Cultura

Uma viagem ao passado: a arquitetura dos restaurantes históricos de BH

Muito além da comida; explore os detalhes, a decoração e as histórias preservadas na arquitetura dos espaços gastronômicos mais antigos da capital


Créditos da imagem: Joalpe, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Letreiro "MERCADO C DESDE 1929" em fachada com treliça, toldo verde e palmeiras. A arquitetura histórica do Mercado Central, inaugurado em 1929, é parte essencial da experiência gastronômica em Belo Horizonte

Redação - SouBH

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23/03/26 às 13:41 - Atualizado em 23/03/26 às 14:01
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Em Belo Horizonte, alguns restaurantes oferecem mais do que um bom prato: proporcionam uma verdadeira imersão na história da cidade. Muito além do cardápio, a arquitetura desses espaços preserva décadas de memórias, revelando em seus detalhes as transformações urbanas e culturais da capital mineira. Conhecer esses locais é uma forma de se conectar com o passado de BH enquanto se desfruta da gastronomia local.

Símbolos do centro da cidade, estabelecimentos como a Cantina do Lucas e o Café Palhares são paradas obrigatórias. A primeira, fundada em 1962 e localizada no icônico Edifício Maletta, na esquina da Rua da Bahia com a Avenida Augusto de Lima, mantém o charme da época com suas cabines de madeira e ambiente intimista, sendo tombada como patrimônio cultural desde 1997.

Já o tradicional Café Palhares, desde 1938, reflete em sua arquitetura funcional a simplicidade dos botecos que serviram de ponto de encontro para gerações.

Da residência ao restaurante

Outros espaços contam a história da cidade a partir da transformação de antigas residências. No bairro de Santa Tereza, um dos mais tradicionais da capital, restaurantes se instalam em casas que preservam a fachada e as características originais da região, adaptando os antigos cômodos de uma família em ambientes de confraternização. A experiência de estar ali é sentir como a vida privada de outra época se abriu para o público, criando uma atmosfera acolhedora.

O bairro preserva mais de 300 prédios históricos, entre bares, restaurantes, cinemas e igrejas. Um deles é o famoso Bar do Orlando, fundado em 1919 é consagrado como o mais antigo da capital mineira.

Essa tendência de reocupação de imóveis históricos valoriza o patrimônio e cria atmosferas únicas. Cada detalhe, desde um ladrilho hidráulico original até a disposição dos salões, serve como um testemunho silencioso de outros tempos, oferecendo um cenário que enriquece a refeição.

A arquitetura como parte da experiência

No Mercado Central, a própria estrutura se torna o grande atrativo. Inaugurado em 1929, o espaço abriga restaurantes que se integram à sua arquitetura monumental, com grandes vãos e corredores movimentados. Comer em um dos estabelecimentos do mercado significa participar de uma tradição que se renova diariamente, em um local que é, por si só, um marco arquitetônico e cultural de Belo Horizonte.

Esses restaurantes mostram que a arquitetura não é apenas um plano de fundo, mas um ingrediente essencial da experiência gastronômica. Eles convidam moradores e turistas a olhar para além do prato e a descobrir as histórias que as paredes, janelas e portas têm para contar sobre a capital mineira.