Pela terceira vez, Planet Hemp muda local do show da turnê “A Última Ponta” em BH; histórico da banda inclui polêmicas
Banda carioca vai apresentar a turnê 'A última ponta' na próxima sexta (31/10) no Mercado de Santa Tereza.
O Planet Hemp precisou alterar o local de sua última turnê, “A Última Ponta”, pela terceira vez. Inicialmente, a banda iria se apresentar no BeFly Hall, na Savassi. Porém, a produção transferiu o show para o La Vista Beagá Rooftop, no Belvedere. Agora, finalmente, a apresentação acontecerá no Mercado Santa Tereza, na região Leste de Belo Horizonte, nesta sexta-feira (31/10), às 19h30. Os portões abrirão às 16h30.
Em um vídeo publicado no Instagram, o vocalista Marcelo D2 anunciou a mudança do local. Ele explicou, sem citar nomes, que o primeiro espaço proibiu o show assim que descobriu que seria a banda. Em seguida, acrescentou: “Mudamos de lugar e, agora, mais uma vez, teremos que alterar o local. Organizar um show do Planet Hemp não é fácil, e realizar uma turnê como esta exige esforço e paciência.”
Logo depois, a produtora Ímpar Shows esclareceu os motivos da alteração. Ela explicou que o La Vista Beagá Rooftop possuía o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) vencido. “Na semana passada, recebemos a informação de que o local original não tinha o AVCB válido, o que impede a realização segura do evento para o público”, informou a produtora em nota no Instagram.
Em novembro de 1997, o Planet Hemp chegou a Belo Horizonte para um show no extinto Estação 767, na Avenida dos Andradas. No entanto, a polícia deteve os integrantes na madrugada anterior, enquanto saíam do Studio Bar, no centro da cidade. A banda permaneceu cinco horas na delegacia, acusada de apologia às drogas.
Após a liberação, os músicos viajaram para Brasília para outra apresentação. Lá, eles enfrentaram um dos episódios mais marcantes de sua trajetória. Depois do show no Minas Brasília Tênis Clube, em 8 de novembro de 1997, a Polícia Federal deu voz de prisão à banda, pois havia filmado trechos da apresentação.
Os músicos permaneceram presos por cinco dias, enquanto a repercussão do caso se espalhava. Em um manifesto, artistas como Gilberto Gil, Cássia Eller, Marisa Monte e Tom Zé declararam: “Os artistas do Planet Hemp estão presos por expressarem suas opiniões através da música. Já vimos esse enredo antes e, como antes, não permaneceremos em silêncio diante dessa agressão à liberdade. O coro da censura e da repressão desafina com as aspirações de democracia e liberdade.”
Além disso, a banda recebeu apoio de Fernando Gabeira, então deputado federal (PV-RJ), e do senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Durante a semana em que esteve presa, o Planet Hemp aumentou ainda mais sua popularidade: suas músicas tocaram em rádios de todo o país, e seu segundo álbum, “Os cães ladram mas a caravana não para” (1997), vendeu 300 mil cópias.