Concursos nacionais e internacionais atestam a qualidade da iguaria de Minas
Por Camila de Ávila, jornalista Sou BH
Minas Gerais é conhecida mundialmente pelo pão de queijo, pelo
café e pela cachaça. Como se não bastasse essa mistura de sabores, a cachaça produzida
em Betim, no Vale Verde, foi eleita a melhor do Brasil em fevereiro deste ano. E
tem mais: do grupo das 50 melhores cachaças do país, 30 são produzidas em nosso
estado, nove são fluminense e três de São Paulo. Fica a pergunta: tem como
banir a cachaça mineira de algum lugar?
Recentemente, o secretário estadual de Turismo do Rio de
Janeiro, Claudio Magnavita, declarou ao jornal O Globo que se pretendia banir a
cachaça mineira dos hotéis do Rio. Mas quem perderia com isso? De acordo com o
gerente de produção do Vale Verde, Daniel Fornari, o estado do Rio teria seu
cardápio bastante reduzido, caso isso realmente acontecesse. “A cachaça fabricada
em Minas é tradicional. Pode-se dizer que está entra as melhores cachaças do
mundo. Em todos os concursos de cachaças as mineiras são as melhores
colocadas”, afirma.
Daniel diz ainda que o que faz da cachaça mineira a melhor
do país é o terroir (termo que se
refere a um conjunto de fatores que vão de clima, solo à terreno), a tradição e
a mão de obra. “O que diferencia muito a nossa cachaça é a região em que é
fabricada. Aqui há uma tradição que passa de geração em geração e faz com que a
fabricação da bebida seja aprimorada com o passar dos anos”, explica.
Outra questão importante é a cana utilizada para fazer a iguaria.
O Vale Verde, por exemplo, possui uma parceria com a Universidade Federal de
Viçosa (UFV), que orienta sobre o plantio da cana e sua variedade. “O professor
Luiz Cláudio (professor associado do Departamento de Engenharia Agrícola),
oferece para gente um apoio técnico sobre o plantio e o corte da cana que vamos
utilizar para produção da nossa cachaça”, conta.
O sabor da cachaça mineira é também muito especial. Não é a
toa que no Concurso Mundial de Bruxelas – Spirits Selection de 2014, a Famosinha
de Minas ganhou o prêmio de melhor cachaça de 2014, disputando com mais 799
bebidas. Segundo Daniel, o seu sabor se deve ao barril em que ela descansa.
“Temos aqui no Vale Verde o barril de madeira de carvalho europeu, de jequitibá
e de umburana, que influenciam muito no sabor da bebida”, conta.
Coisa muito nossa, Daniel diz que o que diferencia nossa
cachaça das outras é o local da separação da três frações do destilado em
cabeça, coração e cauda. “O local da separação faz toda diferença. Aqui em
Minas a cachaça é muito tradicional. Sendo assim, temos o no hall de fazer essa
separação privilegiando o sabor e deixando a nossa cachaça incomparável”,
explica.
É, não tem jeito: Minas Gerias é tradição no que se refere a
cachaça. É reconhecida como a melhor do Brasil e do mundo por concursos nacionais
e internacionais. O jeito é beber e não esquecer de oferecer uma para o santo,
mesmo que seja para o São Sebastião do Rio de Janeiro.