José Maria Borges estuda na rede municipal de Belo Horizonte e mantém o sonho de aprender a ler e escrever
José Maria Borges celebra seu 92º aniversário na escola, um marco em sua jornada educacional na Educação de Jovens e Adultos
Aos 92 anos, José Maria Borges continua frequentando a escola em Belo Horizonte para realizar o sonho de aprender a ler e escrever. Um dos estudantes mais velhos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede municipal, ele comemorou o aniversário na Escola Municipal Professora Anne Frank, onde estuda desde 2019.
A celebração ocorreu na quarta-feira (23), data em que José Maria completou 92 anos, e contou com a presença de familiares e profissionais da escola. A trajetória do estudante é marcada pela persistência em continuar os estudos mesmo depois de uma vida dedicada ao trabalho.
Nascido em 23 de setembro de 1934, em São João Evangelista, no interior de Minas Gerais, José Maria iniciou os estudos na EJA da Escola Municipal Professora Alice Nassif, onde permaneceu até 2016. Após o encerramento da oferta da modalidade na unidade, ele continuou estudando em uma turma externa da Escola Municipal Caio Líbano Soares entre 2017 e 2018.
Desde 2019, José Maria frequenta a Escola Municipal Professora Anne Frank.
Para o estudante, estar na escola é motivo de alegria. “É um prazer estar aqui. Fico mais alegre, mais confortável, despreocupado. Quero aprender a ler e a escrever, observar o que os outros dizem e aprender a fazer as coisas”, afirma.
Uma das professoras de José Maria, Vera Lucia Silva Mesquita, destaca a assiduidade e o empenho do estudante. Segundo ela, ele chega no início do turno e permanece até o fim das aulas. “É um aluno dedicado, que copia todas as atividades e mantém uma letra muito bonita”, relata.
A professora também destaca a forma como José Maria se relaciona com colegas e profissionais da escola.
“Ele é uma pessoa muito educada, gentil e querida por todos na escola. Mantém sempre a cordialidade, responde com um sorriso e demonstra muito carinho no convívio com professores e colegas”, afirma.
Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, quando encontra alguma dificuldade para compreender um conteúdo, José Maria consegue realizar as atividades depois que recebe atenção individualizada e uma explicação mais detalhada.
José Maria é o segundo de sete irmãos. Ele perdeu o pai aos 7 anos e, aos 10, começou a trabalhar em fazendas da região.
Aos 36 anos, mudou-se para Machacalis, no Norte de Minas, onde conheceu a esposa, Maristela. Os dois constituíram família e viveram durante alguns anos na zona rural.
A esposa e a primeira filha do casal, Valquíria Borges Ferreira, foram para Belo Horizonte antes de José Maria. Em 1975, movido pela saudade, ele também deixou a vida no campo e se mudou para a capital.
Em Belo Horizonte, trabalhou na construção civil. A família passou por diferentes casas de aluguel até conseguir estabelecer o próprio lar no bairro Confisco. Depois, chegaram as filhas Vanessa, Valéria e Vanda.