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5 curiosidades sobre BH: por que a capital mineira é única

A cidade, carinhosamente chamada de “Beagá”, carrega uma história rica, uma cultura vibrante e hábitos que a tornam um lugar único no Brasil


De cidade planejada a capital dos botecos: descubra 5 curiosidades que fazem de Belo Horizonte um lugar único no Brasil

Rede de Notícias LB

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30/09/25 às 18:06
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Quem visita Belo Horizonte logo percebe que há muito mais a ser descoberto além da Serra do Curral e do famoso pão de queijo.

Planejada desde o início para ser uma capital moderna, a cidade guarda segredos que surpreendem até mesmo os moradores mais antigos. De arquitetura reconhecida mundialmente a tradições que se tornaram marca registrada, Belo Horizonte reúne características que explicam sua identidade tão singular.

A seguir, conheça cinco curiosidades sobre BH que mostram por que a cidade está entre os destinos mais interessantes do país.

1. A primeira cidade planejada do Brasil no século XX

Quando Belo Horizonte foi inaugurada em 1897, o Brasil vivia um momento de transformações políticas e sociais. Ouro Preto, até então capital mineira, já não conseguia comportar o crescimento econômico e populacional do estado. A solução encontrada foi ousada: construir uma nova cidade do zero, totalmente planejada.

Inspirado em modelos urbanos de Paris e Washington, o engenheiro Aarão Reis desenhou ruas largas, avenidas em formato de tabuleiro de xadrez e uma área central organizada em quarteirões. Esse traçado urbano, inovador para a época, garantia ventilação, iluminação natural e facilidade de circulação.

Um dos elementos mais marcantes do projeto foi a Avenida do Contorno, via de 10 quilômetros que delimitava os limites originais da cidade. A ideia era simples: tudo que estivesse dentro da avenida fazia parte da área urbana planejada; fora dela, começaria o espaço de expansão futura. Até hoje, a “Contorno” é um marco de referência para os moradores e um símbolo da cidade que nasceu organizada em torno dessa grande avenida.

O plano inicial previa até mesmo espaços verdes estratégicos, como praças e parques, que se tornaram pontos de encontro importantes para os moradores. Esse projeto visionário deu origem a uma capital que, mais de um século depois, ainda mantém a essência de cidade planejada, mesmo com o crescimento populacional que ultrapassa 2,5 milhões de habitantes.

2. O apelido “Beagá” e a identidade cultural

Quem chega à cidade logo percebe que quase ninguém chama Belo Horizonte pelo nome completo. O apelido “Beagá” ganhou vida própria e ultrapassou o simples jeito mineiro de falar a sigla “BH”. Ele se tornou um símbolo cultural.

Hoje, bares, restaurantes e até músicas incorporam o apelido carinhoso. Essa apropriação popular mostra como os moradores se identificam com a cidade de maneira afetiva, criando uma proximidade difícil de encontrar em outras capitais brasileiras.

É comum ouvir turistas dizerem que, ao desembarcar em BH, se sentem rapidamente em casa. Talvez seja pelo jeito acolhedor dos mineiros, mas também pelo fato de que a cidade é chamada de uma forma tão íntima que parece mesmo um convite a pertencer.

3. A Pampulha e a arquitetura reconhecida pela UNESCO

Entre os maiores cartões-postais de Belo Horizonte está o Conjunto Moderno da Pampulha, projetado por Oscar Niemeyer nos anos 1940. Composto por construções como a Casa do Baile, o Iate Tênis Clube e, principalmente, a Igreja de São Francisco de Assis, a famosa “Igrejinha da Pampulha”, o conjunto arquitetônico ganhou destaque internacional.

A área foi reconhecida em 2016 como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, reforçando sua importância não apenas para o Brasil, mas para a história mundial da arquitetura. Além dos traços futuristas de Niemeyer, os jardins desenhados por Burle Marx e os painéis de Cândido Portinari completam a riqueza artística do local.

Para além do reconhecimento, a Pampulha é um espaço vivo. A lagoa, que circunda as construções, virou ponto de lazer e prática esportiva. Caminhar, pedalar ou simplesmente contemplar o pôr do sol no espelho d’água é uma das experiências preferidas dos belo-horizontinos.

4. A capital dos botecos

Se existe algo que define a vida social de BH, é o boteco. A cidade é conhecida por ter a maior quantidade de bares per capita do Brasil, um título que não veio à toa. Em cada esquina há uma mesa convidativa, acompanhada de cerveja gelada e petiscos que vão muito além do famoso torresmo.

A tradição é tão forte que existe até um festival anual dedicado a esse universo: o Comida di Buteco, que nasceu em Belo Horizonte e hoje se espalhou por várias cidades brasileiras. Durante semanas, os estabelecimentos competem pelo título de melhor tira-gosto, movimentando moradores e turistas que percorrem os bares em busca de sabores únicos.

O boteco em BH não é apenas um lugar para comer e beber. É um espaço de convivência, onde se fortalecem amizades, se trocam histórias e se compartilha o espírito acolhedor mineiro. Quem visita a cidade dificilmente sai sem experimentar essa experiência cultural tão marcante.

5. O berço de grandes nomes da música brasileira

Belo Horizonte também se destaca como um dos polos musicais mais importantes do país. A capital mineira foi palco de movimentos culturais que moldaram a cena musical brasileira, especialmente a partir dos anos 1980.

Bandas como Skank e Jota Quest nasceram nos bares e casas de shows da cidade e alcançaram projeção nacional e internacional. No campo do rock pesado, o Sepultura, criado na região central de BH, ganhou reconhecimento mundial e se tornou uma das maiores bandas de metal da história.

Mas a relevância musical da cidade começou antes. Nos anos 1970, surgiu o movimento do Clube da Esquina, liderado por Milton Nascimento e Lô Borges, que uniu a poesia mineira com influências do jazz e da música latino-americana, criando um dos capítulos mais importantes da música brasileira.

Mais tarde, o cenário alternativo também ganhou força com a banda Pato Fu, que conquistou o público com experimentações sonoras e letras criativas, consolidando Belo Horizonte como uma capital musical diversa e inovadora.

Essa efervescência continua viva. A cidade é sede de festivais que reúnem artistas de diferentes estilos e mantém uma cena independente ativa, sempre revelando novos talentos. Não à toa, Belo Horizonte é considerada uma capital cultural, capaz de exportar sons e influências para além de suas montanhas.

Belo Horizonte é uma cidade que combina tradição e modernidade de maneira única. Seu planejamento urbano visionário, a arquitetura de reconhecimento mundial, a força dos botecos e a música que ultrapassa fronteiras mostram que a capital mineira vai muito além de ser apenas um centro político-administrativo.

A cada esquina, há um pedaço da identidade mineira que se revela em detalhes: no jeito acolhedor de chamar a cidade de Beagá, no pôr do sol refletido na Pampulha, no sabor de um tira-gosto de boteco ou no som de uma banda que nasceu nos palcos locais e ganhou o mundo.

Conhecer essas curiosidades é também um convite para olhar Belo Horizonte com outros olhos, percebendo que, por trás da rotina urbana, existe uma cidade que guarda histórias e símbolos capazes de conquistar qualquer visitante.