Reunião para manifestação conjunta em mais de dez capitais acontece no próximo sábado (15), na Savassi
Em sintonia com os movimentos de outras cidades do Brasil, jovens de Belo Horizonte organizam pelo Facebook o 1° Ato pela Redução da Passagem. A concentração acontece amanhã (15), às 13h, na Praça da Savassi, para definir a data e o direcionamento de uma grande manifestação exigindo a redução da passagem de ônibus.
A convite do Comitê Popular dos Atingidos Pela Copa (COPAC), a manifestação procura reivindicar a redução de tarifas e o passe livre. A manifestação iniciará com atos lúdicos em protesto contra a política da Fifa para a Copa do Mundo e pretende seguir, após as manifestações, o trajeto para a Praça da Liberdade e a Prefeitura.
Eventos similares estão sendo organizados em mais de oito cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Santos, Goiânia, Natal e Florianópolis. Até o fechamento desta matéria, mais de 9.000 pessoas estavam confirmadas para a participação neste evento.
A respeito do aumento de tarifas em Belo Horizonte
Segundo o jornalista João Paulo Borges, que apurou o aumento das passagens de 2008 em uma projeção até 2020, existem irregularidades no aumento da passagem: ?A tarifa do transporte público sobe a uma porcentagem incrível, são 10% a cada dois anos, com margem de desistência de passageiros de apenas 1%.Segundo os cálculos de progressão que eu fiz em 2008, esperava que o preço de R$2,80 só vigorasse em 2014, mas já aumentou. Fazendo as contas, até 2020 a passagem vai custar uns 4 reais e o salário mínimo não acompanha de forma alguma esse aumento?, declara.
O jornalista também apurou a projeção entre o salário mínimo e os gastos com meios de transporte: ?Suponhamos que o salário suba 10% nos próximos 7 anos, nessa projeção, então, teríamos um gasto ? para quem pega só dois ônibus por dia ? de, pelo menos R$ 176 por mês, o que corresponderia a cerca de 25% do salário. Imagine o trabalhador gastar um quarto de toda a sua renda mensal com ônibus. Quem tomasse uma dupla de ônibus por dia, então, teria de pagar quase metade do que ganha em transporte?.
Sobre a frota de carros na capital, foram levantados os seguintes dados: ?Em contrapartida, a frota veicular ? carros, motos e caminhões ? de BH totalizou, pelo senso do IBGE de 2006, que as então 2.412.937 pessoas que habitam a capital possuíam uma frota total de 860.260 veículos. Isso equivale a menos de 3 pessoas por veículo. Uma concessionária vende, em média, 200 a 240 carros por mês, com um aumento médio anual de 30% nas vendas, isso indica que, a cada ano, uma única loja vende cerca de 0,5% do total da frota da cidade por ano. E pra onde vai esse tanto de carro? Para os 1% que deixam de andar de ônibus, que parece pouco, mas equivale a 14 mil pessoas ? se tomar a média de 1,4 milhão de pessoas que é atendida por dia pelo transporte coletivo, em dados de 2008.Imagine, a cada dois anos 14 mil pessoas param de andar de ônibus e financiam um carro para lotar o trânsito?.