Gastronomia

Pé de Moleque é mineiro? Descubra a origem do doce

Descubra Piranguinho, no sul de Minas, onde o pé de moleque virou símbolo cultural, atração turística e orgulho mineiro há mais de 80 anos


Créditos da imagem: Divulgação/Prefeitura de Piranguinho
Fachada na entrada da cidade de Piranguinho, conhecida como a Capital do Pé de Moleque. Piranguinho, no sul de Minas Gerais, transformou o tradicional pé de moleque em símbolo de identidade, cultura e desenvolvimento.

Yasmin Oliveira

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12/11/25 às 15:07 - Atualizado em 12/11/25 às 15:10
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Localizada no interior de Minas Gerais, a cidade de Piranguinho abriga pouco mais de 8 mil habitantes, mas se destaca nacionalmente por transformar um doce Pé de Moleque em fonte de renda, turismo e valorização cultural.

Há mais de 80 anos, os moradores de Piranguinho mantêm viva a receita do pé de moleque, passada de pais para filhos. Esse cuidado constante preserva a autenticidade do doce e reforça o sentimento de identidade local. Por isso, o pé de moleque se tornou um patrimônio imaterial de Minas Gerais e também um patrimônio histórico municipal. Além disso, o doce alcança reconhecimento nacional e representa um símbolo genuíno da cultura mineira.

A festa que celebra o orgulho da cidade

Todos os anos, a cidade organiza a tradicional “Festa do Maior Pé de Moleque do Mundo”, que atrai moradores e turistas de diversas regiões. Durante o evento, confeiteiros locais preparam um pé de moleque gigante, que se transforma na principal atração da celebração.

Essa festa movimenta o turismo, valoriza o trabalho dos produtores e mantém viva a tradição do doce artesanal. Logo na entrada da cidade, uma estátua em homenagem ao pé de moleque recebe os visitantes e funciona como cartão-postal, reafirmando o vínculo entre Piranguinho e sua iguaria mais famosa.

Economia impulsionada pela tradição

A produção artesanal do pé de moleque utiliza ingredientes típicos da região e preserva o sabor autêntico que conquista consumidores em todo o Brasil. Por esse motivo, Piranguinho recebeu o título de “Capital Nacional do Pé de Moleque”.

A receita tradicional, feita com rapadura e amendoim torrado, garante à cidade prestígio e impulsiona sua economia. Durante todo o ano, a produção e a venda do doce geram empregos, aumentam a renda das famílias e sustentam pequenos negócios locais. Assim, Piranguinho transforma uma tradição simples em um símbolo de identidade, prosperidade e orgulho coletivo.

A origem do nome “Pé de Moleque”

O nome curioso do doce tem duas explicações populares. Em primeiro lugar, uma versão conta que as quituteiras das ruas gritavam “Pede, moleque!” quando as crianças tentavam roubar o doce ainda quente das bancadas. Com o tempo, a expressão batizou a guloseima.

Por outro lado, outra teoria relaciona o nome à aparência do doce, que se assemelha ao calçamento irregular de pedras conhecido como “pé de moleque”, comum em cidades históricas como Ouro Preto.

De qualquer forma, o pé de moleque se consolida como um clássico da culinária brasileira, surgido no século XVI, durante a chegada da cana-de-açúcar à Capitania de São Vicente.

Uma história que nasceu de uma ideia simples

A história do famoso pé de moleque de Piranguinho começa em 1936, quando Matilde Cunha Torino, esposa do chefe da estação de trem local, decide vender doces na janela de casa para complementar a renda familiar. A filha, Alcéa, sugere que ela prepare também um doce de amendoim com rapadura para oferecer aos passageiros dos trens.

Logo, o novo doce faz sucesso entre os viajantes. Um menino vende as guloseimas pelos vagões e, às vezes, segue viagem até Itajubá antes de conseguir descer, segundo relata Sônia Regina Guedes Torino, neta de Matilde e atual responsável pelo negócio.

Com o fechamento da estação, Alcéa abre uma barraca à beira da estrada e a pinta de vermelho, sua cor favorita. Assim, nasce a Barraca Vermelha, que populariza o pé de moleque e torna Piranguinho famosa em todo o país.

Entre os admiradores, o poeta Carlos Drummond de Andrade elogia o doce em uma carta enviada à família Torino, chamando-o de “a pura joia mineira”.

Curiosamente, os meninos que vendiam o doce nos trens crescem e se tornam funcionários da fábrica da família, mantendo viva a tradição iniciada por Matilde.