Legado do fotógrafo mineiro pode ser apreciado em Belo Horizonte e Aimorés, onde sua arte e ativismo ambiental permanecem vivos
Sebastião Salgado era mineiro, natural de Aimorés
Sebastião Salgado, um dos maiores nomes da fotografia documental mundial, faleceu nesta sexta-feira (23), aos 81 anos, em Paris, França, vítima de leucemia decorrente de complicações de malária, contraída em 2010. Nascido em Aimorés, Minas Gerais, Salgado dedicou sua vida a retratar, em preto e branco, as desigualdades sociais, o trabalho humano e a fragilidade ambiental. Seu legado permanece acessível em Minas Gerais, onde é possível visitar exposições permanentes e o Instituto Terra, símbolo de sua luta pela recuperação da Mata Atlântica.
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Localizado na Praça da Liberdade, o Memorial abriga uma sala dedicada a Sebastião Salgado, com 21 fotografias de séries como “Êxodos” e um vídeo sobre o mesmo projeto. A mostra destaca sua visão humanista e seu compromisso com causas sociais. Atualmente, o espaço está temporariamente fechado para reformas, mas é um dos principais pontos de contato do público mineiro com sua obra.
Fundado em 1998 por Salgado e sua esposa, Lélia Wanick Salgado, o Instituto Terra é um centro de referência em recuperação ambiental. Instalado na antiga Fazenda Bulcão, onde o fotógrafo passou a infância, o local já promoveu o plantio de cerca de 2 milhões de árvores, transformando áreas degradadas em reservas de Mata Atlântica. Além do reflorestamento, o Instituto oferece programas de educação ambiental e desenvolvimento sustentável.
A obra de Salgado também esteve presente em outras cidades mineiras. Em 2013, a Galeria Ampliart, em Poços de Caldas, recebeu a exposição “Êxodos”, que retrata deslocamentos humanos forçados por guerras, pobreza e repressão.
Sebastião Salgado deixa um acervo de mais de 500 mil imagens, publicadas em livros como “Trabalhadores”, “Terra”, “Êxodos”, “Gênesis” e “Amazônia”. Seu trabalho foi reconhecido com diversos prêmios, incluindo o Príncipe de Astúrias das Artes e sete World Press Photo. Em 2014, sua trajetória foi retratada no documentário “O Sal da Terra”, indicado ao Oscar.