
A abertura oficial acontece nesta quinta-feira (2), às 19h. Depois disso, a mostra poderá ser visitada de terça-feira a sábado, das 9h30 às 21h, e aos domingos, das 17h às 21h.
A curadoria de Alya Sebti e Leonardo Matsuhei selecionou obras que discutem as relações entre pessoas, territórios e diferentes gerações. Nesse percurso, temas como memória, pertencimento, cuidado e transformação aparecem a partir de experiências individuais e coletivas.
O conceito geral da 36ª Bienal foi desenvolvido pelo curador Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, em parceria com os demais integrantes da equipe curatorial. A proposta parte do poema “Da calma e do silêncio”, da escritora mineira Conceição Evaristo.
Assim, a mostra investiga a humanidade em movimento e os encontros que acontecem durante esses deslocamentos. As obras também abordam questões relacionadas às heranças culturais, às crises climáticas e às experiências de povos africanos, afro-brasileiros e originários.
A seleção apresentada em Belo Horizonte reúne trabalhos de artistas que vivem ou têm suas trajetórias ligadas a diferentes cidades do Brasil e do exterior.
Entre os participantes estão Maria Auxiliadora, Gervane de Paula, Ming Smith, Nádia Taquary, Ruth Ige, Emeka Ogboh, Leiko Ikemura, Raven Chacon, Raukura Turei e Manauara Clandestina.
Também participam Iggor Cavalera e Laima Leyton, além de membros da comunidade Etenhiritipa Xavante, em uma colaboração que aproxima música, território e ancestralidade.
A exposição ainda coloca em evidência dois nomes relacionados a Minas Gerais: Maria Auxiliadora, nascida em Campo Belo, e Iggor Cavalera, de Belo Horizonte.
Autodidata, Maria Auxiliadora se tornou um dos nomes importantes da arte afro-brasileira do século 20. Nascida em Campo Belo, no Sul de Minas, a artista retratou em suas pinturas cenas do cotidiano da população negra, além de referências a religiões de matriz africana.
Já Iggor Cavalera participa da Bienal em uma criação coletiva com Raven Chacon, Laima Leyton e integrantes da comunidade Etenhiritipa Xavante.
Na obra, os artistas exploram sons e ritmos para criar uma experiência relacionada à terra e às vozes que se conectam a ela. A produção também contou com a articulação do cacique Cipassé Xavante, da aldeia Wederã, em Canarana, no Mato Grosso.
A passagem pela capital mineira é a maior itinerância nacional da 36ª Bienal de São Paulo, considerando a quantidade de participantes e obras reunidas.
Em 2026, a Bienal circula por 15 cidades, sendo três fora do Brasil. Antes de chegar a Belo Horizonte, parte da exposição passou por Belém, no Pará. Depois da temporada mineira, Vitória, no Espírito Santo, receberá outro recorte da mostra.
A parceria entre a Fundação Clóvis Salgado e a Fundação Bienal de São Paulo também completa 15 anos. O Palácio das Artes participa do programa de itinerâncias desde 2011 e recebe, agora, a oitava edição consecutiva da Bienal.
Além das obras, o projeto inclui uma programação educativa no Palácio das Artes. As atividades serão realizadas na PQNA Galeria Pedro Moraleida, com propostas voltadas a diferentes públicos.
O programa de itinerâncias também prevê visitas mediadas, palestras, sessões de filmes, encontros com professores e outras ações de formação.
A exposição conta ainda com recursos de acessibilidade. Entre eles estão audioguia com audiodescrição, guia de visitação em linguagem simples, mapa tátil e descrição de imagens pelo aplicativo Bloomberg Connects.
Dependendo da atividade, o público também poderá encontrar materiais em fonte ampliada e Braille.
Itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Palácio das Artes