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A ciência por trás da chuva de meteoros Dracônidas que cruzou o céu em outubro

Como os restos do cometa 21P/Giacobini-Zinner criaram feixes luminosos no início do mês: entenda a astronomia do espetáculo que atinge a atmosfera


Créditos da imagem: Reprodução
Céu noturno com múltiplos rastros de meteoros sobre paisagem árida com torre e luzes ao longe A chuva de meteoros Dracônidas oferece um espetáculo celeste, com seus rastros brilhantes detalhados na matéria sobre o fenômeno

Maria Clara Landim

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14/10/26 às 08:00
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O céu noturno ganhou um brilho especial no início de outubro com o pico da chuva de meteoros Dracônidas, que atingiu sua máxima atividade entre os dias 8 e 9. Embora seja um fenômeno predominantemente favorável aos observadores do Hemisfério Norte, entusiastas da astronomia no Brasil também puderam tentar registrar feixes luminosos discretos logo após o pôr do sol, período em que o radiante esteve mais elevado no céu.

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O evento se origina nos deslocamentos do cometa periódico 21P/Giacobini-Zinner, que completa uma volta ao redor do Sol a cada cerca de seis anos e meio. Em sua órbita elíptica, esse corpo celeste desprende uma densa esteira de poeira cósmica, gelo e pedregulhos milimétricos espalhados pelo espaço.

O espetáculo acontece quando a Terra atravessa essa nuvem de resíduos cometários. Ao colidirem com os gases da atmosfera terrestre em alta velocidade, esses fragmentos sofrem atrito e compressão severa do ar. A energia gerada ioniza as moléculas atmosféricas, criando o feixe luminoso conhecido popularmente como estrela cadente.

A física dos rastros lentos

Uma das marcas singulares das Dracônidas envolve a velocidade moderada de entrada na atmosfera. Enquanto muitas chuvas de meteoros atingem velocidades superiores a duzentos mil quilômetros por hora, as partículas do cometa 21P viajam a cerca de setenta mil quilômetros por hora. Essa relativa lentidão produz rastros brilhantes que parecem planar calmamente no manto escuro da noite.

O nome da chuva referencia a constelação de Draco, o Dragão, localizada nas coordenadas do hemisfério celestial norte. Esse ponto representa a região de onde todos os riscos luminosos aparentam nascer sob a perspectiva visual de quem observa a partir da superfície do planeta.

Desafios e condições de observação no país

Contemplar as Dracônidas em latitudes ao sul do equador, como em Belo Horizonte e na maior parte do Brasil, representa um desafio considerável, já que a constelação radiante desponta muito baixa na linha do horizonte norte. Além disso, a poluição luminosa dos grandes centros urbanos ofusca a maioria dos meteoros, exigindo condições ideais de visualização:

  • procurar pontos elevados e afastados da iluminação central, a exemplo de mirantes em serras e sítios rurais;

  • direcionar o olhar para o quadrante norte logo no início da noite, momento em que a constelação alcança sua melhor posição antes de descer no horizonte;

  • evitar o uso de lanternas e telas de celulares durante cerca de vinte minutos para garantir a adaptação natural dos olhos à penumbra;

  • dispensar binóculos ou lunetas, já que o amplo campo de visão a olho nu facilita registrar riscos passageiros e imprevisíveis.