Com operação diurna e viagens noturnas sazonais, a ferrovia fortalece a economia de pequenas cidades e cria novos roteiros turísticos
O Trem de Passageiros da Vale, que conecta BH a Vitória, fomenta o turismo e a economia em diversas cidades ao longo do trajeto.
A operação do trem de passageiros da Vale, que liga Belo Horizonte a Vitória, no Espírito Santo, ganhou um reforço sazonal. Além da tradicional viagem diurna, o trem noturno, que opera nos meses de férias (janeiro, julho e dezembro), tem impulsionado o turismo e a economia de cidades no interior dos dois estados, provando ser muito mais do que um resgate nostálgico.
A Estrada de Ferro Vitória-Minas opera o único trem diário de passageiros de longa distância no Brasil. Com partida às 7h, o trajeto diurno de 664 km dura cerca de 13 horas e passa por 30 estações.
Já a opção noturna, sazonal, parte às 19h de BH e 18h de Cariacica (ES), com paradas em 14 estações. Para dezenas de cidades ao longo da ferrovia, o fluxo de visitantes gerado por ambos os serviços é vital para a economia local, impactando pousadas, restaurantes e o artesanato.
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Municípios como Governador Valadares, Conselheiro Pena e Aimorés, em Minas, e Baixo Guandu, no Espírito Santo, se beneficiam da conexão. A parada do trem, mesmo que breve, incentiva o desembarque de passageiros que buscam experiências autênticas, longe dos grandes centros turísticos.
O trem deixa de ser apenas um meio de transporte para se tornar o protagonista da viagem. A experiência de percorrer paisagens que se transformam ao longo do caminho atrai um público diverso. Famílias, aventureiros e casais buscam uma forma mais tranquila e contemplativa de viajar.
Essa dinâmica fomenta a criação de novos roteiros turísticos. Agências e guias locais começam a estruturar passeios que partem das estações, explorando cachoeiras, fazendas históricas e a gastronomia regional. A jornada sobre trilhos funciona como um convite para descobrir um Brasil que, muitas vezes, fica à margem das rotas tradicionais.
Os vagões são divididos entre as classes executiva, com ar-condicionado e mais espaço, e a econômica. Ambos contam com lanchonete e um carro exclusivo para restaurante. A combinação do serviço diário com o reforço noturno sazonal mostra como a ferrovia pode gerar oportunidades, valorizar a cultura local e impulsionar o desenvolvimento sustentável.