Cultura

Uma parte de Inhotim que ninguém viu

Mostra em parceria com a Fundação Clóvis Salgado exibe obras pertencentes ao acervo do museu de Brumadinho


Créditos da imagem: Divulgação
Fotografia de Décio Noviello, exposta na Grande Galeria do Palácio das Artes

Redação - SouBH

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12/12/14 às 00:38 - Atualizado em 06/02/26 às 16:52
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Por Débora Gomes, jornalista do Sou BH

Imagine poder vislumbrar parte do acervo de Inhotim dentro
da cidade. Acha difícil? Mas não é. Até o dia 8 de março de 2015, as galerias
do Palácio das Artes recebem cerca de 50 obras nunca expostas no museu
localizado em Brumadinho, formando a mostra “Do Objeto para o Mundo – Coleção Inhotim”. Paralelamente, o Centro de Arte Contemporânea e Fotografia, também
abre suas portas para a exposição, com a videoinstalação “Homo Sapiens
Sapiens”, de 2005, filmada em Inhotim antes de sua abertura à visitação livre. Ficou
curioso para conhecer as obras? Em uma visita guiada para jornalistas,
realizada na quarta-feira (10), os curadores Rodrigo Moura, Inês Grosso e Julia
Rebouças adiantaram um pouquinho do que os visitantes poderão contemplar a
partir de sexta-feira (12).

No primeiro piso, a Grande Galeria do Palácio das Artes é organizada
em quatro capítulos, sempre mesclando obras históricas e contemporâneas. Ali, é
possível encontrar trabalhos de Hélio Oiticica logo no primeiro momento. Ligia
Clark e Lygia Pape também aparecem, acompanhadas das cores fotográficas de
Décio Noviello e das caixas em mármore de Iran do Espírito Santo. Cildo Meireles
também integra a mostra, com seus “pensamentos materiais” expressos em notas de
dinheiro, carimbadas com mensagens que incluem slogans políticos.

O interessante é que, diferente do que costuma acontecer em
exposições na Grande Galeria, os vidros que dão acesso à rua não são tampados
completamente, de forma que quem está do lado de fora, consegue ter ideia do
que está exposto. De acordo com Rodrigo Moura, isso foi proposital, com a
intenção de aproximar o público das obras. “A exposição foi pensada para o
espaço. Queríamos fazer algo acolhedor, para que as pessoas entrem e fiquem
bastante tempo. Os vidros abertos fazem com que as pessoas tenham essa vontade
de entrar e participar da mostra”, avalia o curador.

Já entre os trabalhos nas Galerias Genesco Murta e Arlinda
Corrêa Lima, o que chama a atenção é a obra de Rivane Neuenschwander, chamada
de “Zé Carioca nº 2, A volta dos três cavaleiros”. Na parede, os quadrinhos
perdem as imagens, restando apenas um fundo colorido e os balões de
diálogo.  “O público vai ter giz e
apagador à disposição, para criar e recriar os diálogos conforme a imaginação,
podendo dar sequência às histórias ou começar novas”, explica a curadora da Coleção
Inhotim, Julia Rebouças.

A Galeria Mari’Stella Tristão é reservada a Thomas
Hirschhorn. Conhecido por suas instalações e esculturas, o artista empresta às
galerias o “Carro Conceito” (ou Concept Car). A obra consiste em um automóvel
adornado com diversos objetos que, segundo a curadora Inês Grosso, enfatizam a
estética do acúmulo, visando mexer com o imaginário coletivo. “É uma espécie de
crítica à sociedade”, completa. A cada volta pelo carro, um objeto novo é
descoberto: livros, brinquedos de borracha, CDs, fitas K7. “Tudo formando uma
espécie de crítica às marcas e à cultura de consumo”, enfatiza Inês.

Atividades paralelas

Além da exposição, serão promovidas rodadas de conversa com
artistas, realizadas na Sala Juvenal Dias, em dezembro e fevereiro. “Essas
atividades funcionam como estratégia de inclusão do público”, avalia Rodrigo
Moura.

A visita pela exposição é gratuita, de terça-feira a sábado,
das 9h30 às 21h, e domingo, das 16h às 21h.