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Casais rivais em campo

Conheça história de casais em que a rivalidade no futebol é forte


Créditos da imagem: Camila Ribeiro
Casais rivais no time e fortes no amor

Redação - SouBH

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26/11/14 às 14:18 - Atualizado em 06/02/26 às 16:53
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Por Camila de Ávila, jornalista do Sou BH

“Pra aumentar meu tormento, meu
irmão, eu sou Galo e ela é Cruzeiro”. Este trecho da canção “Galo e Cruzeiro” do
cantor e compositor mineiro Vander Lee, retrata bem o que acontece em dia de
clássico, quando o casal tem em sua vida essa divisão: a do time de
futebol.  Brincadeiras a parte, podem
acontecer brigas verdadeiras quando Cruzeiro e Atlético entram no relacionamento.
Será?

Casados há 55 anos, seu Ivair,
atleticano, e dona Marlene, cruzeirense, dizem viver em paz. “Nunca chegamos a
brigar”, conta seu Ivair orgulhoso. Ele admite até que chegou a levar dona
Marlene ao estádio para assistir ao jogo do Cruzeiro. “Fiquei torcendo contra
escondido, fazia figa contra o Cruzeiro, mas não deixava ela ver”,
ressalta.  “Nunca ia deixar de me casar
com ela por causa do time. O amor está acima disso. Mas em dia de jogo, ela
fica assistindo no quarto e eu na sala”, diz. “Temos cinco filhos e quatro são
atleticanos. Dos nossos 12 netos, só quatro torcem pelo Cruzeiro”, conta dona
Marlene, que diz que fica com dó do marido quando o Atlético perde. “Não gosto
de ver o Atlético perder porque ele fica triste”.

O casal Camila e Tiago, que estão
juntos há oito anos, já discutiu algumas vezes por causa da rivalidade dos
times.  “Nos víamos semanalmente e vez ou
outra ela aparecia com a camisa do Atlético. Eu, como sempre, apaixonado pelo
Cruzeiro, me sentia incomodado, mas como evitávamos falar de futebol, acreditei
que ela apenas se simpatizava com as cores alvinegras”, explica Thiago. Camila
conta que já rolou até briga por conta dos times. “Não torço contra o Cruzeiro,
apenas torço pelo Galo. Só que o Tiago torce contra o Galo. Ele aproveitou o
embalo do Brasileirão (domingo, 23 de novembro) para começar a zuar o Atlético
e não gosto dessa atitude”, conta Camila contrariada.

Lorran e Thalita se conheceram na
faculdade de publicidade e propaganda. “Quando ela descobriu que eu torcia para
o Cruzeiro, disse que abriria uma exceção para mim porque não gostava de ter
casos com cruzeirenses”, conta. Thalita gosta de assistir aos clássicos com o
namorado porque, segundo ela, ele dá sorte. “Eu sou mais ‘engraçadinha’ que ele
e, consequentemente, a mais esquentadinha. Não conseguimos evitar as piadinhas,
mas procuramos a hora certa de fazer”, diz.

O casal Renata e Cícero prefere
não ficar juntos durante o jogo. “Nos dias de clássicos, ficamos juntos antes
do jogo e depois cada um segue seu caminho e vai ver o jogo com sua turma, nos
respeitamos e aceitamos muito bem”, explica a cruzeirense Renata. Já Cristiane
e Leo, tiveram uma pequena discussão quando o Cruzeiro ganhou a Tríplice Coroa.
“Ele quase me expulsou do carro porque ele estava dirigindo e eu enfiava a mão
na buzina pra qualquer um que passava”, conta.

O compositor Vander Lee disse que
a canção “Galo e Cruzeiro”, não passa por essa questão. “Na verdade não existe
ela cruzeirense na minha vida. Fiz a música meio por acaso, vários casais se
identificaram. Sou Galo, mas nunca vivi isso, deve ser interessante, acende as
paixões”, explica o artista. Vander acredita que o futebol deve sim interferir
na vida de um casal. “Essa coisa de horário sagrado do futebol para os homens,
as ‘peladas’ de fim de semana, a falta de atenção nessas horas. As mulheres reclamam,
né? Mas também une quando os dois gostam, é sempre um momento bom para
desestressar, quebrar o gelo”, constata.

Ao final quem saiu ganhando,
dessa vez foi BH e Minas Gerais. Pelo segundo ano consecutivo pertence a Minas
o melhor futebol do Brasil. “Ela finge que não, mas no seu coração ainda sou
artilheiro. Só faz isso porque, meu irmão, eu sou Galo e ela é Cruzeiro”.

Veja na integra as entrevistas dos casais das matéria aqui

Seu Ivair e dona Marlene, casados há 55 anos, são rivais só na torcida.