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Inhotim movimenta economia na região metropolitana de BH

Museu de arte contemporânea tem repercussão mundial



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O Instituto Inhotim conseguiu se tornar uma alternativa real de trabalho para a população da cidade e seu entorno
Redação Sou BH
26/05/15 às 12:55
Atualizado em 01/02/19 às 17:17

Por Daniela Maciel do Diário do Comércio

Feitos para mobilizar os sentidos e aguçar a curiosidade e a reflexão de quem passeia por suas galerias e espaços, os museus e outros equipamentos de cultura são capazes também de movimentar a economia, além dos empregos e renda gerados.

Em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o Instituto Inhotim - considerado o maior museu de arte contemporânea em espaço aberto do mundo - conseguiu se tornar uma alternativa real de trabalho para a população da cidade e seu entorno, calculada em mais de 40 mil pessoas, tradicionalmente voltada para a atividade mineradora.

Desde sua inauguração, em 2007, o museu se empenha em ações de capacitação junto à comunidade, principalmente a quilombola. De acordo com a diretora executiva do Inhotim, Raquel Novais, 84% dos quase mil funcionários são de Brumadinho. "Há tempos que as instituições museais têm trabalhado o acesso aos acervos e também o contato com as comunidades do entorno. Somos o segundo maior empregador da cidade, com uma oferta de trabalho diferenciada. O primeiro emprego dos jovens da cidade é aqui. Temos uma política de incentivo aos estudos que pretende também reter esses jovens na região, que pode fazer carreira no Instituto", explica Raquel Novais.

Em 2014, Inhotim recebeu 400 mil visitantes, oriundos de todos os estados brasileiros e de outros 32 países. O número impressiona se comparado aos 7 mil visitantes do primeiro ano. A expectativa é atingir a marca de 2 bilhões de pessoas ainda no primeiro semestre.

Como organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), Inhotim é administrado nos mesmos moldes de uma empresa privada. Os custos fixos, projetos e ações são bancadas por um conjunto de fontes como leis de incentivo à cultura, aporte direto do fundador, convênios e verba direta na forma de patrocínios e apoios. A bilheteria e outros serviços como aluguel dos carrinhos elétricos, somam 8% da verba.

"Sete dos 10 maiores patrocinadores de cultura do Brasil apoiam Inhotim. Vale ressaltar que toda nossa divulgação é feita através de mídia espontânea. Em 2014, foram R$ 50 milhões de exposição nas mais diferentes mídias conquistados. Percebemos que o maior interesse das empresas é associar a marca a um projeto de viés educativo consistente. Só no ano passado, recebemos mais de 100 mil crianças de escolas públicas. A nossa meta é tornar o Instituto independente dos aportes do nosso fundador", afirma a diretora executiva do Inhotim.

Projetos diretos junto às comunidades quilombolas, como oficinas de música, e outros realizados na sede do museu também tem o objetivo de valorizar a cultura local e o sentimento de pertencimento, ajudando, assim, a evitar o êxodo de trabalhadores rumo à Capital. "Buscamos nos valores da comunidade aquilo que gera interesse e tem possibilidade de se transformar em atividade econômica. Um exemplo é a oficina de bordado, que permitiu às mulheres da região incrementar a produção que já existia, criando produtos mais atrativos e de maior valor agregado. Nosso grande desafio, além de preservar o acervo, é descobrir formas de nos relacionar com a comunidade. Esse é um exercício constante, que tem efeitos práticos e simbólicos. Queremos atuar na construção de modelos de desenvolvimento sustentável para o Inhotim e toda a região. Só poderemos crescer se todos crescerem juntos", completa a gestora.