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Trem turístico pode ligar os bairros Belvedere a Olhos D’Água

Assembleia Legislativa de Minas Gerais debate nesta quinta (9) viabilidade de parque linear e reativação de ramal entre Nova Lima e BH



Créditos da imagem: Associação dos Amigos do Bairro Belvedere
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Imagens aereas do local no Bairro Belvedere onde já existe a Estação Águas Claras, que está em um trecho de uma ferrovia desativada que corta a Serra do Curral e liga Brumadinho à antiga mina de Águas Claras, já desativada, da Mineradora Vale
Redação Sou BH
09/09 às 07:45
Atualizado em 09/09 às 08:20

Debater o projeto de um trem turístico no ramal ferroviário Belvedere-Olhos D'Água, entre os municípios de Belo Horizonte e Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Esse é o objetivo da audiência pública que a Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras realiza nesta quinta-feira (9), a partir das 10 horas, no Auditório José Alencar da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O debate atende a requerimento assinado pelo presidente e pelo vice-presidente da comissão, respectivamente deputados João Leite e Gustavo Mitre, e ainda pela deputada Laura Serrano e pelo deputado Coronel Henrique. “Nosso objetivo é conhecer melhor o projeto que já existe e até foi citado em outras audiências da comissão, para que assim possamos avaliar a possibilidade do alinhamento dele com a legislação ambiental em vigor”, afirma João Leite.

Segundo informações da assessoria do parlamentar, o ramal ferroviário Belvedere-Olhos D’Água está em boas condições de preservação, com trilhos e dormentes em ordem, além da infraestrutura auxiliar, o que possibilitaria a conexão da região do Bairro Belvedere, em Belo Horizonte, e Vila da Serra, também conhecido como Seis Pistas, em Nova Lima (RMBH), até o polo gastrocervejeiro em que se transformou, ao longo dos últimos anos, o bairro Olhos D’Água, às margens da BR-356 e Anel Rodoviário. O mais recente desses empreendimentos que seria diretamente beneficiado é o Mercado de Origem, em implantação na área onde funcionavam diversos motéis.

A Associação dos Amigos do Bairro Belvedere já apresentou, em duas audiências da comissão, em novembro do ano passado, o projeto de implantação de um parque linear no bairro Belvedere, nos moldes do High Line, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, abrigando estruturas de lazer, área verde e uma estação ferroviária de um trem turístico, de onde poderiam partir trens tanto para o polo gastrocervejeiro no Bairro Olhos D’Água quanto, em uma segunda etapa do projeto, para o Instituto Inhotim, museu internacionalmente conhecido sediado em Brumadinho (RMBH).

No Bairro Belvedere já existe a Estação Águas Claras, que está em um trecho de uma ferrovia desativada que corta a Serra do Curral e liga Brumadinho à antiga mina de Águas Claras, já desativada, da Mineradora Vale. A Mina de Águas Claras, da Vale, funcionou até o início dos anos 2000. Depois disso, o trecho foi devolvido pela MRS Logística e assumido pela União, sofrendo constante ameaça de descaracterização.

Segundo informações da Associação, já existiriam inclusive empreendedores dispostos a injetar recursos para viabilizar o parque linear e o trem turístico. E a localização da estação oferece outro atrativo a investidores, já que está nas proximidades do terminal de ônibus para o Aeroporto Internacional de Confins. Assim, o futuro trem poderia atrair turistas interessados em visitar tanto o polo gastrocervejeiro quanto o Inhotim.

Mas um entrave à implantação de projetos na região do ramal ferroviário é a existência de uma área de recarga do manancial de Cercadinho. A especulação imobiliária levou à aprovação pela ALMG da Lei 15.979, de 2006, que criou a Estação Ecológica do Cercadinho. A Serra do Curral, divisa natural entre a Capital mineira e Nova Lima, também é tombada e está inscrita na Unesco como reserva da biosfera da Serra do Espinhaço.

Foram convidados para a audiência representantes dos governos federal e do Estado e das prefeituras de Belo Horizonte e Nova Lima. Na lista estão, por exemplo, a Coordenadoria de Patrimônio Ferroviário do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a Superintendência de Transporte Ferroviário da Agência Nacional de Transportes Terrestres (Sufer/ANTT) e a Superintendente de Transporte Ferroviário da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra).

Também foram convidados especialistas e entidades com atuação no transporte ferroviário, cultura e turismo, do Instituto Inhotim, e, por fim, de associações de moradores e empresários com atuação das regiões envolvidas.