Educadores do Colégio Determinante e neurologista infantil apontam sinais que merecem atenção e estratégias para apoiar os estudantes nos anos finais dessa fase
O rendimento escolar é influenciado por diferentes fatores, da prática de descanso à forma como cada estudante organiza e assimila os conteúdos
A dificuldade de concentração, a queda no rendimento e o desinteresse pelas aulas podem ter diferentes causas. Nos anos finais do ensino fundamental, quando aumentam o número de disciplinas, as responsabilidades e as cobranças. Entender o que está por trás desses comportamentos é um desafio para famílias e educadores.
No Colégio Determinante, em Belo Horizonte, professores destacam a importância de observar as necessidades de cada estudante e adaptar as práticas pedagógicas quando necessário. Com a contribuição da neurologista infantil Dra. Susana Satuf, a discussão passa por três aspectos que podem interferir na rotina escolar: sono, saúde emocional e diferentes formas de aprender.
Como o sono interfere no desempenho escolar?
Dormir bem ajuda a manter a atenção e a consolidar a memória, funções importantes para acompanhar as aulas. Segundo Susana Satuf, crianças de 6 a 12 anos precisam de 9 a 12 horas de sono por noite. O uso de telas até tarde e os horários irregulares podem prejudicar esse descanso.
O sono em sala, portanto, nem sempre significa descaso por parte do aluno: “dessa forma a sonolência não deve ser interpretada automaticamente como preguiça ou desinteresse”, alerta a neurologista.
Para o professor Marconi, coordenador do ensino fundamental do Colégio Determinante, observar a frequência desses episódios ajuda a compreender a situação. Enquanto o cansaço pontual pode estar relacionado à rotina, a sonolência recorrente exige uma avaliação mais cuidadosa.
Estratégias pedagógicas ajudam a recuperar a atenção
Marconi destaca também que além de observar o comportamento da turma, os professores podem diversificar as atividades para tornar as aulas mais dinâmicas e que variar a exposição dos conteúdos é uma forma de estimular o envolvimento dos estudantes: “é necessário estabelecer estratégias diversificadas durante a exposição do conteúdo para despertar e reter a atenção dos alunos”, afirma.
Entre as alternativas citadas pelo coordenador, que são implementadas no Determinante, estão atividades em duplas ou trios, mudanças na organização dos tópicos no quadro e reorganização das carteiras. Essas iniciativas ajudam a diversificar a experiência em sala, embora não substituam a investigação de dificuldades persistentes.
Mudanças de comportamento merecem atenção
Uma queda no rendimento ou a perda de interesse pelas atividades também podem estar relacionadas ao bem-estar emocional. A depressão infantil, por exemplo, nem sempre se manifesta como tristeza: irritabilidade, isolamento e alterações na rotina também podem ocorrer.
Segundo a neurologista, mudanças persistentes no comportamento merecem vigilância, principalmente quando afetam a convivência e as atividades habituais. Um sinal isolado, porém, não confirma um diagnóstico.
Na escola, os professores podem contribuir ao perceber alterações na participação dos estudantes e compartilhar essas observações com a coordenação e as famílias. A professora de artes, Bela Inácia, ressalta a importância de não confundir dificuldades emocionais com rebeldia: “interpretar comportamentos inapropriados como desinteresse ou falta de disciplina impede a escuta dos estudantes e dificulta a resolução dos problemas”, afirma.
O diálogo ajuda a compreender o contexto e, quando necessário, a articular o acompanhamento com profissionais especializados. A proposta, inserida no projeto pedagógico do Determinante é justamente acolher o estudante e buscar formas de apoiá-lo, sem atribuir rótulos precipitados ao seu comportamento.
Diferentes formas de aprender exigem outras estratégias
Nos anos finais do ensino fundamental, os alunos passam a lidar com mais responsabilidades. Para crianças neurodivergentes, essa mudança pode exigir atenção especial à organização das tarefas, à clareza das instruções e à previsibilidade da rotina.
A professora de Física Maria Vitória explica que o planejamento pedagógico precisa considerar as barreiras que dificultam a participação de cada aluno. Isso não significa reduzir as expectativas, mas oferecer condições para que ele desenvolva suas habilidades.
“A escola identifica a necessidade de outras estratégias de ensino por meio de um diagnóstico pedagógico, que busca compreender como o estudante aprende e quais barreiras podem estar dificultando seu acesso ao conhecimento”, explica.
Esse processo é diferente de um diagnóstico clínico. No cotidiano escolar, recursos como orientações claras, atividades divididas em etapas e outras formas de apresentar os conteúdos podem facilitar a compreensão, conforme as necessidades identificadas.
Autonomia também faz parte da aprendizagem
Maria Vitória destaca que o suporte oferecido pelos educadores deve contribuir para que o estudante assuma gradualmente as próprias responsabilidades: “nosso papel, enquanto educadores, é oferecer condições para que ele desenvolva suas habilidades, faça escolhas e conquiste cada vez mais autonomia”, afirma.
A parceria entre escola e família também é importante nesse processo. Segundo a neurologista, organizar prazos, acompanhar as tarefas e reconhecer os avanços são formas de apoiar a rotina sem assumir todas as responsabilidades pelo aluno.
Uma nova etapa na trajetória escolar
Essa perspectiva também se relaciona à ampliação da oferta educacional do Colégio Determinante. Em 2027, a instituição passa a oferecer o ensino fundamental II completo, do 6º ao 9º ano, ampliando o atendimento nessa etapa da formação escolar.
Para conhecer mais sobre a proposta educacional e a estrutura de ensino da instituição, acesse o site oficial: Colégio Determinante.